segunda-feira, 3 de junho de 2013

canal ixi deu merda: PERDEU - soneto marginal


SONETO MARGINAL

Silvam velozes ventos; reverberam
luzentes melodias de engrenagens;
os carros saem todos das garagens;
quatrilhões de neurônios deliberam...

Gigantes colossais gusa encarceram,
e vertem a matéria das ferragens;
nas árvores germinam as serragens,
enquanto todos sonham que prosperam...

Avante!, urbe, metrópole paulista:
“non ducor, duco”, diz teu bravo lema;
teu lema insubmisso, idealista!

Enquanto, fora, voga tal esquema
de progresso, barganhas e conquista:
eu, marginal, termino este poema.

Marcos Satoru Kawanami

Um comentário :

JAIRCLOPES disse...

Prá não dizer que não falei de Sampa

Metralhas de pinos soltam o berro
Luzes transidas e pejadas de calor
Lamurientos oceanos exalam odor
Unem-se sem pejo o fogo e o ferro.

De lixo e detritos o chão é coberto
E somem da vista as verdes matas
Porém o “progresso” assim as trata
Nada importa se errado ou se certo.

Avante!, metrópole impiedosa e vil
Que somente labuta tem como lema
Chamada locomotiva do trem Brasil.

Enquanto acabas com o ecossistema
E progride rapidamente a mais de mil
Caetano Veloso para ti faz um poema.