domingo, 31 de março de 2013

Maria Christina

Maria Christina Montenegro

MARIA CHRISTINA

Christina Montenegro era Maria
Christina, ruiva, doce e delicada,
nascida para ser assaz amada
e amar a vida, que contemplaria...

Em tempos de conflito viveria,
que a humana convivência é complicada,
matéria-prima por ser retratada
nas artes, na ciência, dia a dia.

E... esta menina fez Psicologia,
sondando a mente, o cerne da questão,
uma batuta em cada melodia.

Assim, do mundo a grande orquestração
viu Christina com olhos de Maria,
piedade que em tudo é compaixão.

Nhandeara, 31 de março de 2013
Marcos Satoru Kawanami

Fado Toninho [2008] - OFFICIAL video - ATLETA


ATLETA

Antes de vir o sol, de madrugada,
viril disposição o impulsiona
a correr até uma maratona,
apenas por começo de jornada.

Com seu porte de esfinge levantada,
o atleta os músculos abona,
e se gaba de nunca ir à lona,
pois é do Olimpo amostra coroada.

Mas por estranhas leis que o amor decreta,
por tudo que acontece sem razão,
as mulheres preferem o poeta...

De maneira que a pose de machão
só acaba por deixar o ledo atleta
mirando o espelho, doido de paixão!

Marcos Satoru Kawanami

Augusto dos Anjos: versos íntimos, solilóquio de um visionário - soneto solilóquio - a Christina Montenegro

Marcos Satoru Kawanami


“A mão que joga a pedra é a mesma que apedreja.”
(Falcão, compositor cearense citando um pedreiro)


VERSOS ÍNTIMOS

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos



SOLILÓQUIO DE UM VISIONÁRIO

Para desvirginar o labirinto
Do velho e metafísico Mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!

A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto
Nas divinas visões do íncola etéreo!

Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...

Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que ainda eu suba mais!

Augusto dos Anjos



SONETO SOLILÓQUIO – a Christina Montenegro

Naturalmente em mim autista hermético,
o drama foi fazendo-me... dramático!,
extravazando até o esquema tático
em prol de um benefício mais estético.

Atleta mais melódico que atlético,
sou simbiose de um sopro pneumático
trompista, e artifício matemático;
e em síntese resumo do frenético.

Pois disse-me a parteira no meu parto
que eu fosse à merda!; eu ri, e teve início
a minha saga errante de Pinóquio.

E dentro do meu crânio existe um quarto
em cena teatral onde o bulício
da platéia é aplauso a um solilóquio...

Marcos Satoru Kawanami

sábado, 30 de março de 2013

voz e violão

bolo boneca pintora

VOZ E VIOLÃO

Carmem Luce Benini, ao violão
audaz da noite mais cheia de lua,
e lua cheia ao violão na rua,
é voz cheia de lua audaz, pois não?

Pois sim, que estive sempre em contra-mão
igual à pedra pome que flutua,
jamais audira a voz notável tua,
só tua, meu amor, contradição?

Assim truncado, o verso complicado
revela quão complexa é a pintora,
que é pintora quem tem tão bem cantado!

Dedilha no bordão firme pastora
das Artes, esperança do que é bom
e vem a revelar-se em cada dom.

Nhandeara, 28 de março de 2013
Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 29 de março de 2013

soneto de outrora - a María Carolina González Rojas, desde o início dos tempos - dança da solidão, canção de Paulinho da Viola interpretada por Érica Albernaz

Carolina Otilia - por Temito

SONETO DE OUTRORA
a María Carolina González Rojas, desde o início dos tempos

Não vale mais valer o que valia
eu mesmo quando amava Carolina,
não vale mais um beijo de menina
de quando para sempre amá-la-ia...

Não vale ter amor que não se cria,
não valho de um poeta uma bonina,
não vale-me esta insônia que amofina
e inspira dó ou riso ou ironia:

“Que fazes, ó rapaz, a estas horas
ainda vigoroso em teu labor
com tal gosto que, em vez de suar, choras?”

Ao que eu, transido de solene horror,
respondo com a frase das outroras:
ao vate cabe o amar, mas não o amor.

Marcos Satoru Kawanami




BELEZA ETERNA DAS MOÇAS ETERNAMENTE BELAS
a Érica Albernaz Ferreira de Carvalho

Todas as CARTAS DE AMOR são
Ridículas.
Não seriam OBRAS DE ARTE se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo CARTAS DE AMOR,
Como as outras,
Ridículas.

As OBRAS DE ARTE, se há Amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
CARTAS DE AMOR
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
OBRAS DE ARTE
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas MEMÓRIAS DA LIRA VELHA
Dessas MOÇAS ETERNAMENTE BELAS
É que são
OBRAS DE ARTE.

(Todas as CARTAS DE AMOR,
Como as OBRAS DE ARTE,
São naturalmente
A BELEZA ETERNA DAS MOÇAS ETERNAMENTE BELAS.)

Álvaro de Campos, 21-10-1935
Marcos Satoru Kawanami, 14-03-2013

ecce homo

desenho de Temito

AVE MARIA PÓS-MODERNA

A luz que passa pelo cristalino
dos olhos chega ao fundo cerebral
recomposta em elétrico sinal
diverso do universo extra-tino.

A taça diz que “veritas in vino”,
em forma inversa, imagem espectral
vertendo na retina uma anormal
verdade aceita por qualquer menino...

Talvez o impulso elétrico reflita
externamente apenas algo novo
e tão antigo quanto a luz bendita

no céu de cada qual de cada povo
cujo drama tem sido a mãe aflita
dos elétrons por quem eu me comovo.

Marcos Satoru Kawanami
................................



     Ecce Homo são as palavras que Pôncio Pilatos teria dito, em latim, ao apresentar Jesus Cristo aos judeus de acordo com o evangelho. Em português, a frase significa "Eis o Homem".
     Trata-se da tradução que surge na Vulgata da frase grega ιδου ο ανθρωπος. Segundo o Evangelho segundo São João (19.5), foram as palavras pronunciadas pelo governador romano Pôncio Pilatos quando apresentou Jesus de Nazaré (flagelado, atado e com a coroa de espinhos) perante a multidão hostil para ser tomada a decisão final sobre a sua pessoa, já que Pilatos não via nenhum motivo claro para condenação.
fonte: Wikipédia

quarta-feira, 27 de março de 2013

Semana Santa 2013 - trova da renúcia, de renata paccola.

Tonho Oliveira - 6vqcoisa


TROVA DA RENÚNCIA

A mãe que acende uma vela
cinge a renúncia em seu brilho,
ao rogar que passe a ela
o sofrimento do filho…

Renata Paccola



SONETO ANALÓGICO DA LUZ

“Toda Sabedoria vem de Deus.”
(Eclesiástico 1:1)

A luz de um só sol entra na atmosfera,
difunde-se, refrata-se e reflete
ágeis fótons em tudo que acomete,
e um mundo colorido reverbera!

Uma luz vária, desde priscas eras,
também seu ledo nume em tudo mete:
ou é brava eloqüência de trompete,
ou é silente flor… que a vida gera.

Um sol apenas basta ao hemisfério
terrestre por ter luz em abundância
com vida e alegria —esse mistério.

Um Deus apenas basta em nossa errância
por dar Sabedoria —e isso é sério—,
que verte a luz divina exuberância.

Marcos Satoru Kawanami

segunda-feira, 25 de março de 2013

porta dos fundos: quem manda - folclore do pará




FOLCLORE DO PARÁ
- versos alexandrinos -

Mãe D’água de Belém, sereia paraense,
um folclore do Além perdido na floresta!
Folclore, Mário, é risonho o que te resta
depois daquele herói que até a morte vence!

Folclore, Marcos, é vento o que te pertence
sem caráter nenhum; contudo, é pedra esta
mostra de solidez, a qual cinzel reqüesta
até virar Pietà no Louvre amazonense.

Mãe D’água canta, fala à toa, engana agente
até da BBC, e vai comendo, vai,
tal indiazinha vai assim comendo a gente...

É... Disse cunhatã lesa que sabe mais
patuá que Pajé: —Fica esperto, maninho,
mulher bonita dá sorte ao azar mesquinho!

Marcos Satoru Kawanami

caminhada



CAMINHADA

Campo verde de flor favorecido,
orna-lhe uma floresta no horizonte;
encontra o mais azul dos rios sua fonte
embrenhado na mata, e esquecido...

Acenta a aquarela no tecido,
furtando-se as palavras com que eu conte
a tal exuberância sobre o monte
vista pelo pintor embevecido.

A paisagem edênica, perfeita,
retratada imperfeita nestas linhas
é só reflexo de uma mente estreita.

O Éden das esperanças todas minhas
é aquele da esperança verde eleita
rumo a qual tu, de bom-senso, caminhas.

Marcos Satoru Kawanami

sábado, 23 de março de 2013

S2


eu odeio orkut - alvoroça alvorada - filme nacional brasileiro feito no estado do Rio Grande do Sul


FIM DE MILÊNIO - a Fernanda de Assis Gama

Chegando aos finais do século vinte
vislumbramos nova revolução,
a eletrônica alcança o requinte
no movimento da computação!

Uma vez mais o tempo é acelerado,
o ar vai rareando mais fluido,
o que estava distante é aproximado,
o mundo outra vez diminuído.

Num trabalho qualquer, num escritório,
ou para outros fins de coisa mais bela,
tudo se realiza ante uma tela.

Camões, qual seria seu relatório
se visse-me, sem o menor pudor,
escrever soneto em computador!

19-janeiro-1996,  Rio de Janeiro —Galeão
Marcos Satoru Kawanami, quando programava em Pascal na UFRJ, não tinha Internet, e não sabia fazer soneto nem versos corretamente, mas tentava.

sexta-feira, 22 de março de 2013

as palavras - filme - the words - Há semelhanças entre o filme As Palavras, do ano de 2012, e a 3ª parte do meu romance Ninguém Escreve, publicado em 2008 pela Editora 24x7. Eu não seria leviano de insinuar plágio, mas, pelo contrário, aproveito a ocasião para incentivar a leitura do meu romance, o qual está disponível para download gratuito no cabeçalho deste blogue.



"Minha tragédia foi amar mais as palavras do que a mulher que me inspirou a escrevê-las."
(filme: As Palavras - The Words)

My Sweet Lord - desenho de Artêmio Fonseca de Carvalho Filho

My Sweet Lord
desenho de:
Artêmio Fonseca de Carvalho Filho, tetraplégico.

IMITAÇÃO DE CRISTO - a Glauco Mattoso, poeta maldito cego

Não faço apologia ao sofrimento,
nem ojeriza tenho ao mundo e ao gozo;
não sou vanguarda, nem tampouco idoso;
mas, sim, dou viva ao livre pensamento.

Da graça da fé cega estou isento,
mas da graça e fé cega sou cioso,
e almejo o Paraíso esplendoroso
prometido por todo sacramento.

Cuido, porém, que Cristo deu exemplo
ao sofrer o martírio no Calvário,
altar desta verdade que contemplo:

Será no mais extremo e perdulário
despojo, sem amparo, mãe, ou templo,
que hei de ver Deus em meu itinerário.

Marcos Satoru Kawanami, poeta maldito autista

quinta-feira, 21 de março de 2013

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain

http://tocadoscinefilos.com.br/o-fabuloso-destino-de-amelie-poulain-2001/
Link


Menu du Jour: Soneto já Antigo

Regardez, Daisy, quand je mourrai
à neuveau un Audrey Tautou jour,
je ne veux pas pleurs.
Mais ce que toute l’Amour
m’embrasse définitivemente,
tranquillemente...

Nhandeara, 21 de mars de 2013
Marcos Satoru Kawanami


Audrey Tautou no papel de Amélie Poulain

A NÔMADE

Na multidão dos séculos perdida,
vaga esta sempre nômade menina;
olhar de soledade beduína
que abandona ao destino toda a vida...

Nunca conheceu pai ou mãe querida,
esteve a eternidade nesta sina
que lhe suprime o riso e impõe prantina
na busca de uma terra prometida.

Cansaços, perdas, dores, desenganos
padeceu numa estóica confiança
ao par com o delírio mais insano.

Pois tem a Humanidade semelhança
com tal menina, que todos os anos
renasce quando nasce uma criança.

