sábado, 10 de agosto de 2013

o carteiro e o cachorro


O CARTEIRO E O CACHORRO

O bafo do cachorro que latiu
provou que ele não tinha brincadeira
no olhar que atravessou minha caveira,
e mais o meu franzido se franziu.

Cachorro mais à toa não se viu
na roça ou na cidade, onde se queira:
passei de manhãzinha, fez carreira;
de noite, foi manchete no canil.

Carteiro prevenido usa coturno
se acaso já conhece o tal fulano,
que, cínico, cochila em tom soturno.

O bafo foi pra não deixar engano,
o bicho é mau, o bicho aguarda o turno
no qual há de morder-me, o ser humano.

Nhandeara, 9 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami