domingo, 10 de fevereiro de 2013

a desejada



A DESEJADA

—Luzitânia, Luzitânia!
   —Diz aí, meu amorzinho!
—Esta insônia é uma infâmia.
   —Pois de noite estás sozinho?
—A leitura me consome.
   —Já jantaste, não tens fome?
—Tenho fome de ouvir anjos
tocando flautas e banjos.
Quero voar pelo céu
bebendo núvens ao léu...
   —Pára! Põe um pé no chão,
um pé só, um só que seja.
Na real, nada desejas
em que possas pôr a mão?
—Sim, um conto do Machado.
   —Tá... Qual? Posso ter guardado.
—“A desejada das gentes”.
   —Cá vou ver, não te apoquentes...
Achei! Posso te emprestar.
—Mas me terias pra dar?
   —Pra meter, é com cautela,
suba aqui pela janela,
seu tonto bobo lesado,
vê se vem bem retesado,
a desejada das gentes
já ficava impaciente!

Nhandeara, 10 de fevereiro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

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