segunda-feira, 27 de maio de 2013

Corpus Christi - o corpo de Cristo - a hóstia - celebração eucarística - a comunhão


Corpus Christi - comentário

        "E tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim."
(Lucas 22:19)
        Deus age por meio de Suas criaturas e leis naturais. Tendo Ele criado as leis do universo, seria contraditório que agisse por via sobrenatural.
        O Espírito Santo que desce na forma de pomba sobre Jesus no rio Jordão, também na forma de pomba levou um ramo de oliva para Noé em sua arca.
        Ora, o Espírito Santo é inconcebível à mente humana, então aparece sob a forma compreensível de pomba.
        Da mesma maneira, tendo soprado o Espírito Santo sobre os Apóstolos na Sua última aparição, Cristo permanece conosco na hóstia consagrada, que é simples pão para que as pessoas consigam ver e receber o que é divino, e inconcebível por mais sofisticada que fosse a forma material.
        Assim, Deus está conosco de acordo com as leis naturais.

Marcos Satoru Kawanami



CORPUS CHRISTI

Meu fardo é leve, disse Jesus Cristo;
porém por muito tempo eu iludido,
de racionais sofismas imbuído,
o mais óbvio por mim não era visto.

Redenção nada tem a ver com isto
de A mais B vezes C que é dividido
por um D que nos deixa subtraídos
do convívio divino, tão bem quisto.

A razão é apenas instrumento,
tosco reflexo na terrena lida
da vontade real, do sentimento.

Ao revelar-se a sorte prometida,
a esmo tem-se todo provimento
na sem-razão do amor da fé da vida.

Marcos Satoru Kawanami



CACHORRO FIEL

o cãozinho católico assistia
missa, casamento e batizado;
sabia decor o missal,
e era tão estimado
desde o bispo ao sacristão,
que acabou contemplado
com um rosário irlandês
à guisa de coleira.
mas, enfim, ficou provado
que era só um cão danado:
em um dia que fenecia,
à hora da Ave Maria,
estando o cãozinho enfezado
—pobre coitado!—,
verteu fezes ao pé do altar,
e acabou excomungado! 

Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 21 de maio de 2013

Uma Professora Muito Maluquinha - filme nacional brasileiro



ESCOLA

Rostos risonhos, sonhos juvenis;
fraternidade, amor, palpita a vida,
a vida que começa a ser vivida,
a vida que só sabe ser feliz.

Almas atentas ao que o mestre diz,
que diz como quem canta em sua lida;
em cada aluno, a sorte prometida;
e o mestre, além de mestre: um aprendiz!

Um ar de baile espraia melodia
volátil, que veloz logo se evola
como o fresco sereno ao vir do dia.

E, a cada dia, o Sol, celeste bola,
compartilha do gozo, da alegria,
que impera e se renova em cada escola.

Dumont, 27 de outubro de 2004
Marcos Satoru Kawanami

segunda-feira, 20 de maio de 2013

a carioca


Em pé à esquerda: Noel Rosa e Pixinguinha.
Sentado ao centro: Donga.

A CARIOCA

Larissa, é verdadeiro o teu olhar?,
se nem olhando olhas assuntando
na noite enluarada, praticando
o ledo esporte de se praticar...

Eu vi, na Guanabara junto ao mar,
talvez em Paquetá —estás lembrando?—,
a Moreninha, que, de nós zombando,
ao grêmio varonil fez claudicar.

Pois ela, que tão bem conosco ia
o esmero da conversa conduzindo
à crença na descrença, amor sentia.

Reporto-me a tal ido tão bem vindo,
bonitamente crendo na alforria
do Tempo que é só teu no Espaço infindo...

Marcos Satoru Kawanami
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"Em 1930, a Internet era o Rádio, e os nerds eram os sambistas."
(Marcos Satoru Kawanami)

domingo, 19 de maio de 2013

para quem?



PARA QUEM?

Se cresce a Economia, o vulgo pensa
que tem mais moradia e mais emprego,
que pode ter mais filhos com sossego,
tendo escola e saúde em recompensa.

Mas vive o povo sempre numa prensa,
e a cada geração parece cego,
barganha o voto em troca dum emprego
que gera mais emprego, voto e a crença

dum econômico crescer do bem,
na constante esperança dum porvir
com mais casa, saúde, escola..., amém.

Contudo, não se diz que é regredir
a Vida do planeta que se tem,
crescendo a Economia, e para quem?

Marcos Satoru Kawanami

sábado, 18 de maio de 2013

flor amena



FLOR AMENA - a Érica Albernaz

Notícia desta terra não me vem
à mente, se não minto a redigir
missiva tão inóspita a quem vir
e tê-la em mãos, se não cair... do trem!

Mas move-me a escrever aquele bem
que vê notícia em tudo, e põe-se a rir
até da morte inane do faquir...,
a fim de ter assunto com alguém.

Alguém que preza mais que o mundo inteiro,
no instante em que redige, pelo menos;
mas faz do mesmo instante toda a vida!

Assim, a carta segue seu roteiro,
tentando florear temas amenos
nos quais amena flor é conduzida...

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 15 de maio de 2013

soneto paralelo



SONETO PARALELO

Falar de Amor não vai te dar a prova
de que haja coisa sólida ou concreta
do tipo que a Ciência então não veta
a cerca de um amor que se renova.

Daí, dirá o Eu-lírico: — Uma ova! —,
pois, não se vendo o Amor, vê-se-lhe a seta
que fere o peito e a lira do poeta
em timbres que a audição assaz reprova.

Falar de Deus enseja igual polêmica,
pois, sendo uma abstração de ordem sêmica,
os olhos têm de vê-Lo por indício.

Ainda que O vejamos lá no início,
a tola confiança em nós nos trai,
querendo Deus no céu, e Deus Se vai!

Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 14 de maio de 2013

canal ixi deu merda: Assalto sem Fio - Ixi Deu Merda - círculo vicioso, soneto em versos alexandrinos de Joaquim Maria Machado de Assis



Círculo Vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
— Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

— Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna à gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

— Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

— Pesa-me esta brilhante aureola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?

Joaquim Maria Machado de Assis

segunda-feira, 13 de maio de 2013

canal o que tem pra hoje: Emergência! - elenco: Médico: Renato Scarpin; Amigo: Rafael Sola; Amiga: Kathia Kalil; Doente: Giuliano Rossi - profissões liberais (soneto)


PROFISSÕES LIBERAIS

Com dois livrões: o Código Penal
mais o Civil, de capa a capa lidos,
teúdos, mandeúdos e engolidos,
se faz um Bacharel Judicial.

Com porcas, parafusos de metal,
concreto, vergalhões, homens polidos
no Cálculo de Newton, entendidos,
a carta de Engenheiro é bem legal.

Jurando pelo Hipócrates antigo,
depois de nove anos de esqueleto,
germina um médico doutor amigo.

Sem vulto para o último terceto,
o poeta contempla o próprio umbigo,
e dá cabo de mais um seu soneto.

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 8 de maio de 2013

mona lisa smile


MONA LISA SMILE

O drama bom que a Bíblia nos revela
demonstra que pra tudo há solução,
até a morte tem ressurreição
a quem se afeiçoar à Vida bela.

E a Vida a qual se deve pois dar trela
é simples, tendo em Cristo a devoção,
passando pelo mundo em comunhão,
sentindo o bem do olhar... e da remela.

O drama engrena o mundo, e dá cinética
à máquina da humana sociedade,
ainda que contrário a muita ética.

Talvez a dor pareça até maldade,
mas luz e sombra dão a forma estética
de tudo quanto ganha a Eternidade.

Nhandeara, 8 de maio de 2013
Marcos Satoru Kawanami

canal o que tem pra hoje: Os Infundáveis - elenco: Renato Scarpin, Mariana Melgaço, Rafael Sola e Geraldo Rodrigues


O ATO

Cortei-me a jugular, e ela sorriu,
jogando-se na poça lá da rua;
queria se afogar, e morrer nua,
bonita como aqui nunca se viu!

O sangue todo à porra me acudiu,
curando o sangramento, e em carne crua,
a um pedregulho roxo sinto a pua,
que a bela, afoita, enfia no xibiu...

Rolamos num lameiro bestial
com sôfregos apupos sem cessar
por trinta dias, que é nosso costume.

E, de tal ato ao talhe angelical,
o casto ventre seu nos vem a dar,
à luz de nossos olhos, novo nume...

Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 7 de maio de 2013

Aviation: Flying With Arthur Godfrey (1953) - Temito: dando um rolé na enseada de botafogo...




AVIÃO - para Alberto Santos Dumont

Dos anseios, primaz da liberdade
que resume a mecânica beleza
e, furtando do pássaro a destreza,
acaba por vencer a Gravidade.

Milênios só de ingênua veleidade,
atada na primata natureza,
contemplava a cerúlea realeza
a eterna sonhadora Humanidade...

Então, eis que não mais podendo um dia
de um Ícaro conter sua ambição,
o céu genioso enfim se renderia

à vontade voraz de criação
que no elenco da brava engenharia
conquista o ar, nas asas do Avião.

Marcos Satoru Kawanami



Soneto de Santos Dumont

No alegre turbilhão da juventude,
no esplendor do motor por explosão,
em meio de projetos a efusão,
criar o aeroplano então eu pude.

Crente no ser humano, na virtude,
tudo era festa!, tudo empolgação,
“belle époque”..., ninguém pensava não
que Marte conspirava oculto e rude.

Veio a guerra, o carrasco do progresso?;
talvez não, pois usou-se o aeroplano:
não o inventasse, agora triste eu peço!

Somente o ser humano é desumano...,
e, assim, por suicida eu quis ingresso
na morte-símbolo do ser humano.

Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Homem Ainda Não Existe - Christina Montenegro



O LIVRO DA CHRIS - para Christina Montenegro

Homem ainda não existe, é fato
que Maria Christina nos revela;
no livro que analisa o ele, ela
propõe que uma questão exige tato:

As masculinidades são substrato
a dramas de teor para novela,
o masculismo pode e desfivela
seu choro desbragado, e não barato.

E o tal patriarcalismo tanto lesa
o desenvolvimento pessoal
do macho, que em si mesmo implode e pesa...

Se o homem não existe, na real,
carece a classe ser, não é proesa;
e ao filicídio um basta, um fim cabal.


Nhandeara, 3 de maio de 2013
Marcos Satoru Kawanami
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LINK
LIVRARIA CULTURA: Homem Ainda Não Existe

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Gregório de Mattos e Guerra: desenganos da vida humana, metaforicamente - soneto do umbigo

SONETO DO UMBIGO

É a vaidade, Fábio, mais-valia,
rezava a velha letra da gazeta
no dia em que Gregório da caneta
serviu-se em prol de nova ideologia:

Não deve o Capital fazer orgia,
cagando na cabeça do perneta
assíduo proletário da muleta,
enquanto vai Raquel, ficando Lia!

Que baita sacanagem! Vou propor,
vós ides concordar aqui comigo:
mudemos o Sistema Produtor.

Porém, a ideologia, meu amigo,
também era vaidade, e de doutor;
valia mais o bom vai dá de umbigo!

Marcos Satoru Kawanami


DESENGANOS DA VIDA HUMANA, METAFORICAMENTE

É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

Gregório de Mattos e Guerra

quarta-feira, 1 de maio de 2013

canal parafernalha: à paisana - iracema 2012


IRACEMA 2012

Verdes mares bravios de minha terra
banhada pelo Atlântico abrasivo,
na qual um povo bom, feliz, festivo
outrora vi na infância além da serra...

Hoje, o que vejo é o fuzil que berra,
a lei do cão num tempo intempestivo,
a geração no crack ultra-nocivo
morrendo nesta guerra, e não há guerra!

Qualquer cidadezinha é testemunha
da sanha criminal pegando à unha
o povo que cansou de não cansar.

Mas, num sonho cravado de lacunas,
ainda vê as asas da graúna
a moça que jamais leu Alencar...

Nhandeara, 27 de dezembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami

acertei no milhar - míriam batucada - apanhei um resfriado - almirante



ACERTEI NO MILHAR
(Wilson Batista e Geraldo Pereira)

Etelvina! (o que é, Morengueira?)
Acertei no milhar!
Ganhei quinhentos contos, não vou mais trabalhar,
você dê toda roupa velha aos pobres,
e a mobília podemos quebrar.
(breque)
Isso é pra já, vamos quebrar. Pam, pam, bum, etc...
Etelvina, vai ter outra lua-de-mel,
você vai ser madame,
vai morar num grande hotel.
Eu vou comprar um nome não sei onde
de Marquês Morengueira de Visconde.
Um professor de francês, mon amour,
eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour.
Até que enfim agora sou feliz,
vou passear a Europa toda até Paris,
e nossos filhos, oh, que inferno,
eu vou pô-los num colégio interno.
Me telefone pro Mané do armazém,
porque não quero ficar devendo nada a ninguém,
e vou comprar um avião azul
para percorrer a América do Sul.
Mas de repente, derrependente
Etelvina me acordou: está na hora do batente!
Mas de repente, derrependente:
— Se acorda, Marcolino! Sai pela porta de trás, que na frente tá assim de cobrador.
Foi um sonho, minha gente!




APANHEI UM RESFRIADO
(Leonel Azevedo e Sá Roris)

Pelo costume de beber gelado
Apanhei um resfriado que foi um horror
Porém, com medo de fazer despesa
Quis a franqueza e não fui ao doutor
Pra me curar
De tudo quanto foram me ensinado
Eu fui tomando e cada vez pior
E quem quiser, que siga o tratamento
Pois, se não morrer da cura, ficará melhor

Tomei de tudo: escalda-pé, chá de limão
Até xarope de alcatrão
E nada me faltou
Tive dieta só de caldo de galinha
O galinheiro da vizinha
Se evaporou
E tive febre, tive tosse e dor no peito
E até fiquei daquele jeito
Sem poder falar
Mandei chamar então um especialista
Que pediu dinheiro a vista
Pra poder me visitar

No bangalô, porém, choveu a noite inteira
E eu debaixo da goteira
Sem ninguém saber
A ventania arrancou zinco do telhado
E me deixou todo molhado
Quase pra morrer
E a Guilhermina quis me dar um lenitivo
Então me fez um curativo
Eu fiquei jururu
E foi chamado finalmente um sacerdote
Pra me encomendar um lote
De dez palmos no Caju