quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O IDIOTA - filme feito a partir da novela de Fiódor Dostoiévski

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Soneto ao Idiota

Tudo de bom já foi escrito; e eu:
que poderei somar à arte escrita?,
pois, hoje em dia, quem escreve, imita
as ideias de alguém que já morreu.

Infeliz todo aquele que nasceu
na era Huxley, época maldita:
com pena não se escreve, se digita
o grito! que é da máquina, ou meu?

Não termino o soneto, e já se esgota
a lástima que eu tinha a esparramar,
e, quem lê, faz a vez de um idiota

que quer ver onde é que isto vai dar:
vai dar no céu, no mar, na flor que brota...
de todos os clichês da dor de amar.



Dumont, 1 de abril de 2005
Marcos Satoru Kawanami