quarta-feira, 23 de abril de 2014

locus amoenus


LOCUS AMOENUS

Esteve a tarde inteira ali sentada
a velha que nos olha, sendo cega;
um cão vadio passando agora rega
os pés da pobre velha sem ver nada.

A velha percebeu que foi mijada,
devido à experiência que carrega;
os velhos são bons nisso, não se nega,
e, cega, soube que não foi cagada.

Melhor assim, pensou, agora posso
ficar mais um pouquinho aqui na praça,
sem ver que o cão vadio fazia um troço.

Sentindo a iminência da desgraça,
corri com tanta gana, que alvoroço
causei ao derrapar por sobre a massa.




Nhandeara, 19 de abril de 2014
Marcos Satoru Kawanami