quarta-feira, 26 de novembro de 2014

luzes da ribalta - poesia ultrarromântica - Charles Chaplin - Limelight

LUZES DA RIBALTA

O amor só pode ser se for oculto,
senão é ter, quem ama, aquele zelo
de o ente amado, após reconhecê-lo,
corresponder-lhe o culto com seu culto.

A carne poderá causar tumulto,
querendo ter razão e convencê-lo
do facto que a razão produz cabelo
no amor que, cabeludo, sobe em vulto.

Assim, o amor divino estranhamente
conduz-nos desde a pia batismal,
e, entanto, não parece estar presente.

Pois quer o amor divino um ideal,
sentir na intensidade equivalente
a mais completa peça teatral.



Nhandeara, 26 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

movimento fragmentado e universos paralelos


MOVIMENTO FRAGMENTADO E UNIVERSOS PARALELOS

O tempo, uma abstração, está na moda
ser tido como intrínseco à matéria,
e o ledo engano vira coisa séria
na tosca prática que o mundo roda.

O tempo não existe, o que se açoda
é massa contra massa na pilhéria
da massa estar mais chã ou mais etérea
na relatividade que as engoda.

Mas, bem dentro de um átomo qualquer,
espia tu que podes mais do que eu
que só faço espiar mesmo é mulher.

A coisa sempre assim se sucedeu,
em vibrações como um relógio quer,
havendo paralelos a esse teu.



Nhandeara, 19 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami




P.S.: Segundo o trabalho que fiz, intitulado "O movimento", que está neste blogue, o movimento de qualquer coisa não é fluido, mas dá-se como uma engrenagem de relógio, em intervalos mínimos de espaço e de tempo em que a matéria se transforma em energia pura até tornar a ser massa estática e transformar-se novamente em energia em movimento. Disso, pode ocorrer que, conforme a vibração dessa engrenagem na qual estejamos, habitamos um Universo, coabitado por universos paralelos em outras frequências. Ou seja, dois corpos podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.


quaresma


QUARESMA

Cortei os pulsos, não queria a morte,
queria só saber como é que era
a morte, sem morrer, numa atmosfera
à parte até cicatrizar-se o corte.

Assim aconteceu, pois tenho sorte;
caí de supetão numa cratera,
matei, por ser cristão, a Besta fera,
e, agora, só em Cristo tenho um norte.

Escrevi, não queria ser poeta,
queria só saber se dava certo,
já que Camões também fora um atleta.

Atleta eu era, amava o campo aberto,
e vocação não tinha para esteta,
mas flores plantou Cristo em meu deserto.



Nhandeara, 19 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami



Note Bem: Nunca cortei os pulsos. Quase tudo o que escrevo é ficção, mas na blogosfera cabe esse tipo de explicação, porque é um ambiente em que se costuma ser autobiográfico.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

o pica das galáxias - gíria de humor que merece registro - petrobras: operação lava jato da polícia federal

Frase do ator Milhem Cortaz no filme Tropa de Elite.

O PICA DAS GALÁXIAS - gíria de humor que merece registro

No plano de poder, traçam rosáceas
bandidos do PT, estranhamente
devotos de um ateu que, impunemente,
está se achando O Pica Das Galáxias!

O Lula, mais vermelho que uma hemácia,
rubor é que não tem, nem ama a gente
de quem se gaba ser proveniente,
mas álcool, gosta até do da farmácia...

Seu filho está mais rico que o califa
Maluf, seu companheiro proletário(?)
— na cara é que nos dão mais essa bifa!

E, enquanto o povo se faz sócio otário,
a Petrobrás é prenda numa rifa,
e o voto compra-se de modo vário.



Nhandeara, 14 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami



Pablo Picasso
O Pica Das Galáxias



“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
(Ruy Barbosa)


PORTANTO - para Ruy Barbosa

De tanto ver vencer a nulidade
sobre o real esforço e competência;
de tanto vicejar a pestilência
num estéril jardim de humanidade;

quando mais nada vale a probidade,
e a malícia suplanta a inocência;
de tanto padecer a dura ausência
da crença no poder da honestidade;

verificando, já sem esperança,
que a única certeza é a morte rude,
e que zombam da sua confiança;

de tanto ver a ignóbil atitude,
louvada, prosperar com abastança:
o homem vai se afastando da virtude.

Marcos Satoru Kawanami


Essa aí está se achando Pica das Galáxias.

PARA QUEM?

Se cresce a Economia, o vulgo pensa
que tem mais moradia e mais emprego,
que pode ter mais filhos com sossego,
tendo escola e saúde em recompensa.

Mas vive o povo sempre numa prensa,
e a cada geração parece cego,
barganha o voto em troca dum emprego
que gera mais emprego, voto e a crença

dum econômico crescer do bem,
na constante esperança dum porvir
com mais casa, saúde, escola..., amém.

Contudo, não se diz que é regredir
a Vida do planeta que se tem,
crescendo a Economia, e para quem?

Marcos Satoru Kawanami



Acha que é Pica das Galáxias...

PARAR A DESMONTAGEM

Um oco terapêutico é aberto
no glóbulo ocular pernicioso
em ver no mundo só o que é formoso
igual às tais miragens de deserto.

E, sob a nova óptica desperto,
perambula um sujeito desairoso
por ver o humano afã, que desastroso
milagre torto opera, achando certo.

Desmonta-se o planeta lindamente
criado tão perfeito que bastava
contemplá-lo ao usarmos nossa mente.

Se o oco nos seus olhos não cegava
aquele que assim viu mui cegamente,
um oco bem maior cá nos agrava.

Marcos Satoru Kawanami



"Mas eu é que sou a Pica das Galáxias!"

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

bolhas de sabão

Os astronautas do passado.

BOLHAS DE SABÃO

Muito legal tem sido a faina antiga
de fazer bolhas de sabão no Paço
Imperial com cetros que do espaço
extraterrestre trouxe a rapariga

lisboeta, escondidos na barriga(?),
quando a Escola de Sagres fez um traço
intergalático, e deu um abraço
no índio espacial que, gente amiga,

indicou o caminho do Brasil,
nação de onde eu escrevo agora, alheio
àquele peito ilustre e varonil

da rapariga lisboeta, esteio
do que de melhor o homem produziu:
as bolhas de sabão e seu recheio.




Nhandeara, 10 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami