quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

viola quebrada - mário de andrade e ary kerney - inezita barroso e rolando boldrin - moda de viola



VIOLA QUEBRADA

Erica arborea, pau do meu cachimbo,
é rosa brava, agreste, lá da Europa;
resiste ao fogo, ao vento, enverga a copa!,
quebrar, não quebra!, e ascende rumo ao limbo.

Érica Albernaz, rosa brava, agreste,
eu não resisto ao fogo, ao vento, e quebro
a minha perna ao meio, ao que celebro
os versos pés-quebrados que ora leste!

Erica arborea, flor que dá na vara,
por mais que desta flor açoite eu tome,
vergonha é que não tomo mais na cara...

Érica Albernaz, canto que consome
a minha voz vexada, a qual exara:
— Mais vexaria eu, se a não vexara!

Nhandeara, 17 de janeiro de 2013
Marcos Satoru Kawanami


VIOLA QUEBRADA

(Mário de Andrade e Ary Kerney)

Quando da brisa no açoite
A flor da noite se acurvou
Fui encontrar com a Maroca meu amor
Eu sentir n'alma um golpe duro
Quando ao muro já no escuro
Meu olhar andou buscando a cara dela e não achou

Minha viola gemeu, meu coração estremeceu
Minha viola quebrou, meu coração me deixou

Minha Maroca resolveu prá gosto seu me abandonar
Porque o fadista nunca sabe trabalhar
Isto é besteira pois da flor
Que brilha e cheira a noite inteira
Vem depois a fruta que dá gosto de saborear

Minha viola gemeu, meu coração estremeceu
Minha viola quebrou, meu coração me deixou

Por causa dela sou um rapaz
Muito capaz de trabalhar
E todos os dias e todas as noites capinar
Eu sei carpir porque minh'alma está
Arada, loteada, capinada
Com as foiçadas desta luz do seu olhar.

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