segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Um livro jamais escrito em toda a História Humana, e Desumana. Uma mente crítica, analítica, paleolítica. Um livro que você vai pagar para ler.


Ilustração da capa:
Artêmio Fonseca de Carvalho Filho

Link: Solilóquio

Há uma versão rudimentar do livro no Domínio Público, mas esta versão impressa é mais recente e completa.

Este livro agora impresso tem mais poemas, e tem crônicas estranhas.

Pelos mesmos produtores de Um gato comeu seu mouse em noite de lua cheia... Solilóquio - poemas.



BORDADO

O meu corpo é um novelo
do linho mais amarelo,
minha vida é desfazê-lo
nos versos do amor singelo.

Nas tantas noites que velo,
castigando o cotovelo,
as rimas às quais apelo
são a voz do mudo zelo.

Assim, eu deixo um bordado
neste planeta a quem tem
lido o que tenho deixado.

Se acaso você também
tem-me igualmente estimado,
borde-me aí do seu lado.


Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Febre do Rato - filme de Cláudio Assis - com Irandhyr Santos, Nanda Costa e Matheus Nachtergaele

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/08/febre-do-rato-2012-direcao-claudio-assis.html
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SONETO SOLILÓQUIO

Naturalmente em mim autista hermético,
o drama foi fazendo-me... dramático!,
extravasando até o esquema tático
em prol de um benefício mais estético.

Atleta mais melódico que atlético,
sou simbiose de um sopro pneumático
trompista, e artifício matemático;
e em síntese resumo do frenético.

Pois disse-me a parteira no meu parto
que eu fosse à merda!; eu ri, e teve início
a minha saga errante de Pinóquio.

E dentro do meu crânio existe um quarto
em cena teatral onde o bulício
da platéia é aplauso a um solilóquio...



Marcos Satoru Kawanami
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PS: O poeta diz a verdade mentindo, o político mente dizendo a verdade.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

fábula do futebol - Este texto é aberto a várias interpretações, só não estou falando de futebol.



FÁBULA DO FUTEBOL

A bola vai rolar em campo aberto
sem linhas demarcando esta partida
de futebol sem árbitro e torcida,
mas eu, só de bobeira, estou por perto.

E vejo que rolou a bola, certo
da alegre apoteose sem medida
que o gol ensejará em minha vida,
mantendo a vista atenta, fico esperto.

Jogadas de espetáculo circense
empolgam-me no início, estou contente,
com ânimo de time que só vence.

Depois, eu torço feito um penitente,
mas que jogada heróica há que compense
um campo de traçado e gols ausentes?



Nhandeara, 15 de fevereiro de 2014
Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Sorriso de Mona Lisa (2003) - Direção: Mike Newell - com Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles e Maggie Gyllenhaal

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/12/o-sorriso-de-mona-lisa-2003-direcao.html
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MONA LISA SMILE

O drama bom que a Bíblia nos revela
demonstra que pra tudo há solução,
até a morte tem ressurreição
se a gente se afeiçoa à Vida bela.

E a Vida a qual se deve pois dar trela
é simples, tendo em Cristo a devoção,
passando pelo mundo em comunhão,
sentindo o bem do olhar... e da remela.

O drama engrena o mundo, e dá cinética
à máquina da humana sociedade,
ainda que contrário a muita ética.

Talvez a dor pareça até maldade,
mas luz e sombra dão a forma estética
de tudo quanto ganha a Eternidade.



Marcos Satoru Kawanami

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Xingu (2012) - Direção: Cao Hamburger - com Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/11/xingu-2012-direcao-cao-hamburger.html
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FUNERAL DA FILOSOFIA (começo do livro)

