quarta-feira, 31 de julho de 2013

agricultura orgânica


AGRICULTURA ORGÂNICA

Enquanto que em países como a Holanda
orgânica é lavoura que se preza,
Brasil, e até a Índia agora, reza
a química nociva sarabanda.

De cima, tosca é a ordem, mas comanda,
e adubam com minério e com proeza,
veneno é garantia de riqueza,
e a carne também entra na ciranda...

Quem come o lixo todo somos nós,
os povos que não têm patriotismo,
na guerra silenciosa das nações.

A guerra dos mercados, onde vós,
malandros que fazeis politiquismo,
otários sois nas próprias refeições...

Nhandeara, 31 de julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami
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P.S.: Ficam adubando com minério. Uma hora, onde vão buscar minério quando todas as minas se esgotarem? Vão detonar outros planetas? E veneno para pragas, a gente come veneno.

sábado, 27 de julho de 2013

Jornada Mundial da Juventude: não só de pão viverá


NÃO SÓ DE PÃO VIVERÁ

—Eu não sou mais criança pra morar
na zona deste baixo meretrício;
na minha escola, aprendem a ter vício
os toscos animais a se enjaular.—

A jovem começou a questionar
a escola igual quem pede um armistício;
criança não é mais, disso é indício
o nome que está dando ao próprio lar.

Percebe que difere da matéria
humana, ainda que bruta, mas humana
na bárbara postura da miséria.

Miséria não de pão, porém na gana
pra ter a vida envolta em vida séria,
sentindo Deus no além que dEle emana.

Nhandeara, 26 julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Copa do Mundo do Brasil 2014 - AGORA SOMOS UM SÓ: pra levar na bunda pelo mundo inteiro. - COMO TROLLAR SEU IRMÃO

Copa do Mundo do Brasil 2014

COMO TROLLAR SEU IRMÃO

Nestas casas populares,
vive o povo ensimesmado
no aconchego dos seus lares,
pelo Estado encaixotado.

Sei que, mesmo a manejares
um computador ligado,
ou, de há muito, lá nos bares,
tens a Imprensa rechaçado.

Sei que, se não acatares
todo farnel encilhado,
sentirás os calcanhares
do capataz ao seu lado.

Sorte desfaz-se em azares
no voto, ao que é computado,
e vai-se assim pelos ares
o circo que é sempre armado.

Nestas casas populares,
residem feito guardados
muitos pares de oculares,
são o mundo ensimesmado.

Mas o meu par de oculares
vê a Imprensa e vê o Estado
fazer festas populares
em que o povo é que é trollado...

Até mesmo os militares
pelos maus são difamados,
pois em casas populares
vivem também os soldados.

Gratuitos, sim, aos milhares,
de óbitos atestados
ajudam familiares
pros caixões serem quitados.

As famílias, nos seus lares,
num viver desplanejado,
também criam aos milhares
descendência, feito gado.

E, apesar de seus pesares,
se são toda vez pilhados
por ladrões tão similares,
continuam bem guardados
no aconchego dos seus lares
estes cidadãos trollados
pela Imprensa e pelo Estado,
pela Máfia e Além-mares.

Nhandeara, 18 de julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami

caravana - Fausto de Goeth, um conto popular alemão.


CARAVANA

Eu sei que não saber não dá ciência,
a mim, do que não sei, sabendo ou não,
de tudo que, com lógica e razão,
conheço e sei que sei, por evidência.

Conduz-me tosca mão, rapaz prudência,
contudo, se é o saber a devoção
à qual, estulto, entrego o coração
no torpe turbilhão das aparências...

Pondero que não há que mais saber,
nem houve nunca, desde aquele pomo,
que vem se deglutindo sem querer.

A bem desses milênios, quê hoje somos
além de caravana a percorrer
o espaço numa busca do que fomos?

Nhandeara, 17 de julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 17 de julho de 2013

mosaico

mosaico

MOSAICO

Vejamos se não é a nova aurora,
a aurora infinda, o dia tão bem quisto
que pano deu pra manga se haja visto
o Terço do Perpétuo, de hora em hora,

a leva de profetas que apavora
na Bíblia a esperar o Santo Cristo,
e a ânsia pró parúsia no previsto
raiar do dia eterno, que é o agora.

Adão pecou, não foi em vão, não foi,
porque, neste dramático cenário,
civilizou-se o mundo pelo mal

e pelo bem, estampa feita a dois,
a fim de, num mosaico itinerário,
sentirmos o valor do Bem final.

Nhandeara, 17 de julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 11 de julho de 2013

soneto da cagüeta

Bocage e as Ninfas - óleo de Fernando Santos, 1929

SONETO DA CAGÜETA

Idéia fixa não tem solução,
não tem nem mais aquele nosso acento...
— aqui, aproveitando, eu apresento
legítima e brazuca insubmissão! —

Fazer o quê? Quem manda na nação
tirou da minha ideia o incremento,
e, agora, eu pronuncio contra o vento
conforme fez Bocage em seu calão.

Fixei em minha idéia ideia escrota
de ver o Manuel na hora H
colhido a fornicar com a Mulata.

Ainda era eu garoto, e uma garota
no igual costume escroto de espiá
cagüetou minha idéia — aquela chata...

Marcos Satoru Kawanami



AUTO-RETRATO

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno.

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
Inimigo de hipócritas, e frades.

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia, em que se achou cagando ao vento.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

quarta-feira, 10 de julho de 2013

L'Atolerette - Tati quebra barraco e MC Bola de Fogo: Atoladinha - soneto do funk


SONETO DO FUNK

O funk é redondilha, tudo a ver
o coito com a coita medieva
daquele trovador que não se atreva a
ser este que no baile põe ferver!

“Que é isso novinha?” é furtar-se a ter
amarra, se a sincera lira eleva
ao peito a musa que tão bem nos ceva
o canto, no cantinho, a remexer...

Cesse tudo o que a musa antiga canta,
e vende 4 pra mim, 4 ingressos,
que eu entrei para o bonde dos confessos!

O funk tem soneto, a festa é tanta,
que Camões já comprou na minha mão
ingresso para o baile no Alemão...

Marcos Satoru Kawanami
...

arquivo novo: HIBISCUS ROSA-SINENSIS

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Soneto do Funk - Como Surgem os Funks? Capítulo 16 - Ixi Deu Merda


SONETO DO FUNK

O funk é redondilha, tudo a ver
o coito com a coita medieva
daquele trovador que não se atreva a
ser este que no baile põe ferver!

“Que é isso novinha?” é furtar-se a ter
amarra, se a sincera lira eleva
ao peito a musa que tão bem nos ceva
o canto, no cantinho, a remexer...

Cesse tudo o que a musa antiga canta,
e vende 4 pra mim, 4 ingressos,
que eu entrei para o bonde dos confessos!

O funk tem soneto, a festa é tanta,
que Camões já comprou na minha mão
ingresso para o baile no Alemão...

Nhandeara, 4 de julho de 2013
Marcos Satoru Kawanami
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arquivo novo: HIBISCUS ROSA-SINENSIS

Microscópio caseiro com laser (experiência de física e biologia) - dois palíndromos - link do livro HIBISCUS ROSA-SINENSIS


DOIS PALÍNDROMOS - ao TonhOliveira

Assovio flauta atual, foi vossa
derradeira menção de vosso ofício,
e eu fiz estes palíndromos por vício
às sobras, o don no dosar bossa...

Mas vide que o soneto, minha nossa!,
tem falha métrica, a bem do artifício,
na tal palindroforme estrofe, indício
que o Tonho em apuros põe-me à troça.

O ano mais feliz de minha vida
foi justo o ano de Tonho a proposta,
fazer de 88 ambivalente

tanto naquela estrofe referida
quanto em um seu desenho, que ele aposta
meu triodecênio forja eternamente. 

Marcos Satoru Kawanami

segunda-feira, 1 de julho de 2013

idéia de adão - putaria - diálogo a. b. surdo


IDÉIA DE ADÃO

Não é verdade que eu só diga não
a quem só queira ouvir meu doce sim;
sim, é verdade, sempre tem de mim
paciente ouvido a boca da razão.

Se almejo ir além da compreensão
a matutar até ficar carmim,
é bem capaz que eu fique mesmo assim
porque só tenho idéia de Adão...

Que foi este soneto até aqui
além da praxe da enrolação—
mais do que ir alternando im com ão?

Acabe de Goiás todo o piqui,
paciente ouvido à boca da razão,
humano é o nome da contradição.

Marcos Satoru Kawanami
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Diálogo A. B. Surdo

—Eu gosto de pão e sou hétero.
—Eu também gosto de pão, mas sou hétero ao contrário de ti.
—Que eu tenho xoxota, e gosto de caralho...
—Então, eu gosto de xoxota, e não gosto de caralho.
—Ah, eu quero caralho... Me dá o teu!
—Não. Do meu caralho, eu gosto.
—Então, enfia ele no cu, porra!
—Eu não gosto de cu.
—Dá o teu então.
—Mas do meu cu eu... gosto?

Marcos Satoru Kawanami