quinta-feira, 11 de julho de 2013

soneto da cagüeta

Bocage e as Ninfas - óleo de Fernando Santos, 1929

SONETO DA CAGÜETA

Idéia fixa não tem solução,
não tem nem mais aquele nosso acento...
— aqui, aproveitando, eu apresento
legítima e brazuca insubmissão! —

Fazer o quê? Quem manda na nação
tirou da minha ideia o incremento,
e, agora, eu pronuncio contra o vento
conforme fez Bocage em seu calão.

Fixei em minha idéia ideia escrota
de ver o Manuel na hora H
colhido a fornicar com a Mulata.

Ainda era eu garoto, e uma garota
no igual costume escroto de espiá
cagüetou minha idéia — aquela chata...

Marcos Satoru Kawanami



AUTO-RETRATO

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno.

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
Inimigo de hipócritas, e frades.

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia, em que se achou cagando ao vento.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

5 comentários :

Fred Caju disse...

Bola-cheia e em gol!

Jacques disse...

Olá, Marcos.
Bela criação; creio que não importe o quanto estejamos de mau humor ou de mal com a vida, sempre daremos um jeito de praguejar contra o que somos contra.
Abraço.

Marcos Satoru Kawanami disse...

COMO TROLLAR SEU IRMÃO

Nestas casas populares,
vive o povo ensimesmado
no aconchego dos seus lares,
pelo Estado encaixotado.

Sei que, mesmo a manejares
um computador ligado,
ou, de há muito, lá nos bares,
tens a Imprensa rechaçado.

Sei que, se não acatares
todo farnel encilhado,
sentirás os calcanhares
do capataz ao seu lado.

Sorte desfaz-se em azares
no voto, ao que é computado,
e vai-se assim pelos ares
o circo que é sempre armado.

Nestas casas populares,
residem feito guardados
muitos pares de oculares,
são o mundo ensimesmado.

Mas o meu par de oculares
viu a Imprensa e viu o Estado
fazer festas populares
em que o povo é que é trollado...

Até mesmo os militares
pelos maus são difamados,
pois em casas populares
vivem também os soldados.

Gratuitos, sim, aos milhares,
de óbitos atestados
ajudam familiares
pros caixões serem quitados.

As famílias, nos seus lares,
num viver displanejado,
também criam aos milhares
descendência, feito gado.

E, apesar de seus pesares,
se são toda vez pilhados
por ladrões tão similares,
continuam bem guardados
no aconchego dos seus lares
estes cidadãos trollados
pela Imprensa e pelo Estado,
pela Máfia e Além-mares.

Nhandeara, 18 de julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami

Marcos Satoru Kawanami disse...

OS NORMAIS

Fode-se muito bem em Portugal,
dizia minha noiva na missiva
em réplica à mais pronta das esquivas,
quando eu firmei o pé em chão natal.

Queria minha noiva o conjugal
enlace consumar em carne viva
na aldeia de seus pais, a mais festiva
da terra que inventou o bacalhau.

Fode-se muito bem cá no Brasil,
não posso enviar-te por Sedex
o meu caralho: dura lex sed lex.

Outrossim, vai pra puta que pariu!
— respondi pondo fim ao meu noivado,
e, enquanto eu danço funk, ela ouve fado...

Nhandeara, 21 de julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami

Marcos Satoru Kawanami disse...

TEA FOR TWO

O coito tem início num abraço;
a moça, com a coxa, acorda a pica,
que ascende até o umbigo, e a moça indica
querer uma chupada no regaço...

Porém da greta escorre-lhe o melaço
ao ser abocanhada na mamica,
e, estremecendo, de joelhos fica,
num cio sadio, alheio ao embaraço.

A glande a penetrar-lhe é o gosto tátil
dos lábios e da boca vaginal
que endurece por dentro, estruturada.

E o ar que pesa úmido é volátil
se sôfrego é o enlace conjugal,
até que no regaço ela é chupada.

Nhandeara, 19 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami