sábado, 1 de fevereiro de 2014

Amélia (2000) - Direção Ana Carolina

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/08/amelia-2000-direcao-ana-carolina.html
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     Comédia rasgada, com todas as nuances que o gênero pode oferecer, desde o circense até o irônico. A velha jogando esgrima com a francesa é o ó do borogodó! E a francesa recitando Y-Juca Pirama num teatro em Paris no final apoteótico é o cinismo em cena.

Sinopse: Amélia é um filme de ficção livremente inspirado na visita de Sarah Bernhardt ao Brasil em 1905. A divina Sarah, em crise pessoal e profissional, é influenciada por sua fiel camareira brasileira, Amélia, a apresentar Tosca no Rio de Janeiro. No dia do desembarque, Amélia morre de febre amarela. A lendária atriz passa a conviver com as "exóticas" irmãs de sua querida auxiliar. Sarah Bernhardt encontra-se só, em um "pays de sauvages!".



O POSTE

Pintado a fogo, outrora, lembra o Império
aquele poste preto de fundido
ferro; pela ferrugem corroído,
guarda, dos tempos, líricos mistérios...

Decrépito, vergado, deletérios
insultos de bandidos tem ouvido;
ânsias de amor jamais correspondido
moldaram-lhe este aspecto assim funéreo.

Vinhetas ornamentam sua base,
e, acima, sua luz, à noite, aventa
a memória que eu guardo e me atormenta:

Eu era adolescente, e um dia quase,
ao pé do poste, lívido a beijei,
amor sem nome, estado, crença e lei.




Marcos Satoru Kawanami

4 comentários :

manuela baptista disse...

o Marcos, é um poeta cinéfilo!

um abraço

Marcos Satoru Kawanami disse...

eu não entendo nada de cinema, tô só olhando.

Jacques disse...

Olá, Marcos.
Valeu pela dica de filme, atualmente tenho baixado as comédias do Woody Allen, que adora tirar sarro da condição humana.
Belo poema; pra mim que nunca consegui trilhar por este caminho, só me resta elogiar quem consegue fazer tal coisa.
A mitologia está muito atual por causa de séries como Harry Potter, Percy Jackson, Senhor dos Anéis e Nárnia; eu comecei a gostar dela por causa das hqs do Thor e da Mulher Maravilha que eu comecei a ler quando adolescente.
Abraço, Marcos

JAIRCLOPES disse...

Poste

Ereto, a beira da rua ou no morro
Mudo, ali parado desde tempo ido
Geralmente velho, de ferro fundido
Mijado fedendo a urina de cachorro.

Ainda que projetado de mau gosto
E maioria não o veja, não pergunte
Serve de referência ao transeunte
É naturalmente de bêbado encosto.

Nunca está sozinho, vive em hoste
E, umas vezes, ali bate uma cabeça
Seja querido ou ninguém dele goste.

De qualquer modo dele não esqueça
Nenhuma cidade vive sem um poste
E lamentará quando ele desapareça.