quinta-feira, 2 de maio de 2013

Gregório de Mattos e Guerra: desenganos da vida humana, metaforicamente - soneto do umbigo

SONETO DO UMBIGO

É a vaidade, Fábio, mais-valia,
rezava a velha letra da gazeta
no dia em que Gregório da caneta
serviu-se em prol de nova ideologia:

Não deve o Capital fazer orgia,
cagando na cabeça do perneta
assíduo proletário da muleta,
enquanto vai Raquel, ficando Lia!

Que baita sacanagem! Vou propor,
vós ides concordar aqui comigo:
mudemos o Sistema Produtor.

Porém, a ideologia, meu amigo,
também era vaidade, e de doutor;
valia mais o bom vai dá de umbigo!

Marcos Satoru Kawanami


DESENGANOS DA VIDA HUMANA, METAFORICAMENTE

É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

Gregório de Mattos e Guerra