  A Filosofia é pretensiosa e inútil.
 É pretensiosa porque tenta explicar o Universo do qual o filósofo é reles criatura; e mais: tem a intensão de aperfeiçoar o mesmo Universo, o que implica em um absurdo: a criatura aperfeiçoar o criador.
  Afirmo que a Filosofia é inútil: em que o ser humano hodierno é mais feliz que "Adão e Eva", alegoria da Humanidade pré-histórica? Vivíamos no Paraíso. Violou-se a "árvore da sabedoria", ou seja, passamos do raciocínio prático para a especulação científica. Vivemos a Civilização. E basta observar a troca de palavras para lamentarmos quão descomunal foi nosso prejuízo: antes Paraíso, agora Civilização. Antes tínhamos um Deus (ou divindades), agora queremos ser Deus e, sendo que nunca o seremos, perdemos o caminho e o guia.
  Paradoxalmente,  a  Filosofia  prova  sua  perversidade: deu-nos  a Civilização para depois apontar toda a miséria das relações civilizadas. Todo o conforto da Ciência não vale o Paraíso perdido. Tínhamos a suprema sabedoria de não pensar para além da nossa fome; hoje nossa estultícia criou uma fome insaciável: a vaidade da Transcendência.
  Ao mesmo tempo que a Transcendência parece libertadora ao rejeitar qualquer dogmatismo e ao considerar o ser humano como um "projeto infinito", este ideal de seguir sempre o "além-do-homem" não tem fundamento. Teria fundamento se o mundo fosse eterno, mas nem nosso planeta nem o Universo são eternos; a Ciência mesma o diz: por mais que a tecnologia consiga aproveitar a energia do Universo a favor da vida, esta energia se esgotará em um equilíbrio estagnado e estéril. De modo que considerar o raciocínio como instrumento de "perpetuação da espécie" não faz sentido, pois não há o que se perpetuar, não há eternidade para a matéria viva. O raciocínio só é proveitoso quando promove a felicidade, ou seja, quando é usado para resolver problemas imediatos ao bem-estar fisiológico e afetivo. Assim, a Filosofia poderia satisfatoriamente limitar-se a pregar: achemos o que comer, e brinquemos igual crianças. Pensar além disso é buscar complicações artificiais e construir torres de Babel a embargar o caminho singelo da alegria. O ser humano tem o dom da consciência que o permite saber se é feliz; contemplar a felicidade é o melhor uso da consciência. Mas o fato é que a Civilização aí está com a dinâmica social de produção. E produz o quê? Produz inúmeras coisas, mas jamais produziu felicidade natural. Com certeza produz o vazio existencial, cada pessoa sendo transformada em peça da máquina econômica. Restou à conciêcia corromper-se: deixou de contemplar a felicidade que a Natureza lhe dava de graça, para lamentar a angústia que a Civilização lhe vende cobrando caro.
  Contudo,  só  resta  remediar  o  mal  imperante;  tentar  reverter  o processo civilizatório seria utopia: quem, por exemplo, se dispusesse a viver numa comunidade indígena autêntica, estaria à mercê da civilização predatória. No mais, onde quer que ele vá, o civilizado já vai contaminado por sua cultura. Como disse, resta remediar o mal; escarnecedoramente, um remédio é a Filosofia: do veneno se faz o antídoto. O outro remédio, mais forte e eficaz, ainda que compatível apenas com os privilegiados da Fé, são as religiões.
  Mas, sem considerar o aspecto religioso, tenho fé na benfazeja indiferença à Civilização e seus problemas. Serei um pré-histórico. Convivendo com a Civilização por necessidade, usarei do raciocínio apenas para o gozo imediato da existência. Aqui eu preparo um funeral, e os pensamentos que seguem arquivados  neste livro  são  as  flores murchas  do  passado  que ofereço neste funeral: o Funeral da Filosofia.

Monções,6 de dezembro de 2001
Marcos Satoru Kawanami
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SÓ A RAZÃO NÃO É SUFICIENTE

        Só a Razão não é suficiente.
        Uma pessoa passa por vivências usando a Razão, e não crê em Cristo.
        A mesma pessoa passa por vivências diferentes usando a Razão, e crê em Cristo.
        Disso, percebe-se que a Razão é apenas uma ferramenta, a qual pode levar a conclusões diametralmente opostas, dependendo das experiências de vida de cada pessoa, dependendo do acaso.
        Com a Fé, a pessoa deixa de depender do acaso, pois as experiências de vida são apreciadas pela Razão sob uma perspectiva ampliada de discernimento.

Nhandeara, 4 de dezembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami



No princípio, era o Verbo...

