sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

soneto de carnaval - evocação de Jacob (Jacob do Bandolim) - jacó e raquel de camões



EVOCAÇÃO DE JACOB
(música: Avena de Castro / letra: Cristiano Ricardo)

Pedi humildemente ao céu maior
Inspiração para compor um algo mais
Que me trouxesse paz
Quem sabe poesia ou uma doce melodia
Em perfeita harmonia
Eloqüente que envolvesse a gente
E purificasse o ar

Me transportei até o céu maior
Que evocou Jacob com seu bandolim
Envolveu meu arredor
Com vibrações de sons celestiais
Jamais sentido em vida por um ser mortal

Divina melodia foi nascendo, de repente foi crescendo
Redimindo a Humanidade, ouvindo som de bandolim
Eu vi a Guerra ter um fim
Eu vi a Fome se escondendo, a Esperança renascendo
Vi o Mal se esvaindo, todo o Bem vi ressurgindo
Vi as trevas se afastando, todos os seres se abraçando
E até a lágrima vi transformar-se em sorriso
A terra de agonia, transformar-se em um paraíso



Jacó e Raquel

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pertendia.

Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.

Luís Vaz de Camões



Jacó e Raquel

Sete anos pondo fé Jacó bebia
cachaça por Raquel, mulata bela;
mas não bebia só, e sim com ela,
porquanto embriagá-la pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava contentado na esparrela;
porém a moça, usando de cautela,
jamais se embriagava, só fingia.

Vendo o pinguço, assim, que com enganos
sempre escapava sóbria a sedutora,
pudicamente e nada doidivana,

despenca-se a beber outros sete anos,
dizendo: —Mais bebera se não fora
para tão grande amor... tão pouca cana!

Marcos Satoru Kawanami



RUBICUNDA – soneto de carnaval

Eu sempre quis rimar com “rubicunda”
a farta bela boca da Mulata,
que até hoje meu peito desacata,
e meu crânio, de sangue, pois, inunda…

O Amor é fogo que arde sem que a bunda
estorve quem tem quê de diplomata
pra dizer “à francesa”, ou então na lata:
—Terreiro é pra sambar, ou levar tunda!

Mas…, por de injusto ser chamado o mundo,
não posso “rubicunda” aqui rimar
após num tal problema ir a fundo:

Insiste o Dicionário em afirmar
que é vermelho o que se diz rubicundo;
e a Mulata, esta cor, não tem pra dar…

Marcos Satoru Kawanami