terça-feira, 5 de março de 2013

metrô do recife - politicamente correto - canal parafernalha - morando de favor - o del do mundo


POLITICAMENTE CORRETO

Você não pode nem deve
tirar onda de bacana,
siga à risca o que prescreve
a cartilha americana:

O correto tem política
com sanção, veto e decreto;
hoje, em coro, berra a Crítica:
“politically-correto”!

É medonho dar risada
de um alguém qualquer que seja;
é proibido, na calçada,
tudo o que o momento enseja.

Como é feio destoar
do rebanho que resume
o atavismo secular
que hipócrita não se assume.

Há palavras censuradas,
que não devo aqui dizer...;
pois a censura velada
é imbatível, pode crer.

Eu sempre tive o bom-senso
de nunca ofender ninguém,
e sempre disse o que penso
contra os censores também.

Fugir à regra, não pode!
Seguir a regra, não pode!
Inconformar-se, não pode!
Ser conformista, não pode!

Não pode isto nem aquilo,
não satirize uma ode,
não se pode rir tranquilo,
rir-se tranquilo não pode!

Marcos Satoru Kawanami


O DEL DO MUNDO

Mãe D'água disse no rio
que é bom chamá-la Ismael,
que o Mundo está por um fio...
Vê só o Deus de Israel:
— Seu dedão na tecla DEL!

Até Mula-sem-cabeça
já está caindo em prantina;
não há cristão que mereça
beber desta cajuína,
minha Santa Catarina!

O Lobisome assumiu,
isso em rede nacional,
que o carretel desfranziu
em pleno Zorra Total,
e o Silvino ficou mal...

Tem Saci jogando bola
no famoso Castelão,
e Imperador que patola
jegue, trabuco e anão.
— É cagada em contra-mão!

Pudicas ninfas do Tejo,
só a vós posso rogar
para deste mouro brejo
Zeus heleno nos salvar,
pois que o hebreu quer deletar!

Marcos Satoru Kawanami


METRÔ DO RECIFE

Peguei um resfriado no Metrô
que agora inauguraram no Recife,
parafernalha, treco mais estife
que a reza “de cum força” de vovô.

E estava eu a morar por de favô,
sem muito não-me-toques, um bom bife,
na casa que inventou a marca griffe,
de uma sinhá chegada em ser retrô...

A moça, na tarefa de curar-me,
se esquece que a virose em si se cura,
e a toda a vizinhança faz alarme:

 O que arde, cura; o que prende segura!,
ardendo, diz, querendo boquiatar-me,
enquanto me cavalga com usura...

Marcos Satoru Kawanami


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