sábado, 10 de agosto de 2013

o carteiro e o cachorro


O CARTEIRO E O CACHORRO

O bafo do cachorro que latiu
provou que ele não tinha brincadeira
no olhar que atravessou minha caveira,
e mais o meu franzido se franziu.

Cachorro mais à toa não se viu
na roça ou na cidade, onde se queira:
passei de manhãzinha, fez carreira;
de noite, foi manchete no canil.

Carteiro prevenido usa coturno
se acaso já conhece o tal fulano,
que, cínico, cochila em tom soturno.

O bafo foi pra não deixar engano,
o bicho é mau, o bicho aguarda o turno
no qual há de morder-me, o ser humano.

Nhandeara, 9 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami

2 comentários :

Paulus Vitórius disse...

minha infância foi boa... mas n só foi boa, foi ótima. e mto por culpa do bafo... rá!

Marcos Satoru Kawanami disse...

CARNAVAL EM VENEZA

Mas acho que, enfim, não acho não,
porque o poema acaba, e continua
o poeta, o planeta, o sol e a lua,
contudo, céu e terra passarão.

Bobagem é você fazer questão,
pois tudo quanto é orbe lhe insinua:
o fim é recomeço, isto pontua
o dia, o ano, e até seu pé no chão.

Se, nascendo, morremos, vale o oposto:
depende do seu fim a ferramenta,
e somos nós forjados para o gosto

sentir do Criador, que Se apresenta
a cada criatura, em cada rosto
a fim de nos salvar de forma isenta.

Nhandeara, 12 de setembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami