sábado, 16 de agosto de 2014

fado

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FADO

Se o meu amor me pedisse,
dava-lhe, “do pé à mão”,
tudo o que a vista não visse,
tudo o que está à visão.

Se o meu amor me pedisse
verdade, e não poesia,
calava aquilo que disse,
e minha mão lhe estendia.

Se o meu amor me pedisse
mesmo assim a poesia,
diria, ao frio que sentisse:
coração quente, mão fria.

Se o meu amor me pedisse
lírio de terra estrangeira;
para que nunca partisse,
dava a flor da laranjeira.

Mas temo que pressentisse
— no meu peito lacerado —
não haver o que pedisse,
nunca tendo eu sido amado.

E este poema expedisse
a fria mão estendida,
sem que meu amor pedisse,
sem nem saber que é querida.



Nhandeara, 16 de agosto de 2014
Marcos Satoru Kawanami

7 comentários :

Laura Santos disse...

Aaah que belo mote e que belo fado!...:-)
Muito bem desenvolvido, gostei, e essa oferta da flor de laranjeira quase sempre resulta, desde que se tenha antes oferecido "tudo o que a vista não visse".
Como diz o ditado ; "Mãos frias, coração quente , amor ardente", ou será "amor ausente", "amor dormente" ou "amor presente"?
Parece que o ditado pode surgir com qualquer um destes sentidos, ou outros, basta rimar.

João, César Monteiro era um louco muito inteligente!
xx

Fábio Murilo disse...

Belo esse poema canção.

Fabio Fernandes disse...

Olá, Marcos! "O amor me escolheu logo eu que de amor nada sei..." O amor sempre estará logo ali. Abraço! www.gravatacombatom.com.br

Meri Pellens disse...

Lindo poema de amor!!!
Se meu amor me pedisse,
Daria o céu, daria o mar.
Mas jamais poderia atender
Que lhe deixasse de amar!
Bjs... MP ;)

Sandro Panografia disse...

Magnífico.... simplesmente lindo !!!
Parabéns Marcos Satoru... arrasou !

Dentro da Bolha disse...

ôh meu amor! ôh! o amor é lindeza, é sabedoria, é ternura. Amor!

dentrodabolh.blogspot.com

André Foltran disse...

Ficou bonito, Marcos.