quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

curti - Entrevista de Clarisse Lispector em 1977 - cantadas nerds - marcos castro e luciana d'aulizio - L'Atolerette, cinéma sur le Funk du Rio de Janeiro, fait à São Paulo, la capitale mondiale du monde interplanétaire de la modernité d'aujourd'hui. - No final, exegese hermenêutica de Tom Zé.

Entrevista de Clarisse Lispector em 1977:



TonhOliveira

CURTI

No carnaval, Antônio me pediu
que um curti eu curtisse na folia,
assim me foi dizendo Bete Bia,
fogosa como a puta que a pariu.

E a perva, me piscando, ainda sorriu,
mostrando-me um curti que ela trazia:
camisa pra vestir no pau, e eu via
que a Bia já esfregava o seu xibiu...

Abocanhei a teta entumescida,
o mamilo mais duro que meu pau
poderia meter por toda a vida.

E ela ordenando vem, seu bruto mau,
se arreganhou num cio que nunca vi,
e, curtindo, curti, curti, curti...

Nhandeara, 10 de fevereiro de 2013
Marcos Satoru Kawanami



UMA LENDA QUÍMICA

Nos manuais químicos dum laboratório
um Cloreto de Hidrogênio apaixonou-se
um dia
exotermicamente
por uma base.
Vislumbrou-a com seu olhar abrasivo
de uma reação reversível:
uma figura iônica;
olhos 2 molar, boca dativa,
corpo isobárico, seios em suspensão aquosa.
Fez da sua uma vida
à dela eletropositiva,
até que se encontraram
numa solução.
“Quem és tu?” —indagou ele
em precipitado.
“Sou filha de um Alcalino, e neta do Oxigênio.
Mas pode me chamar Hidroxila, de Sódio”.
E de falarem descobriram que eram
altamente reagentes.
E assim se amaram
num ciclo de oxi-redução
oxidando
ao léu da temperatura
e da pressão
metais, não-metais, semi-metais
por entre as colunas da Tabela Periódica.
Escandalizaram os ortodoxos
e desbancaram Lavoisier;
desmoralizaram Clayperon
e a relação de pê-vê-tê.
Enfim resolveram atingir um equilíbrio,
constituir uma família,
uma família de gases nobres!
De nobreza nada tinham;
nem um tio Xenônio,
nem um primo Hélio...
Mas o produto que tiveram
foi mais venturoso
e providencial:
no bojo dum erlenmeyer
com rendimento cem por cento
nasceram
Água e Sal.

Marcos Satoru Kawanami

"ô, mina, relaxa e goza." (Tom Zé)

JANAÍNA A BUGRA

Todos param para ver
Janaína minha irmã
que ainda não sabe ler
de selvagem cunhantã.

Eu, porém, quero aprender
com a bugra minha irmã
a maneira de escrever
dois em um só amanhã.

Janaína me parece
pintura tipo cubista,
explicação não carece(?)(!)(*).

Janaína se despista,
pudica, não fica nua,
mas não fica só na rua...

Marcos Satoru Kawanami


Para Tom Zé, uma das “ondas concêntricas” desencadeadas pela Bossa-Nova é o refrão de “Atoladinha”: “Tô ficando atoladinha / Tô ficando atoladinha / Tô ficando atoladinha”, sempre com a frase evoluindo em quartos de tom, opondo-se à “prisão” musical fundada pelo canto gregoriano - a escala diatônica . Trata-se de um “metarrefrão microtonal e polissemiótico”.

É “metarrefrão” porque é tão carregado de significados, que põe em xeque todos os refrões anteriormente existentes. O que Tom Zé quis dizer, até onde consigo entendê-lo, foi o seguinte: estruturado de uma forma musicalmente ancestral – a microtonalidade – o refrão de “Atoladinha”, carregado de sensualidade no plano da música e da letra, remete à revolta dos cristãos reprimidos pelo Papa Gregório, há mais de mil anos. É “polissemiótico” porque pode levar a uma acumulação de energia de tal grandeza, que é suficiente para que o indivíduo se masturbe.


FONTE: http://identidademusical.com.br/blog/2009/04/05/a-analise-espetacular-de-tom-ze/

2 comentários :

byTONHO disse...



Curti
Comentei...
Compartilhaste!

Pau nela, mas com camisinha...

Obrigado Marcos!

:o)

P.S.iu! → vou publicar em outro momento no face e no po--etica

Marcos Satoru Kawanami disse...

Tonho,

Valeu, manobro!

=D
Marcos