segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Suprema Felicidade (2010) - Direção: Arnaldo Jabor

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/06/a-suprema-felicidade-2010-direcao.html
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     Neste filme, Marco Nanini toca trombone, meu primeiro instrumento na banda do maestro Djalma Araújo de Oliveira, o que me fez sentir saudade do Rio de Janeiro, pois entrar para a banda foi a atitude mais feliz da minha adolescência. Todos que passam por aquela banda têm recordação semelhante. A cena do Zé Bonitinho (padre) fazendo o sermão do "vício solitário" e a molecada tocando punheta é impagável! Este soneto é recitado pelo Marco Nanini no final do filme:


OUVIR ESTRELAS

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Olavo Bilac



SONHAR É PRECISO

Se aos teus sonhos outros sonhos tu somares
Sob a espera da presença do irreal,
É porque estás além dos patamares
Dos arautos da frieza universal

Continua o teu sonho e não te ponhas
Na linhagem dos pétreos, sem sorriso,
Pois os Anjos te assistem enquanto sonhas
E na terra te preparam um Paraíso...

Benditos sejam os sempre sonhadores,
Fiéis aos passes de mágicos atores,
Que transformam o devaneio em realidade

Quem não sonha do seu chão não tem ciúmes,
É incapaz de lutar contra os costumes
Que corrompem os ideais de Liberdade...


Olavo Drummond



SONETO FEROZ

Eu não quero o lirismo comedido,
conforme disse o velho e bom Bandeira;
eu não quero a bandeira brasileira
entre tantas de um mundo dividido.

Eu quero o amor geral, o Amor perdido,
difuso, tão confuso, assim sem eira
nem beira, só a vontade prazenteira
de viver sem jamais ser iludido.

Eu não quero este mundo decadente
que se ufana a dizer ser progressista
num suicídio lento, enquanto mente.

Eu quero é o ideal surrealista,
a doida sanidade do demente,
a lúcida loucura do autista!


Marcos Satoru Kawanami



A SUPREMA FELICIDADE

Forjado a ferro e fogo é o mundo feio,
risonho mas cruel, civilizado(?),
alheio mesmo à unção do batizado
negado ou esquecido em tanto enleio;

cismando quanto a isso, assim eu creio,
indago por que sou aventurado,
senão em tudo, em tudo contentado,
cuidando ver o bem no mal alheio,

alheio do meu mal no alheio alheio.
Muitíssimo feliz, um totalmente
aqui se encaixa na definição;

total só pode ser, é pra que veio,
o lapidar feliz de tão contente
sem ismos otimismo, a Redenção...


Marcos Satoru Kawanami

2 comentários :

manuela baptista disse...

Marcos,

que bonito tocar trombone!

e os seus poemas, tantos, bons de ler

um abraço

Marcos Satoru Kawanami disse...

Manuela,

Foi uma das minhas supremas felicidades tocar trombone na banda do Djalma, um legado para o resto de minha vida, a convivência com aquele grupo legal.