quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CIDADE ALERTA 2: GAROTA VIOLADA EM PLENO PALCO



CIDADE ALERTA 2: GAROTA VIOLADA EM PLENO PALCO

        Agora, eu vou contar uma historinha para o telespectador. Mas antes, olha, meu povo, do jeito que a coisa está, está desse jeito. A mãe de família sai de casa para o mercado, e não sabe se vai voltar para fazer o almoço. O pai de família trabalha o ano inteirinho para o Governo roubá-lo de tudo quanto é jeito, e, naquele bendito dia que pega aquele bendito ônibus, acaba carbonizado por vândalos que fazem festa junina com ônibus. As crianças têm de ficar espertas com pedófilo que não acaba mais, quando não vem uma bala perdida, e aí é família no IML pra reconhecer um coitado que mal começou a viver.
        Mas prestem atenção nessa história. Era uma vez uma garota que amava os Beatles e os Rolling Stones, e essa garota juntou todo dinheirinho que tinha para ir a uma apresentação de rock, e olha ela aí. Põe na tela do Cidade:
        Vai vendo, vai vendo, dá trabalho pra fazer! Olha o show que beleza. A rapaziada lá tocando, e a galera cantando junto. Agora pára a imagem. Estão vendo esta figurinha aqui? Olha o que ela vai fazer. Solta a imagem! Vocês estão vendo, né? Ó, parece que está trepando num muro, subiu no palco, aí o cara vem e ó. Pára a imagem. Mas cês tão vendo a estampa da garota? Olha que cara medonha. Sem os dois dentes da frente, cabelo com tudo que é tinta, espinha na testa. Ô, meu povo, o guitarrista se assustou. Eu, se fosse ele, achava que era assombração, e dava com o violão na cabeça dela. E foi o que ele fez. Roda a imagem. Aqui, olha no canto da tela, ó, créu! A garota é violada em pleno palco! E não era qualquer violão, não. Devia de ser desses de marca. Olha que desperdício, acabou com o violão por conta de uma doida, e uma doida baranga, o que é pior. E só Percival sabe quanto tempo o moço vai puxar de cadeia. Não é, Percival? Fala, homem! Ô, múmia!
        Agora, vamos ver o caso do triplo homicídio seguido de morte.

Nhandeara, 4 de setembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami



CIDADE ALERTA

Meus amigos, essa onda de bandidagem já beira as raias da ignorância. Ninguém mais sabe nem onde nem quando vai ser arregaçado pelo avesso, queimado, e mal pago. Depois a bomba explode é no IML que tem de decifrar em código morse se aquilo ali é homem, mulher, ou ser humano. E eu digo em código morse por causa da máfia, do crime organizado mesmo, infiltrado em todas as esferas da máquina pública, inclusive, meu povo, no Necrotério, que é pra continuar roubando o cidadão contribuinte de bem até no Bairro do Pé Junto!
Agora, meu povo, vejam vocês, a gente não tem mais o direito nem de saber por que a rua em que o meliante resolveu nos subtrair um pertence qualquer tem o nome que tem: ninguém responde. É delegado, é sub-prefeito, é vereador, representante de moradores, em muitos casos, ninguém vai te responder, meu amigo telespectador. Eu vou te dar um exemplo: Lá no Rio de Janeiro, pouca gente sabe por que a Avenida Marechal Floriano tem esse nome, o que é um absurdo. A Avenida Rio Branco, uma das principais da capital fluminense, você pode perguntar pra neguinho que tá passando nela mesmo, não sabe quem foi o Barão do Rio Branco. Se uma vítima for jogada por uma das janelas do Edifício Avenida Central, olha, eu acho que é capaz da polícia demorar para achar o presunto, porque ninguém mais sabe que a Avenida Rio Branco era a antiga Avenida Central.
E aqui em Sampa? A Rua Hadock Lobo tem esse nome por quê? Rua Domingos de Morais por quê? Se eu for assaltado na Loef Green, por que essa rua tem um nome bisonho desses? E se aquela dentista que foi deixada pelo amante no motel em plena Marginal Tietê, e arrumou a desculpa de que o carro quebrou, tivesse com o carro quebrado na Rua Augusta? Ah, mas daí, meus senhores, nós só temos uma explicação: o consultório da dentista faliu.
      E essa agora, parece até que Salvador Dalí ressuscitou para escrever esta novela. Nunca antes na história deste país se importaram médicos, e estamos importando. Aí é que eu pergunto: Tem cupa eu? Tem cupa eu?! Claro que não! Não sou eu que ando por aí roubando o erário público, e fazendo essa cagada toda. Aliás, mamãe pregou um botão na minha bunda. Percival sabe bem do que eu estou falando, não é, Percival? Fala, Percival. Ô, múmia! Bom, quem cala consente.
Mas tudo bem, corta pra 18. Que foi? Não gostaram? Então, segue o programa. Põe na tela aí o furo de reportagem. Estão vendo o furo? Digam-me uma coisa: o projétil que furou este cidadão foi desferido por um artefato calibre 38, 45, ou esta coisa medonha é tiro de fuzil? Em alguns assuntos, é melhor manter a ignorância, não é?, meu amigo, minha amiga. Quer saber? Corta pra 18 mesmo.

Nhandeara, 28 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami