segunda-feira, 25 de novembro de 2013

sem um puto no bolso


SEM UM PUTO NO BOLSO

Não vejo, nestes dias sem paisagem,
propícia ocasião de honrar lavor
em vista a ter futuro promissor,
poupando o da velhice na bagagem.

Contudo, trabalhar não é bobagem,
se o método empregado houver favor,
e a prática do olhar me faz supor
que método certeiro é a vadiagem.

Pois sempre a vadiagem riu à toa:
“comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro”,
e sai na foto bem — é gente boa!

Já quem trabalha chora o ano inteiro
na fila do humilhante, sem um puto
no bolso, furado em sinal de luto.



Marcos Satoru Kawanami

3 comentários :

Ana Cecilia Romeu disse...

Marquitos,
é a tal da impunidade..., melhor que inspire apenas poema, já que expira nossa paciência e senso de justiça.

Beijos!

Rafaela G. Figueiredo disse...

isso, diriam, é o Brasil!
mas sabemos q tal situação vai mto além daqui...

um bjo

JAIRCLOPES disse...

Labuta

Não enxergo nestes dias sem futuro,
Propícia ocasião de honrar trabalho
Algo que valha a pena tacar o malho
Saindo para sempre de trás do muro.

Contudo, trabalhar as vezes procuro,
Se disse outra coisa foi um ato falho
Porquanto labutar é bom prá caralho
Trabalho é como lanterna no escuro.

E ainda existe mais alguma vantagem
Trabalhar e dar duro para ter dinheiro
É tudo de bom, contrário à vadiagem.

Mas aqueles vagabundos o ano inteiro
Em nome do pernicioso ócio eles agem
E ainda gastam tudo que têm no puteiro.