domingo, 12 de janeiro de 2014

carta à norma


Carta à Norma

Sentada na calçada com as pernas
abertas, uma inquieta rapariga
segura o celular sorrindo, e liga,
desliga, liga, o faz igual lanterna.

Na bermuda o aparelho, enfim, interna
estufando o tecido que o abriga
na frente, e não no bolso, já a barriga
transpira em pêlo, o umbigo: uma cisterna.

Reclina-se depois, e agarra o chão;
que passa na cabeça da figura?,
talvez também pergunte em contra-mão?

O sol é delirante nesta altura,
e o fim da sesta na repartição
é redigir à Norma, casta e pura.



Marcos Satoru Kawanami