sábado, 25 de julho de 2015

porta-voz


PORTA-VOZ

O verso decassílabo consome
banana com cebola com limão,
mas quem escreve aqui é minha mão,
pois verso não irá matar-me a fome.

Então, a mão tal suco tosco tome
com alho, quer alhinho, quer alhão,
e a boca pronuncie o palavrão,
enquanto só o cacófato é quem come.

Jejum faz bem à alma, pois, lá vai!
— o cérebro quer dar consentimento,
e empenho para tanto não subtrai. —

O estômago, porém, cheio de vento,
de súbito, com força, se contrai,
e o cu, por todos, faz pronunciamento.


Nhandeara, 25 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami


terça-feira, 21 de julho de 2015

sedento

Santa Teresa Benedita da Cruz

SEDENTO

Você, que, no aconchego do seu lar,
tem um cafofo, está de boa, espera
ficar de boa sempre, mas tolera
um íntimo desejo a segredar.

Segredo pra si mesmo, que, no altar
do peito, com frequência, o dilacera
sem nunca revelar-se essa tal fera
que a sua alma teima em cativar.

Não é assim à toa, saiba disto,
a fera põe você em movimento
domando o domador, que lhe é bem quisto.

E, quando, no cabal contentamento,
você vir face a face Jesus Cristo,
saberá do que agora está sedento.


Nhandeara, 21 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 17 de julho de 2015

tão comuns


TÃO COMUNS

Ainda que nós fôssemos nós dois,
ainda que o planeta fosse chato,
ainda que cachorro fosse gato,
ainda que se desse nome aos bois:

Eu gosto de comer feijão e arroz,
farinha de mandioca é no meu prato,
e, pra mais aumentar o nosso hiato,
não deixo nem um pouco a ver depois.

Mas eis que os dois de nós não são mais um,
porém somos mais uns na multidão
dos séculos perdidos, tão comuns...

E, enquanto tu és gata, eu sou um cão
caindo do planeta sem nenhum
receio de marchar na contramão.


Nhandeara, 17 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami



domingo, 12 de julho de 2015

FORVM - ficção total


FORVM

Com tanta merda pra dizer, calei-me
diante do juiz de vara e toga;
sentença de juiz, quem sabe, joga
e ganha em loteria sem que teime.

Calei-me pra evitar que alguém me queime
na cadeia o franzido, amado boga,
e, pena tal, mais nunca se revoga,
por isso, de falar, foi que esquivei-me.

Quem fala vira escravo do que fala,
quem cala senhor é do que calou,
vontade de falar, pois, não me abala.

Mas, quando o julgamento terminou,
o promotor eu baleei sem bala,
com versos, que o juiz inocentou!


Nhandeara, 12 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Crônica de Nárnia

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CRÔNICA DE NÁRNIA

Prezado senhor Bosta, cordiais
saudações do colega Caganeira,
esta primeira carta derradeira
contém relatos mais do que fecais.

Conforme informativos sazonais,
o povo está cagando até madeira,
pois come celulose, sem que queira,
mesclada ao alimento, os mais banais.

Cagando paus, por outro lado, empenho
tem feito em defecar quem é político,
e um cocô é o cenário que desenho.

Se falam em jargão mais apodítico,
inane, nesta crônica, só tenho
é de cagar um áscaris raquítico!


Nhandeara, 9 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami



domingo, 5 de julho de 2015

MERCHAN - cartuns da Revista Bundas

Revista Bundas
Ano 1 - Número 32 - 25 a 31 de janeiro de 2000

MERCHAN

Aquilo que no Rio é apenas merda,
em Sampa, continua sendo bosta,
mas disso é que o paulista muito gosta,
e é paladar que o carioca herda...

Sorri, subindo o Elevador Lacerda,
baiano, se está lendo esta proposta,
mas, antes da parada, logo encosta,
e dorme sem que leia aquele herda.

Contudo, não entendo essa disputa,
se vou à Paraíba, e um paraíba
apita contra o Vasco — fidaputa!

(Merchan para a cachaça Sagatiba),
o Milton bebe uma aqui para o Edmundo,
e o verso derradeiro deito ao fundo.


Nhandeara, 5 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami
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Desenhos da Revista Bundas, ano 1, número 32

sexta-feira, 3 de julho de 2015

putos porros - gíria lusitana

Jovem, se tu completaste 18 anos,
ingresses na Marinha de Portugal,
e conheças um novo mundo.

PUTOS PORROS

Aqueles putos porros são gozados,
transformam esta escola num hospício,
e são do professor riso e suplício
por mares nunca de antes navegados!

Mas eu jamais serei um conformado,
o ter um ideal seja meu vício,
ainda que com fogos de artifício,
de novo, seja o Vasco rebaixado...

E vós, Tágides minhas, dai-me ajuda
nas horas em que o barco vai a pique,
dizendo, em coro, aos putos, pois: caluda!

Silêncio, então, daqui a Moçambique,
possa haver, pra eu tocar a frauta ruda
que toco, sem um puto que a critique!


Nhandeara, 3 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami



1ª obs: putos porros = moleques porretas ou crianças divertidas

2ª obs: O time de futebol Vasco da Gama está mal no campeonato brasileiro.