quarta-feira, 26 de junho de 2013

DEU A VIDA PARA SALVAR A BUNDA - Brasil Não É Só Bunda - "sábado" o filme - FILME COMPLETO - Direção: Ugo Giorgetti, com Otávio Augusto, Maria Padilha, Tom Zé, Giulia Gam, André Abujamra, Jô Soares. - Manchete do jornal e frase lapidar: "Deu a vida para salvar a bunda."

filme completo

Otávio Augusto mostrou exímia habilidade logo no início deste filme, tendo de interpretar um paulistano, e gago. E nos diálogos dele com o filho do Antônio Abujamra ambos exercitam a arte da caricatura, além dos apelidos e fraseado que encontramos em tipos cômicos da vida real.
A personagem de Giulia Gam diz, nesta cena,
que seu filho chamar-se-á Pandu, e explica:
"deus indiano da paz"... É cheio de treco
festivo dos anos 80.

O roteiro é muito bom, uma comédia diferente, com sutilezas simples e um ambiente alegre. Gostei do samba no terraço, e de ver Maria Padilha, a parturiente do riso, com aquele olhar sonso e às vezes até grave que faz rir como se não o quisesse.
Passou na TV Brasil, que deu esta sinopse da obra:


Na comédia Sábado, uma equipe de publicidade transforma o saguão do antigo Edifício das Américas, no centro da cidade de São Paulo, em um ambiente luxuoso para a gravação de um comercial.
Porém, a diretora artística do anúncio fica presa no elevador junto com o cadáver de um antigo morador do local e dois funcionários do Instituto Médico Legal que tinham ido buscar o corpo.
O incidente obriga equipe e moradores a dividirem o mesmo espaço, constrastando duas realidades distintas. Desse convívio forçado surgem pequenos fatos que tornam este sábado diferente de qualquer outro. Reprise. 85 min.
Ano: 1995. Gênero: comédia. Direção: Ugo Giorgetti, com Otávio Augusto, Maria Padilha, Tom Zé, Giulia Gam, André Abujamra, Jô Soares.

manchete do jornal e frase lapidar:
"Deu a vida pra salvar a bunda."
  
O canal TV Brasil tem sempre filmes que me agradam desde muitos anos atrás, e agora vem este Ciclos de Cinema em data e horário bons. O ciclo deste sábado foi Ciclos de Comédia, e o filme começou às 10 e 20 da noite: 22:20h.

curiosidades:

- Feito com um orçamento de US$500mil.

- O filme foi rodado no Pavilhão Vera Cruz, onde funcionava na década de 50 a companhia Cinematográfica Vera Cruz, pertencente à Prefeitura de São Bernardo.

- Como pagamento pela utilização dos estúdios, a equipe ministrou palestras e workshops para estudantes.

- O diretor optou por incluir no elenco atores não profissionais como o poeta Décio Pignatari, os músicos Wandi Doriatiotto, Tom Zé e André Abujanra, o cenógrafo Giane Ratto e os figurantes foram escolhidos entre os moradores de São Bernardo que iam assistir as filmagens.



DEU A VIDA PRA SALVAR A BUNDA - a partir do filme "Sábado"

Eu vi Tereza andando vacilante
acerca de umas juras sem amor
que Orestes insistia, e com pudor,
em lhe cantar em verso, feito um Dante.

Pensei e agi, falei no mesmo instante:
—Tereza, tem cuidado, por favor
de tua própria bunda a aguda dor,
pois ele é sodomita, não te espantes...

Estando precavida, foi Tereza
sem mais poder conter-se, tão jucunda
sentia sua estima à pica tesa.

Porém, na xota, foi-lhe assaz profunda
a foda, que a gazeta de hoje reza
que “deu a vida pra salvar a bunda”.

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Noel Poeta da Vila filme - direção: Ricardo van Steen - elenco: Rafael Raposo, Camila Pitanga, Paulo César Pereio, Roberta Rodrigues, Supla, Lidiane Borges, Fábio Lago, Flávio Bauraqui, Wilson das Neves, Jonathan Haagensen, Carol Bezerra, Mario Broder, Rui Resende, Laura Lustosa, Daniel de Castro, Alexandre da Costa - mamada (soneto)


MAMADA

Então..., batuque assim: cadência tipo
o nada se fez tudo em um segundo,
cadência que resume o caos do mundo
em mapa gatoforme ao que lhe ripo!

Um gato no telhado, e eu lhe engripo
o couro: tamborim de vagabundo;
maldade!, ô dó!, e quem diz é o Edmundo...,
rapaz, um animal!; oh, me constipo.

Porém já garanti a batucada,
e o gato, na verdade, é PVC:
Poli-Vinil-of-Cat, só fiz zoada.

Desfaço uma amizade, e não você,
piada por quem dou a rima amada,
você que lê mamada quando lê!

Marcos Satoru Kawanami

domingo, 9 de junho de 2013

Ave Maria: variações - de Gounod, Bach, Melich por Kimi Skota - de Schubert por Maria Callas - Ave Maria No Morro - Ave Maria pós-moderna (soneto)


Ave Maria (in latin)

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum
benedicta tu in mulieribus
et benedictus frutus ventris tuus, Iesus

Sancta Maria mater Dei
Ora pro nobis pecatoribus
nunc et in hora mortis nostrae.
Amem.



AVE MARIA (in deutsch)

Ave Maria! Jungfrau mild,
Erhöre einer Jungfrau Flehen,
Aus diesem Felsen starr und wild
Soll mein Gebet zu dir hinwehen.
Wir schlafen sicher bis zum Morgen,
Ob Menschen noch so grausam sind.
O Jungfrau, sieh der Jungfrau Sorgen,
O Mutter, hör ein bittend Kind!
Ave Maria!

Ave Maria! Unbefleckt!
Wenn wir auf diesen Fels hinsinken
Zum Schlaf, und uns dein Schutz bedeckt
Wird weich der harte Fels uns dünken.
Du lächelst, Rosendüfte wehen
In dieser dumpfen Felsenkluft,
O Mutter, höre Kindes Flehen,
O Jungfrau, eine Jungfrau ruft!
Ave Maria!

Ave Maria! Reine Magd!
Der Erde und der Luft Dämonen,
Von deines Auges Huld verjagt,
Sie können hier nicht bei uns wohnen,
Wir woll'n uns still dem Schicksal beugen,
Da uns dein heil'ger Trost anweht;
Der Jungfrau wolle hold dich neigen,
Dem Kind, das für den Vater fleht.
Ave Maria!





AVE MARIA NO MORRO (em português)

Barracão de zinco
Sem telhado, sem pintura
Lá no morro
Barracão é bangalô

Lá não existe
Felicidade de arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu

Tem alvorada, tem passarada
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer

E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria
E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria

Ave Maria
Ave
E quando o morro escurece
Elevo a Deus uma prece
Ave Maria
................................................


AVE MARIA PÓS-MODERNA

A luz que passa pelo cristalino
dos olhos chega ao fundo cerebral
recomposta em elétrico sinal
diverso do universo extra-tino.

A taça diz que “veritas in vino”,
em forma inversa, imagem espectral
vertendo na retina uma anormal
verdade aceita por qualquer menino...

Talvez o impulso elétrico reflita
externamente apenas algo novo
e tão antigo quanto a luz bendita

no céu de cada qual de cada povo
cujo drama tem sido a mãe aflita
dos elétrons por quem eu me comovo.

Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 6 de junho de 2013

As Cinco Pessoas que você encontra no Céu - filme dublado - arte metafísica (soneto)


ARTE METAFÍSICA

Estranha arte é esta de escrever...
Sem pincel, sem cinzel a obra cresce
e toma forma, e nem forma carece
para que a outrem venha a entreter!

Um papel sujo basta ao seu mister,
um papel que no lixo alguém esquece...
Na folha rota que o desdém merece,
é nela que o poema vai nascer.

Poesia, prima-irmã da Matemática
que no papel também faz teorema,
tem ela sempre musa mais simpática.

Seguem Música e Dança o mesmo esquema,
brotando da sublime e etérea prática
qual do nada também brota um poema. 

Marcos Satoru Kawanami (um cabra que veio do nada, e hoje também não tem porra nenhuma)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

canal parafernalha: seqüestro - a poesia, de Clarisse Barata Sanches - Góis, Portugal


A POESIA

Após disposto o mundo, o infinito,
Logo o Senhor pensou na Poesia;
E foi Ele o primeiro, em harmonia,
Que escreveu o poema mais bonito!

Pôs-lhe o nome de "Amor" —Amor bendito—
Fez-lhe um hino de encanto, a melodia
Que ainda canta hoje a cotovia…
E aos Anjos ensinou-lhes som e rito!

Houve festa no Céu, cânticos ternos!
Inspirados, suaves e fraternos
Na voz dos Anjos, santos e profetas!

E foi desde essa hora, sublimada,
Que Deus deixou a lira consagrada
No coração e alma dos Poetas!

Clarisse Barata Sanches

segunda-feira, 3 de junho de 2013

canal ixi deu merda: PERDEU - soneto marginal


SONETO MARGINAL

Silvam velozes ventos; reverberam
luzentes melodias de engrenagens;
os carros saem todos das garagens;
quatrilhões de neurônios deliberam...

Gigantes colossais gusa encarceram,
e vertem a matéria das ferragens;
nas árvores germinam as serragens,
enquanto todos sonham que prosperam...

Avante!, urbe, metrópole paulista:
“non ducor, duco”, diz teu bravo lema;
teu lema insubmisso, idealista!

Enquanto, fora, voga tal esquema
de progresso, barganhas e conquista:
eu, marginal, termino este poema.

Marcos Satoru Kawanami