quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Joana D'Arc


JOANA D’ARC

Afia numa pedra o canivete,
e enfia-o no bolso, convincente,
na cisma de querer ser indecente
a única menina entre os pivetes...

Roubou a liberdade que compete
ao seu padrão de jogo para frente,
ousou não se render ao aparente,
e, entanto, é mais mulher, sem ser coquete.

A escola ensina muita pilantragem;
nas aulas, ela emenda a professora;
por isso, tão bem vê a vadiagem...

Se acaso a transgressão é sedutora,
sofreu esta menina defasagem
moral, pois da Moral é defensora.


Marcos Satoru Kawanami

5 comentários :

Fred Caju disse...

Muito bom. E confesso se ao invés de lendo estivesse ouvindo, imaginaria outro desfecho em "Afia numa pedra o canivete,/ e enfia-o no...". Eu sei, preciso maneirar.

Paulus Vitórius disse...

Marcos, vc namoraria joana d'arc?

Marcos Satoru Kawanami disse...

Paulo,

Sim, eu namoraria Joana D'Arc.

=D
Marcos

Marcos Satoru Kawanami disse...

CICLO DE INDÍCIO

De dia, ensina o Sol que há muita vida,
e a luz que vem do céu é sua fonte,
desde a hora em que nasce no horizonte,
sangüíneo, até a pálida partida...

De noite, a treva morte é preludida:
ausência, um vento frio de trás do monte,
uivando, cessa no oco sob a ponte,
e a Lua-Nova é lua suicida.

Mas nasce o Sol de novo, numa boa,
e assim faz todo dia há um tempão,
de modo que, de noite, o dia ecoa!

Conforme a luz sucede a escuridão,
em um ciclo de indício não à toa,
é natural haver ressurreição.

Nhandeara, 15 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami

Marcos Satoru Kawanami disse...

POETA MALDITO

O velho medo do desconhecido,
às vezes, move a boca do maldar
se o olho da prudência não focar
devidamente o fato; e assim tem sido.

Por tantas vezes eu ter socorrido
os outros com vontade de ajudar
sem nunca alguma paga eu esperar,
maldito ser meu nome tenho ouvido.

Querendo conhecer-me, estou aqui:
é só chegar à porta e me chamar,
respondo tudo simples, mando entrar.

Acabe de Goiás todo o piqui;
se o que escrevo também não faz sentido,
publicarei poema traduzido.

Nhandeara, 25 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami