quarta-feira, 1 de maio de 2013

acertei no milhar - míriam batucada - apanhei um resfriado - almirante



ACERTEI NO MILHAR
(Wilson Batista e Geraldo Pereira)

Etelvina! (o que é, Morengueira?)
Acertei no milhar!
Ganhei quinhentos contos, não vou mais trabalhar,
você dê toda roupa velha aos pobres,
e a mobília podemos quebrar.
(breque)
Isso é pra já, vamos quebrar. Pam, pam, bum, etc...
Etelvina, vai ter outra lua-de-mel,
você vai ser madame,
vai morar num grande hotel.
Eu vou comprar um nome não sei onde
de Marquês Morengueira de Visconde.
Um professor de francês, mon amour,
eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour.
Até que enfim agora sou feliz,
vou passear a Europa toda até Paris,
e nossos filhos, oh, que inferno,
eu vou pô-los num colégio interno.
Me telefone pro Mané do armazém,
porque não quero ficar devendo nada a ninguém,
e vou comprar um avião azul
para percorrer a América do Sul.
Mas de repente, derrependente
Etelvina me acordou: está na hora do batente!
Mas de repente, derrependente:
— Se acorda, Marcolino! Sai pela porta de trás, que na frente tá assim de cobrador.
Foi um sonho, minha gente!




APANHEI UM RESFRIADO
(Leonel Azevedo e Sá Roris)

Pelo costume de beber gelado
Apanhei um resfriado que foi um horror
Porém, com medo de fazer despesa
Quis a franqueza e não fui ao doutor
Pra me curar
De tudo quanto foram me ensinado
Eu fui tomando e cada vez pior
E quem quiser, que siga o tratamento
Pois, se não morrer da cura, ficará melhor

Tomei de tudo: escalda-pé, chá de limão
Até xarope de alcatrão
E nada me faltou
Tive dieta só de caldo de galinha
O galinheiro da vizinha
Se evaporou
E tive febre, tive tosse e dor no peito
E até fiquei daquele jeito
Sem poder falar
Mandei chamar então um especialista
Que pediu dinheiro a vista
Pra poder me visitar

No bangalô, porém, choveu a noite inteira
E eu debaixo da goteira
Sem ninguém saber
A ventania arrancou zinco do telhado
E me deixou todo molhado
Quase pra morrer
E a Guilhermina quis me dar um lenitivo
Então me fez um curativo
Eu fiquei jururu
E foi chamado finalmente um sacerdote
Pra me encomendar um lote
De dez palmos no Caju