         O ato é convencional, a vontade é absoluta. A mesma vontade pode se manifestar diferentemente em atos diversos. Pois todo ato depende da matéria, e resulta de uma vontade. E, se todo ato resulta de uma vontade, no encadeamento de atos e vontades fisiológicas cerebrais, a Origem é uma Vontade sem ato precedente (vontade alheia a qualquer convenção material), que desencadeou todos os atos e vontades fisiológicas cerebrais; portanto, essa Vontade não pode ter origem fisiológica cerebral: a alma do índio botocudo.
         Do contrário, o funcionamento cerebral seria algo sem começo, que sempre existiu materialmente? Mas a Matéria existe a partir de quê? Mesmo que a Matéria sempre tenha existido, os atos da Matéria, à semelhança da fisiologia cerebral, têm origem numa Vontade; senão o Universo seria um moto-perpétuo, que é um conceito do Mundo Ideal já exaustivamente descartado do Mundo Material.
         “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe.”, diz o capítulo 1 do evangelho de São João.


Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Blindness - Fernando Meirelles - Filme feito a partir do Ensaio Sobre A Cegueira, de José Saramago.

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/10/ensaio-sobre-cegueira-2008-direcao.html
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POESIA,
partícula expletiva

Mundos em sucessão
muitos, muitos...
cada um diverso do precedente
outros conceitos, nova concepção
todo instante uma verdade
em número imensurável
arranjos
simultaneamente
realidades
distintas semelhantes cambiantes particulares
por causa dos mundos
concupiscente
conjugação.
Assim o "lá me faz bem",
assim o "lá não suporto",
o "que felicidades!",
e aquela situação exasperante
todo instante
um parecer
mundos em sucessão
o que é vai já deixando de ser
umas pessoas tudo bem
outro arranjo também
o mesmo arranjo e cai mal
bom-ruim-tanto faz
e Poesia onde cai?
Poesia e seus versos
luta, pro-
cura por
cura
a propor
em luta:
pareceres? reflexões?
indiferença dos céticos
herméticos ven-
cidos porém!
Poesia de alguns
compunção, talvez
con-
solação
não
a troça de outrem
troça do próprio poeta
janela
e cai
Poesia em todo mundo em ausência
plurisciência
trivi-
al tanto faz
pois toda vida
janela
e cada janela um mundo
muitos, muitos...
e o Mundo tantos mundos
em conurbação de mentes
dementes
nos põe
em social conjugação
e eu e meu vizinho e eu
e nosso vizinho ele
de um mundo terceiro
de sua janela terceiro mun-
dista assim como eu assim como tu
desde manhã percorre mundos a fio
(pela vida que vê de dentro
pela vida que vive fora)
no gesto mais efêmero
aos furtivos olhares
nas palavras soltas
no discurso grave
em tagarelices
tristes felizes
a cada mais volátil instante
ante
da vida as implicativas
combinações
de vida de mundos-instantes
cambiantes
tudo sendo instantâneo
tudo particular
        Poesia, partícula expletiva.

Marcos Satoru Kawanami




CARNAVAL EM VENEZA

Mas acho que afinal não acho não,
porque o poema acaba, e continua
o poeta, o planeta, o sol e a lua,
contudo, céu e terra passarão.

Bobagem é você fazer questão,
pois tudo quanto é orbe lhe insinua:
o fim é recomeço, isto pontua
o dia, o ano, e até seu pé no chão.

Se, nascendo, morremos, vale o oposto:
depende do seu fim a ferramenta,
e somos nós forjados para o gosto

sentir do Criador, que Se apresenta
a cada criatura, em cada rosto
a fim de nos salvar de forma isenta.



Marcos Satoru Kawanami





SONETO PARALELO

Falar de Amor não vai te dar a prova
de que haja coisa sólida ou concreta
do tipo que a Ciência então não veta
a cerca de um amor que se renova.

Daí, dirá o Eu-lírico: — Uma ova! —,
pois, não se vendo o Amor, vê-se-lhe a seta
que fere o peito e a lira do poeta
em timbres que a audição assaz reprova.

Falar de Deus enseja igual polêmica,
pois, sendo uma abstração de ordem sêmica,
os olhos têm de vê-Lo por indício.

Ainda que O vejamos lá no início,
a tola confiança em nós nos trai,
querendo Deus no céu, e Deus Se vai!



Marcos Satoru Kawanami





SONETO ÉPICO

O que não é eterno não existe,
eu digo na eternal pacificência,
pra lá de além da ingênua inocência,
e enfim sou inocente e não mais triste...

A vida me foi dada a dedo em riste,
e a dedo em riste outorgo — com anuência
do mundo já pedindo por clemência —
a Lei Geral total que tudo assiste.

O cego vê a voz clarividente;
quem não podia andar, conduz o atleta
saltando, a cada passo, um continente!

O mudo brada altivo, não se aquieta
diante da alegria onipresente
prevista em versos toscos de poeta...



Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Camille Claudel (1988) - Direção: Bruno Nuytten

ESCULTURA CONTEMPORÂNEA

Um código de barras coronário
é lido, e transferido para a tela
na qual a silhueta se revela
da fêmea mais audaz no porte vário.

E, em meio a tecnológico cenário,
imprime-se em 3D, inculta e bela,
a Vênus do ideal, agora, aquela
mulher, nascida adulta e sem berçário.

Contudo é gesso... Amigo, é apenas gesso
nas mãos de um escultor contemporâneo;
por isso, eu prego-lhe o martelo, e esqueço!

Disseram “parla!”, e o não foi instantâneo
por muito mais que aqui eu nem mereço,
mas ela pinta e borda no meu crânio...



Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Estorvo - romance de Chico Buarque e filme de Ruy Guerra

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/08/estorvo-2000-direcao-ruy-guerra.html
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MUNDO DAS IDÉIAS

No mundo das idéias só, vivia
eu só, que de ideais fugir tentava;
atado por Platão, eu me arrastava
à banda de Aristóteles da via.

Da via em que seguia noite e dia,
poeta que, no mundo, calculava
o que era coisiforme e destoava
da esfera onde o ideal lhes bem servia.

Baixava-me Aristóteles ao caos
a ser esquadrinhado a lápis, ou
elevado à potência do ideal.

Mas, quando toda a frota soçobrou,
eu vi que tudo é bom; e, afinal,
no mundo das idéias sempre estou.


Marcos Satoru Kawanami



sábado, 1 de fevereiro de 2014

Amélia (2000) - Direção Ana Carolina

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/08/amelia-2000-direcao-ana-carolina.html
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     Comédia rasgada, com todas as nuances que o gênero pode oferecer, desde o circense até o irônico. A velha jogando esgrima com a francesa é o ó do borogodó! E a francesa recitando Y-Juca Pirama num teatro em Paris no final apoteótico é o cinismo em cena.

Sinopse: Amélia é um filme de ficção livremente inspirado na visita de Sarah Bernhardt ao Brasil em 1905. A divina Sarah, em crise pessoal e profissional, é influenciada por sua fiel camareira brasileira, Amélia, a apresentar Tosca no Rio de Janeiro. No dia do desembarque, Amélia morre de febre amarela. A lendária atriz passa a conviver com as "exóticas" irmãs de sua querida auxiliar. Sarah Bernhardt encontra-se só, em um "pays de sauvages!".



O POSTE

Pintado a fogo, outrora, lembra o Império
aquele poste preto de fundido
ferro; pela ferrugem corroído,
guarda, dos tempos, líricos mistérios...

Decrépito, vergado, deletérios
insultos de bandidos tem ouvido;
ânsias de amor jamais correspondido
moldaram-lhe este aspecto assim funéreo.

Vinhetas ornamentam sua base,
e, acima, sua luz, à noite, aventa
a memória que eu guardo e me atormenta:

Eu era adolescente, e um dia quase,
ao pé do poste, lívido a beijei,
amor sem nome, estado, crença e lei.




Marcos Satoru Kawanami

Sonho de Valsa (filme 1987) - Direção: Ana Carolina - com Stela Freitas, Daniel Dantas e Arduíno Colassanti

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     Comédia surrealista com uma óptica feminina radical profundamente humana. Após um começo simples, entra na pathos total, um raciocínio forte e fecundo de ideias e ideais. Um filme fundamental.




MÁQUINA DO TEMPO

A memória que guardamos na mente,
Do tempo a passagem nos faz conscientes.

Mas o passado que a gente sente
É a memória que o traz ao presente.

E esta intuição contraditória
É a máquina do tempo da memória.



Marcos Satoru Kawanami