quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Clara Nunes (1943-1983)


SONHO

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,

Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,

Coração de ninguém.


Fernando Pessoa, 6-1-1923



HIBISCUS

Eu tenho a minha dor, a dor é minha,
não é de mais ninguém, quem diz-me é ela,
cantante trovadora, Lira aquela
de quem a Flor do Lácio se avizinha

nas noites tais e quais o povo tinha
no tempo do Catulo e as tão singelas
canções favorecidas de aquarelas
plangentes ao orvalho com mantinha...

De um tempo, o que restou? A poesia,
e nunca a dor; porque não é a dor
dos que viram e nem dos que virão.

A dor é do poeta que sorria
e que sofria enquanto trovador
em um violão, balcão, porão... No chão.


Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

só a razão não é suficiente

molécula de água

RIMAS

        As rimas se combinam, as palavras se combinam, as letras se combinam. Combinam-se os átomos, as moléculas e as células.
        A posição das palavras determina a rima, e a posição das letras determina a palavra. A posição das moléculas determina a célula, e a posição dos átomos determina a molécula.
        No mundo material, as coisas funcionam numa relação de posição no espaço e convenção dos elementos químicos, assim como convencionamos as letras do alfabeto.
        Dessa maneira, o cérebro arquiva memórias em forma de moléculas posicionadas umas em relação às outras, que são acessadas pela alma. De forma semelhante, um poema escrito num papel pode ser lido e declamado por uma pessoa. Bem como pode ser apagado, ou jogado fora.
        Mas um poema não é audível sem que alguém o declame, assim como um cérebro não concebe um poema sem uma alma que o anime para além dos reflexos musculares e glandulares.

Nhandeara, 4 de dezembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami



cristal de água

SÓ A RAZÃO NÃO É SUFICIENTE

        Só a Razão não é suficiente.
        Uma pessoa passa por vivências usando a Razão, e não crê em Cristo.
        A mesma pessoa passa por vivências diferentes usando a Razão, e crê em Cristo.
        Disso, percebe-se que a Razão é apenas uma ferramenta, a qual pode levar a conclusões diametralmente opostas, dependendo das experiências de vida de cada pessoa, dependendo do acaso.
        Com a Fé, a pessoa deixa de depender do acaso, pois as experiências de vida são apreciadas pela Razão sob uma perspectiva ampliada de discernimento.

Nhandeara, 4 de dezembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami


terça-feira, 26 de novembro de 2013

way of life

St. Thomas touching one of the wounds of Christ.

WAY OF LIFE

I have to write in English to be heard
throughout the world, sometimes, it’s necessary,
despite my speech may be an ordinary
translation of unsang songs of a bird.

I sing the dumb, the so foolish absurd
that can be seen across the planetary
delay in kindness, care, in things that vary
a lot from words of progress, words of nerd.

A happy day is truth, and can be felt
in every single word Christ said and says,
the surety of eternal happy days.

And, like a honeycomb so sweet will melt
in our mouth, are the words of truth divine
to be your way of life, and to be mine.



Nhandeara, 26 of november of 2013
Marcos Satoru Kawanami
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        Só a Razão não é suficiente.
        Uma pessoa passa por vivências usando a Razão, e não crê em Cristo.
        A mesma pessoa passa por vivências diferentes usando a Razão, e crê em Cristo.
        Disso, percebe-se que a Razão é apenas uma ferramenta, a qual pode levar a conclusões diametralmente opostas, dependendo das experiências de vida de cada pessoa, dependendo do acaso.
        Com a Fé, a pessoa deixa de depender do acaso, pois as experiências de vida são apreciadas pela Razão sob uma perspectiva ampliada de discernimento.

Nhandeara, 4 de dezembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

soneto do hd - frase de william shakespeare


SONETO DO HD

Há mais mistérios entre o céu e a terra
do que supõe a nossa vã idéia,
pensou aquele inglês em letra véia,
e quem segui-lo é certo que não erra.

Conselho humano é vão, há sempre guerra,
a qual ensejo dá à arte atéia
da Ciência em mostrar para a platéia
como é que se desmonta o éden Terra.

Pois farte-se esse povo em dar conselho,
mas só há bom conselho na Palavra
do Cristo, só por quem eu me ajoelho.

O resto é palavrório de quem lavra
estultos manuais de tão parelhos,
se sempre o HD, um dia, trava.


Nhandeara, 26 de novembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

sem um puto no bolso


SEM UM PUTO NO BOLSO

Não vejo, nestes dias sem paisagem,
propícia ocasião de honrar lavor
em vista a ter futuro promissor,
poupando o da velhice na bagagem.

Contudo, trabalhar não é bobagem,
se o método empregado houver favor,
e a prática do olhar me faz supor
que método certeiro é a vadiagem.

Pois sempre a vadiagem riu à toa:
“comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro”,
e sai na foto bem — é gente boa!

Já quem trabalha chora o ano inteiro
na fila do humilhante, sem um puto
no bolso, furado em sinal de luto.



Marcos Satoru Kawanami

sábado, 23 de novembro de 2013

tango argentino: por una cabeza - carlos gardel e alfredo le pera - Milton Neves cabeçudo fazendo merchan.


POR UNA CABEZA

Música: Carlos Gardel
Letra: Alfredo Le Pera

Por una cabeza
de un noble potrillo
que justo en la raya
afloja al llegar,
y que al regresar
parece decir:
No olvidés, hermano,
vos sabés, no hay que jugar.
Por una cabeza,
metejón de un día
de aquella coqueta
y risueña mujer,
que al jurar sonriendo
el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera
todo mi querer.

Milton Neves cabeçudo e o merchan:

Por una cabeza,
todas las locuras.
Su boca que besa,
borra la tristeza,
calma la amargura.
Por una cabeza,
si ella me olvida
qué importa perderme
mil veces la vida,
para qué vivir.

Assista aos jogos da Série C na Rede Vida de Televisão.
Participe da promoção, e ganhe uma passagem
de ida e volta para Piabetá.

Cuántos desengaños,
por una cabeza.
Yo juré mil veces,
no vuelvo a insistir.
Pero si un mirar
me hiere al pasar,
su boca de fuego
otra vez quiero besar.
Basta de carreras,
se acabó la timba.
¡Un final reñido
yo no vuelvo a ver!
Pero si algún pingo
llega a ser fija el domingo,
yo me juego entero.
¡Qué le voy a hacer..!

domingo, 17 de novembro de 2013

Carta ao Dr. Edgar Graça Mello escrita por Noel Rosa em redondilha maior.



CARTA AO DR. EDGAR GRAÇA MELLO

“   Meu dedicado médico e paciente amigo Edgar.
    Um abraço.
    Se tomo a liberdade de roubar mais uma vez seu precioso tempo, é porque tenho certeza de que você se interessa por mim muito mais do que eu mereço.
    Assim sendo, vou passar a resumir as notícias que se referem à marcha do meu tratamento.
    E, para amenizar as agruras que tal leitura oferece, resolvi fazer uso das quadras que se seguem:

Já apresento melhoras,
Pois levanto muito cedo
E... deitar as nove horas,
Para mim, é um brinquedo!

A injeção me tortura
E muito medo me mete;
Mas... minha temperatura
Não passa de trinta e sete!

Nessas balanças mineiras
De variados estilos
Trepei de várias maneiras
E pesei cinqüenta quilos!

Deu resultado comum
O meu exame de urina.
Meu sangue: — noventa e um
Por cento de hemoglobina.

Creio que fiz muito mal
Em desprezar o cigarro:
Pois não há material
Pra meu exame de escarro!

Até agora, só isto.
Para o bem dos meus pulmões,
Eu nem brincando desisto
De seguir as instruções.

Que o meu amigo Edgar
Arranque desse papel
O abraço que vai mandar
O seu amigo Noël.”

Belo Horizonte, 27 de janeiro de 1935.
Noël de Medeiros Rosa


(copiado do livro Noel Rosa: uma biografia. autores: João Máximo e Carlos Didier. Editora Unb, 1990.)

domingo, 10 de novembro de 2013

The shape of the universe: equation in which mass and light are contained for astronomical distances - The light that is not in our path of universe is not visible for us.



The Lorenz factor will be used for high speed: V x Lorenz factor.
The light that is not in our path of universe is not visible for us.

Graphic of a trajectory from the origin of the Universe towards the
edge of the Universe, and back to the origin of the Universe again.
The Universe is that shape in all directions, but the light that is

not in our path of universe is not visible for us.
The orange represents two identical campanulas united by
it's bases, and peeled like an orange: Space expands until the
bases, and than retracts until the origin in function of Time; the unit
of measure is Space x Time.

A cada passo (x) que se caminha no Tempo e no Espaço, as porções

a serem somadas ao Tempo e ao Espaço total seguem diminuindo,
conforme as equações em integral.

Mas um observador externo ao sistema de Tempo e Espaço percebe
tanto o Tempo quanto o Espaço com um valor fixo e unitário sempre
desde o começo.
1) Conclusão: o Universo pode ser muito menos extenso do que as medições indicam.
2) Conclusão: o Universo pode existir há muito menos tempo do que parece.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

la furia - versão final


LA FURIA

Eu amo. É a única certeza minha.
Parece incongruente, à frase falta
objeto, e esvaziou-se na noite alta
do mundo, que a Plutão aqui se alinha.

Mas, desde muito infante, em mim, eu tinha
a fúria flamejante, a voz que exalta,
em tudo que se passa, a virgo arauta
da fé e da beleza, tão vizinhas...

O amor jamais acaba, há sempre um algo
além a renová-lo, incrementando
o rumo de um Quixote, o bom fidalgo...

E, assim, vou, pela Mancha, cavalgando
com a sagaz potranca que cavalgo,
por quem o amor tão sempre eu sigo amando.



Nhandeara, 23 de outubro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

listerine - "Programa bom tem que ter merchan." Milton Neves, no programa Agora é Tarde, com Danilo Gentili, Marcelo Mansfield e Ultrage a Rigor

"Programa bom tem que ter merchan."
Milton Neves, no programa Agora é Tarde

LISTERINE

O bafo de gambá da minha amada
combina com meu bafo de gambá;
talvez por ela ser tupinambá,
ou por nós sermos dois da pá virada.

Por nós, e não pornôs, que a rima amada
gargalha e ri mamada, e diz “vem cá,
não vou ser só mamada, eu quero é dá!”
— e some-se ao gambá o desbocada.

Fulana um tanto escrota é minha amada,
mas de uma escrotidão assaz tesuda,
um tipo de mulher inconformada.

E, se ela esbravejando assim bocuda,
parece uma silvícola indomada,
mais gostoso é dobrar a topetuda.



Nhandeara, 18 de outubro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

frete grátis


FRETE GRÁTIS

A graça que tu esperas é uma graça
por entre as variáveis no conjunto
do povo que tem fé, chegando junto
à Cruz, um por um com a cruz que abraça.

Parece que o divino se embaraça
às vezes no atender algum assunto,
pois tarda ou não se dá; mas eu pergunto:
tu queres o que rói o tempo, e a traça?

Está teu coração em teu tesouro;
que a graça que tu esperas seja a Graça
a qual é dela mesma o bebedouro.

Rebenta esse novelo que te enlaça,
o cosmo te conduz ao Bem vindouro,
e prova deste vinho e desta massa!



Nhandeara, 16 de setembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

http://www.padrefernandocardoso.com.br/homilias/audio/2014/2014_03/O_Pao_Nosso_13_mar_2014.mp3

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

escultura contemporânea

Eva Byte - apresentadora virtual

ESCULTURA CONTEMPORÂNEA

Um código de barras coronário
é lido, e transferido para a tela
na qual a silhueta se revela
da fêmea mais audaz no porte vário.

