quinta-feira, 12 de setembro de 2013

carnaval em veneza


CARNAVAL EM VENEZA

Mas acho que, afinal, sim, acho não,
porque o poema acaba, e continua
o poeta, o planeta, o sol e a lua;
contudo, céu e terra passarão.

Bobagem é você fazer questão,
pois tudo quanto é orbe lhe insinua:
o fim é recomeço, isto pontua
o dia, o ano, e até seu pé no chão.

Se, nascendo, morremos, vale o oposto:
depende do seu fim a ferramenta,
e somos nós forjados para o gosto

sentir do Criador, que Se apresenta
a cada criatura, em cada rosto
a fim de nos salvar de forma isenta.

Nhandeara, 12 de setembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

3 comentários :

Marcos Satoru Kawanami disse...

LISTERINE

O bafo de gambá da minha amada
combina com meu bafo de cambá;
talvez por ela ser tupinambá,
ou por nós sermos dois da pá virada.

Por nós, e não pornôs, que a rima amada
gargalha e ri mamada, e diz “vem cá,
não vou ser só mamada, eu quero é dá!”
— e some-se ao gambá o desbocada.

Fulana um tanto escrota é minha amada,
mas de uma escrotidão assaz tesuda,
um tipo de mulher inconformada.

E, se ela esbravejando assim bocuda,
parece uma silvícola indomada,
mais gostoso é dobrar a topetuda.

Nhandeara, 18 de outubro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

Marcos Satoru Kawanami disse...

LA FURIA

Eu amo. É a única certeza minha.
Parece incongruente, à frase falta
objeto, e esvaziou-se na noite alta
do mundo, que a Plutão aqui se alinha.

Mas, desde muito infante, em mim, eu tinha
a fúria flamejante, a voz que exalta,
em tudo que se passa, a pura malta
da fé e da beleza, tão vizinhas...

O amor jamais acaba, há sempre um algo
além a renovar incrementando
o rumo de um Quixote, o bom fidalgo...

E, assim, vou, pela Mancha, cavalgando
com a sagaz potranca que cavalgo,
por quem o amor tão sempre eu sigo amando.

Nhandeara, 23 de outubro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

Marcos Satoru Kawanami disse...

LA FURIA

Eu amo. É a única certeza minha.
Parece incongruente, à frase falta
objeto, e esvaziou-se na noite alta
do mundo, que a Plutão aqui se alinha.

Mas, desde muito infante, em mim, eu tinha
a fúria flamejante, a voz que exalta,
em tudo que se passa, a virgo arauta
da fé e da beleza, tão vizinhas...

O amor jamais acaba, há sempre um algo
além a renová-lo, incrementando
o rumo de um Quixote, o bom fidalgo...

E, assim, vou, pela Mancha, cavalgando
com a sagaz potranca que cavalgo,
por quem o amor tão sempre eu sigo amando.

Nhandeara, 23 de outubro de 2013
Marcos Satoru Kawanami