domingo, 10 de março de 2013

Neguinha, modelo e atriz. - Este post é porque tive a idéia de fotografar a Neguinha, agora que tenho câmara fotográfica digital.

Neguinha - modelo e atriz
Um ser único.
No palco, ela é cínica.
"Cachorro. Tá aí um bicho realmente humano." (Falcão)

     A cadelinha que vós tendes a honra de visualizar, eu não sei que idade ela tem. Só sei que tive a felicidade de privar de sua nobre companhia por solicitação de seu antigo dono, um ancião espanhol anarquista,  zeloso de seus deveres para com o fisco e respeitador da autoridade policial, o qual padecia de moléstia cancroforme já havia 10 anos, quando foi-lhe subtraído o glóbulo ocular esquerdo em malfadada cirurgia de catarata. O fato é que o velho pediu para que eu ficasse com a Neguinha, mas relutou em informar a idade dela, com a qual eu ficaria de qualquer maneira, mas ele talvez tenha achado que não. Assim, vive Neguinha há bem 3 anos comigo sem que eu saiba sua idade, só sei que já é avançada; mas não parece, porque ela é o cão!


SONETO AO CACHORRO

O Cão é, do Homem, seu melhor amigo,
conforme reza o velho e bom ditado;
quem nunca nesta vida foi amado
dará valor a tudo quanto digo.

O Cão nem mesmo tem aquele umbigo
egoísta pra ser idolatrado,
enquanto o ser humano, do pecado
escravo, do egoísmo herda castigo.

Xingando uma mulher, dizem: “Cadela!”;
ofensa muito rude para ela,
a Cadela, mulher casta do Cão.

Um bicho que, sem nem mesmo ter mão,
o asseio preza, nos deixando à míngua
quando se limpa com a própria língua!

Marcos Satoru Kawanami


SONETO DA BASSEZINHA

Gostava de jujubas, a danada!
Ficava rodeando quando, à mesa
do almoço eu me servia e, à sobremesa,
filava seu nacão de goiabada.

Andava até nas unhas esmaltada!
Seu passo tinha a classe da princesa,
embora nem viesse da nobreza.
Foi minha, ela, a primeira namorada.

As grossas sobrancelhas amarelas
no preto pêlo expunham seu contraste.
E as patas dianteiras? Tortas, belas!

Caminha rente ao chão, sem que se arraste.
Vaidosa, nada tem de outras cadelas.
“Bassê”, me dizes tu, e adivinhaste!

Glauco Mattoso


Haikai da Bassezinha

Quando come osso,
todo bassê faz um trôço
branco, duro e grosso.

Glauco Mattoso

5 comentários :

Sissym disse...

Querido amigo,

a minha vizinha tem o JUCA. Ele foi abandonado com 2 anos, era pele, osso e doenças. Hoje, com uns 10 anos, é pura alegria. Eu adoro ele, a vizinhança adora, minha filha idem.

Ele é humano em forma de mini-caozinho.

Beijos

Marcos Satoru Kawanami disse...

Sissym,

Só alegria! Viva o Juca!

=)
Marcos

Jacques disse...

Olá, Marcos.
Belo poema, ironicamente, muitos cães são mais humanos do que muitas pessoas.
Se todo ser humano fosse fiel e de coração puro como são os cães o mundo seria um lugar completamente diferente.
Abraço.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Jacques,

Tu tens toda razão.

=)
Marcos

JAIRCLOPES disse...

Cãochorro

O cão é do homem o seu melhor amigo,
Dá conforto e lealdade sem cobrar troca
Plácido amor que não cobra nem sufoca
E se é rico ou pobre ele pensa: nem ligo.

Mas se injuriam meu companheiro: brigo
É desse modo que o cão amizade coloca
Enquanto o homem as vezes não se toca
E a qualquer falha, põe o cão de castigo.

Muitas vezes o trata pior que preto forro
Quando apenas quer o doméstico bicho
Que tratem pelo que é: apenas cachorro.

Animal que entre homens quer ter nicho,
Onde, quando necessitar, tenha socorro
E não ouça do homem: prá você me lixo!