quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Belas Artes


BELAS ARTES

Sente a consistência do objeto,
sombras, luzes e volume.
Então, lapida a escultura.
O objeto é abstrato,
está em tua mente,
e a escultura é o poema.

Porém, faz ainda melhor:
inclui nele uma cadência
de redondilha maior,
e uma rima na sequência.

Poderás falar de tudo,
mas se o Lula não censura,
que hoje quem andar bocudo
cai no tacho da fritura.

Assunto mais elevado
tens nos costumes do povo,
que muito demasiado
faz do antigo assunto novo.

Podes cantar feito um Dante
a vaidade da Ciência,
mas, sem querer ser pedante,
há nisso pouca prudência.

Louva o Cristo em rima boa,
que assim fez Camões, o tal,
desde Goa até Lisboa
elevando Portugal.

Eu, que sou bocagiano,
sinto meu desbocamento,
mas não é pendor mundano,
é não me passar por bento.

Enfim, canta o teu amor,
assim cantei meu primeiro
verso, que faz-me propor
tom igual no derradeiro.




Nhandeara, 6 de agosto de 2014
Marcos Satoru Kawanami