sexta-feira, 6 de março de 2015

PAPEL HIGIÊNICO



PAPEL HIGIÊNICO

Invenção mais mimosa é o papel
higiênico, que limpa nossa peida
devido àquela justa e linda lei da
bosta, que é do juiz e que é do réu.

Seu inventor merece é um troféu,
um arco do triunfo pela Eneida
de engenho e arte que nos deixa a peida
garbosa, altiva, feito a Torre Eiffel.

E aquele que jamais cagou dispense
o papel, a descarga, a porta, o vaso
sanitário, e, depois, morra enfezado.

Mas, lendo este poema agora, pense
em que papel, achado por acaso,
foi ele escrito, e em peido sublimado.


Nhandeara, 6 de março de 2015
Marcos Satoru Kawanami





"O sabugo tem três qualidades: limpa, coça, e penteia."
(O Analista de Bagé)

"Pacu, baiacu, curimbatá, tucunaré, pirarucu; ô gente pra gostar de peixe!"
(Matheus Ceará)

UEFA COROTE LEAGUE - fábula do futebol

Um dos comentários: "Durante o período em que Júlio Cocielo & Amigos estiveram em quadra, Osasco teve redução de 100% nas taxas de criminalidade e nunca esteve tão segura pra se andar pelas ruas.".


FÁBULA DO FUTEBOL

A bola vai rolar em campo aberto
sem linhas demarcando esta partida
de futebol sem árbitro e torcida,
mas eu, só de bobeira, estou por perto.

E vejo que rolou a bola, certo
da alegre apoteose sem medida
que o gol ensejará em minha vida,
mantendo a vista atenta, fico esperto.

Jogadas de espetáculo circense
empolgam-me no início, estou contente,
com ânimo de time que só vence.

Depois, eu torço feito um penitente,
mas que jogada heroica há que compense
um campo de traçado e gols ausentes?



Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 5 de março de 2015

Irmã Dulce - soneto: caravana



CARAVANA

Eu sei que não saber não dá ciência,
a mim, do que não sei, sabendo ou não,
de tudo que, com lógica e razão,
conheço e sei que sei, por evidência.

Conduz-me tosca mão, rapaz prudência,
contudo, se é o saber a devoção
à qual, estulto, entrego o coração
no torpe turbilhão das aparências...

Pondero que não há que mais saber,
nem houve nunca, desde aquele pomo,
que vem se deglutindo sem querer.

A bem desses milênios, quê hoje somos
além de caravana a percorrer
o espaço numa busca do que fomos?



Marcos Satoru Kawanami

domingo, 1 de março de 2015

a lenda do peru - o peru da festa: Costinha


A LENDA DO PERU
ao Milton Coelho da Graça, que me enviou a lenda em prosa por e-mail há alguns anos

Contemplativo acerca da beleza
que lhe era própria, um dia, o Pavão
pensou: “Por que não alço os pés do chão,
e conquisto a cerúlea realeza?”.

Por ser ele incapaz de tal proeza,
lastimou do Destino a ingratidão
que ao Urubu, mais feio que um Dragão,
permitia voar por natureza.

Eis que então, num lampejo inteligente,
propôs ao Urubu, que voava à toa,
unir em matrimônio conveniente

seus filhos. Foi assim que da Pavoa
veio ao mundo o Peru, hibridamente;
que é feio pra dedéu… e ainda não voa!

Marcos Satoru Kawanami