quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Marcelo Rezende - cidade alerta


CIDADE ALERTA

Meus amigos, essa onda de bandidagem já beira as raias da ignorância. Ninguém mais sabe nem onde nem quando vai ser arregaçado pelo avesso, queimado, e mal pago. Depois a bomba explode é no IML que tem de decifrar em código morse se aquilo ali é homem, mulher, ou ser humano. E eu digo em código morse por causa da máfia, do crime organizado mesmo, infiltrado em todas as esferas da máquina pública, inclusive, meu povo, no Necrotério, que é pra continuar roubando o cidadão contribuinte de bem até no Bairro do Pé Junto!

Agora, meu povo, vejam vocês, a gente não tem mais o direito nem de saber por que a rua em que o meliante resolveu nos subtrair um pertence qualquer tem o nome que tem: ninguém responde. É delegado, é sub-prefeito, é vereador, representante de moradores, em muitos casos, ninguém vai te responder, meu amigo telespectador. Eu vou te dar um exemplo: Lá no Rio de Janeiro, pouca gente sabe por que a Avenida Marechal Floriano tem esse nome, o que é um absurdo. A Avenida Rio Branco, uma das principais da capital fluminense, você pode perguntar pra neguinho que tá passando nela mesmo, não sabe quem foi o Barão do Rio Branco. Se uma vítima for jogada por uma das janelas do Edifício Avenida Central, olha, eu acho que é capaz da polícia demorar para achar o presunto, porque ninguém mais sabe que a Avenida Rio Branco era a antiga Avenida Central.

E aqui em Sampa? A Rua Hadock Lobo tem esse nome por quê? Rua Domingos de Morais por quê? Se eu for assaltado na Loef Green, por que essa rua tem um nome bisonho desses? E se aquela dentista que foi deixada pelo amante no motel em plena Marginal Tietê, e arrumou a desculpa de que o carro quebrou, tivesse com o carro quebrado na Rua Augusta? Ah, mas daí, meus senhores, nós só temos uma explicação: o consultório da dentista faliu.

E essa agora, parece até que Salvador Dalí ressuscitou para escrever esta novela. Nunca antes na história deste país se importaram médicos, e estamos importando. Aí é que eu pergunto: Tem cupa eu? Tem cupa eu?! Claro que não! Não sou eu que ando por aí roubando o erário público, e fazendo essa cagada toda. Aliás, mamãe pregou um botão na minha bunda. Percival sabe bem do que eu estou falando, não é, Percival? Fala, Percival. Ô, múmia! Bom, quem cala consente.

Mas tudo bem, corta pra 18. Que foi? Não gostaram? Então, segue o programa. Põe na tela aí o furo de reportagem. Estão vendo o furo? Digam-me uma coisa: o projétil que furou este cidadão foi desferido por um artefato calibre 38, 45, ou esta coisa medonha é tiro de fuzil? Em alguns assuntos, é melhor manter a ignorância, não é?, meu amigo, minha amiga. Quer saber? Corta pra 18 mesmo.

Nhandeara, 28 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami