domingo, 26 de janeiro de 2014

Meteorango Kid, o héroi intergalático (1969) - Direção: André Luiz Oliveira

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/11/meteorango-kid-heroi-intergalatico-1969.html
Link
Um filme jovial, que só assisti agora, 45 anos depois de seu lançamento, e pareceu-me algo novo, empolgante, já nasceu um clássico este filme maluco e divertido.



SONETO MARGINAL

Silvam velozes ventos; reverberam
luzentes melodias de engrenagens;
os carros saem todos das garagens;
quatrilhões de neurônios deliberam...

Gigantes colossais gusa encarceram,
e vertem a matéria das ferragens;
nas árvores germinam as serragens,
enquanto todos sonham que prosperam...

Avante!, urbe, metrópole paulista:
“non ducor, duco”, diz teu bravo lema;
teu lema insubmisso, idealista!

Enquanto, fora, voga tal esquema
de progresso, barganhas e conquista:
eu, marginal, cinzelo este poema.


Marcos Satoru Kawanami



PARA QUEM?

Se cresce a Economia, o vulgo pensa
que tem mais moradia e mais emprego,
que pode ter mais filhos com sossego,
tendo escola e saúde em recompensa.

Mas vive o povo sempre numa prensa,
e a cada geração parece cego,
barganha o voto em troca dum emprego
que gera mais emprego, voto e a crença

dum econômico crescer do bem,
na constante esperança dum porvir
com mais casa, saúde, escola..., amém.

Contudo, não se diz que é regredir
a Vida do planeta que se tem,
crescendo a Economia, e para quem?


Marcos Satoru Kawanami
  



SONETO DO UMBIGO

É a vaidade, Fábio, mais-valia,
rezava a velha letra da gazeta
no dia em que Gregório da caneta
serviu-se em prol de nova ideologia:

Não deve o Capital fazer orgia,
cagando na cabeça do perneta
assíduo proletário da muleta,
enquanto vai Raquel, ficando Lia!

Que baita sacanagem! Vou propor,
vós ides concordar aqui comigo:
mudemos o Sistema Produtor.

Porém, a ideologia, meu amigo,
também era vaidade, e de doutor;
valia mais o bom vai dá de umbigo!


Marcos Satoru Kawanami




SONETO SHOELESS

No afã de superar minhas manias
de símio faniquítico cristão,
adotei como pai o velho Adão,
e fui circuncidar tudo o que eu via.

Eu quis Raquel, porém casei com Lia,
e ainda de pastor servi Labão;
topei com boi chifrudo em contra-mão,
lançando as bases da Cornogonia…

Corinthiano sou, e não santista,
porque não vi jogar o rei Pelé
que teria me feito um vitorista!

Eu gosto de louvar mesmo é o Mané,
o sumo do resumo idealista,
eu gosto é de mulher que tem chulé!


Marcos Satoru Kawanami