Marcos Satoru Kawanami




MUNDO DAS IDÉIAS

No mundo das idéias só, vivia
eu só, que de ideais fugir tentava;
atado por Platão, eu me arrastava
à banda de Aristóteles da via.

Da via em que seguia noite e dia,
poeta que, no mundo, calculava
o que era coisiforme e destoava
da esfera onde o ideal lhes bem servia.

Baixava-me Aristóteles ao caos
a ser esquadrinhado a lápis, ou
elevado à potência do ideal.

Mas, quando toda a frota soçobrou,
eu vi que tudo é bom; e, afinal,
no mundo das idéias sempre estou.

Marcos Satoru Kawanami

Audrey Tautou
MEMÓRIA DO FUTURO

Era um retrato cinza, preto e branco...
do tempo dos antigos, de primeiro,
quando a morte assombrava o mundo inteiro
e o fuzil vitimava a cada tranco.

Em uma vila, à beira de um barranco
de escombros e despojos de guerreiro,
tendo ao fundo o adejar de um bombardeiro,
chorava uma criança sobre um banco.

Fechada a boca, lágrimas desciam
silentes sobre o espelho da lembrança,
e no sangue do chão se diluíam...

É toda a espécie humana esta criança,
e as lágrimas que dela se esvaíam
sustentam nova edênica esperança.

Marcos Satoru Kawanami

segunda-feira, 18 de março de 2013

UFC: Universidade das Freiras de Culhões - RS, rsrsrs - crônica humorística: era uma vez um baiano, um gaúcho, um japonês e um cearense..., tudo numa piada só! XD - previsão do tempo: e o Amapá que se foda!

UFC

UFC: Universidade das Freiras de Culhões - Rio Grande do Sul

         No aprazível município de Culhões, RS, está sita a Universidade das Freiras de Culhões, instituição que goza do mais grosso calibre nas estatísticas do MEC, no quesito p.q.p.: pupilos que passam...
         Culhões é um antigo distrito de Bagé, o distrito de Dois Bagos, famigerada zona produtora de uvas viníferas que dão cada bago... tchê! Um bago daquele é capaz de encher a barriga da pessoa humana. O nome Culhões, corruptela de Colhões, etimologicamente falando, origina-se no período de exílio do prefeito de Sucupira, um vivente de nome Odorico Paraguaçu que foi o primeiro prefeito do então recém emancipado município de Dois Bagos, a que ele resolveu, por decreto lei, denominar Município de Culhões, e esta foi a sua maior obra durante o período de exílio, que descanse em paz, lá em Sucupira, no Cemitério que ele inaugurou.
         As freiras vieram para cá durante a Guerra do Bolicho, conflito deflagrado em Bagé entre a facção masculina dos barbudos e a dos afetados, estes últimos se refugiaram no Convento da Piedade, que foi sitiado pelos barbudos. Após semanas de negociações, e a água cortada, os afetados tiveram que aceitar o ostracismo em Dois Bagos, levando uma legião de noviças com eles, por motivos óbvios; mas, quem nunca pecou, que atire a primeira pedra! Com as noviças, foram também freiras simpáticas simpatizantes do movimento, que fundaram o Convento das Freiras Simpáticas, e dele originou-se uma escola, e da escola a nossa renomada instituição de Ensino Superior.
         Além de oferecermos cursos em todas as áreas do Conhecimento Humano, Desumano e Divino, temos os segintes cursos:

—Doutorado em Veterinária Freudiana, pelo Dr. Analista de Bagé.

—Pós-Graduação em Boi no Rolete, pela Irmã Teresa Durão.

—Doutorado em Paranormalidade da Psico-Proctologia-Atmosférica, pelo Dr. Jacintho Leite Aquino Rêgo, introduzido pela UFRJ.

—Mestrado em Sociologia do Não e da Negação do Não no Futebol (dente-de-leite-sensu), pelo Dr. Kajuru Sob Controle.

—Pós-Doutorado e Livre Docência em Cuisine Traditionnelle com intercâmbio na Universidade de Viena, por Palmirinha.

Nhandeara, 17 de março de 2013
Marcos Satoru Kawanami



domingo, 17 de março de 2013

Rosa-Sinensis: lançamento do primeiro disco em breve.

Os primórdios na Faculdade de Música
da Universidade Federal do Ceará.


Dedico esta melodia a Andréa Manoel.


A fase de composição das canções.


IDENTIDADE - para Andréa Manoel

Eu gosto do tipo Andréa,
não do tipo Manoel.
Mas, como gostar de Andréa
— para quem tiro o chapéu —,
se Andréa não é Andréa,
sendo Andréa Manoel?

Nhandeara, 3 de março de 2013
Marcos Satoru Kawanami



Lua no céu do Brasil em 03/03/2013
HAIKAI TO ANDRÉA MANOEL

When I was eight,
I took a picture of the Moon:
— poets are astronomers.

Nhandeara, March 2nd 2013
Marcos Satoru Kawanami



O primeiro disco!




quinta-feira, 14 de março de 2013

amor i love you - a beleza eterna das moças eternamente belas: a Érica Albernaz - BORDADO, o poema mais bonito que escrevi em minha vida finalmente dedicado a alguém: Simone Mascarenhas


BORDADO - para Simone Mascarenhas

O meu corpo é um novelo
do linho mais amarelo,
minha vida é desfazê-lo
no verso do amor singelo.

Nas tantas noites que velo,
castigando o cotovelo,
as rimas a quem apelo
são a voz do mudo zelo.

Assim, eu deixo um bordado
neste planeta a quem tem
lido o que tenho deixado.

Se acaso você também
tem-me igualmente estimado,
borde-me aí do seu lado.

Marcos Satoru Kawanami



BELEZA ETERNA DAS MOÇAS ETERNAMENTE BELAS - para Érica Albernaz Ferreira de Carvalho

Todas as CARTAS DE AMOR são
Ridículas.
Não seriam OBRAS DE ARTE se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo CARTAS DE AMOR,
Como as outras,
Ridículas.

As OBRAS DE ARTE, se há Amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
CARTAS DE AMOR
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
OBRAS DE ARTE
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas MEMÓRIAS DA LIRA VELHA
Dessas MOÇAS ETERNAMENTE BELAS
É que são
OBRAS DE ARTE.

(Todas as CARTAS DE AMOR,
Como as OBRAS DE ARTE,
São naturalmente
A BELEZA ETERNA DAS MOÇAS ETERNAMENTE BELAS.)

Álvaro de Campos, 21-10-1935
Marcos Satoru Kawanami, 14-03-2013

terça-feira, 12 de março de 2013

Jacó e Lia - para Simone Mascarenhas

una favola italiana

JACÓ E LIA - uma fábula brasileira - para Simone Mascarenhas

Sete anos, por Raquel, Jacó sofria
à toa, pois já tinha se casado
e muito bem, estava afazendado
com filha de patrão. Que mais queria?

Injusto foi o Amor que o iludia,
e em prol de quê?, da espécie? avassalado
igual a bicho? e, ainda amargurado,
injusto o coagindo contra Lia!

Romântica Paixão, que a todos cega:
a Lia era muito mais bonita,
nem isso viu Jacó, por teimosia...

E a Alegria que o Amor nos nega
parece tão custosa e inaudita,
mas é-nos como a esposa que foi Lia.

Nhandeara, 12 de março de 2013
Marcos Satoru Kawanami

TV PIRATA: as presidiárias - samba: água benta - Débora Bloch, Cristina Pereira, Regina Casé, Louise Cardoso e Cláudia Raia



TV PIRATA: as presidiárias
samba: ÁGUA BENTA

No Presídio da Água Benta,
o segredo é o Biotônico,
alegria das detentas
e do samba estereofônico.

No Presídio da Água Benta,
houve um samba estereofônico;
foi no dia em que as detentas
receberam Biotônico.

Regininha foi dizendo:
—Abre a boca, dona moça!
E, a primeira entorpecendo,
as demais, num coça coça,
acorreram que só vendo...

Vi bebinha daqui. Vi bebinha dali.
Sambando na Sapucaí. (refrão)

Mas, quando o samba acabou,
aquela nuvem cinzenta
que sempre volta voltou
ao Presídio da Água Benta...

Marcos Satoru Kawanami