E, em meio a tecnológico cenário,
imprime-se em 3D, inculta e bela,
a Vênus do ideal, agora, aquela
mulher, nascida adulta e sem berçário.

Contudo é gesso... Amigo, é apenas gesso,
nas mãos de um escultor contemporâneo;
por isso, eu prego-lhe o martelo, e esqueço!

Disseram “parla!”, e o não foi instantâneo
por muito mais que aqui eu nem mereço,
mas ela pinta e borda no meu crânio...



Nhandeara, 13 de setembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

carnaval em veneza


CARNAVAL EM VENEZA

Mas acho que, afinal, sim, acho não,
porque o poema acaba, e continua
o poeta, o planeta, o sol e a lua;
contudo, céu e terra passarão.

Bobagem é você fazer questão,
pois tudo quanto é orbe lhe insinua:
o fim é recomeço, isto pontua
o dia, o ano, e até seu pé no chão.

Se, nascendo, morremos, vale o oposto:
depende do seu fim a ferramenta,
e somos nós forjados para o gosto

sentir do Criador, que Se apresenta
a cada criatura, em cada rosto
a fim de nos salvar de forma isenta.

Nhandeara, 12 de setembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Marcelo Rezende - cidade alerta


CIDADE ALERTA

Meus amigos, essa onda de bandidagem já beira as raias da ignorância. Ninguém mais sabe nem onde nem quando vai ser arregaçado pelo avesso, queimado, e mal pago. Depois a bomba explode é no IML que tem de decifrar em código morse se aquilo ali é homem, mulher, ou ser humano. E eu digo em código morse por causa da máfia, do crime organizado mesmo, infiltrado em todas as esferas da máquina pública, inclusive, meu povo, no Necrotério, que é pra continuar roubando o cidadão contribuinte de bem até no Bairro do Pé Junto!

Agora, meu povo, vejam vocês, a gente não tem mais o direito nem de saber por que a rua em que o meliante resolveu nos subtrair um pertence qualquer tem o nome que tem: ninguém responde. É delegado, é sub-prefeito, é vereador, representante de moradores, em muitos casos, ninguém vai te responder, meu amigo telespectador. Eu vou te dar um exemplo: Lá no Rio de Janeiro, pouca gente sabe por que a Avenida Marechal Floriano tem esse nome, o que é um absurdo. A Avenida Rio Branco, uma das principais da capital fluminense, você pode perguntar pra neguinho que tá passando nela mesmo, não sabe quem foi o Barão do Rio Branco. Se uma vítima for jogada por uma das janelas do Edifício Avenida Central, olha, eu acho que é capaz da polícia demorar para achar o presunto, porque ninguém mais sabe que a Avenida Rio Branco era a antiga Avenida Central.

E aqui em Sampa? A Rua Hadock Lobo tem esse nome por quê? Rua Domingos de Morais por quê? Se eu for assaltado na Loef Green, por que essa rua tem um nome bisonho desses? E se aquela dentista que foi deixada pelo amante no motel em plena Marginal Tietê, e arrumou a desculpa de que o carro quebrou, tivesse com o carro quebrado na Rua Augusta? Ah, mas daí, meus senhores, nós só temos uma explicação: o consultório da dentista faliu.

E essa agora, parece até que Salvador Dalí ressuscitou para escrever esta novela. Nunca antes na história deste país se importaram médicos, e estamos importando. Aí é que eu pergunto: Tem cupa eu? Tem cupa eu?! Claro que não! Não sou eu que ando por aí roubando o erário público, e fazendo essa cagada toda. Aliás, mamãe pregou um botão na minha bunda. Percival sabe bem do que eu estou falando, não é, Percival? Fala, Percival. Ô, múmia! Bom, quem cala consente.

Mas tudo bem, corta pra 18. Que foi? Não gostaram? Então, segue o programa. Põe na tela aí o furo de reportagem. Estão vendo o furo? Digam-me uma coisa: o projétil que furou este cidadão foi desferido por um artefato calibre 38, 45, ou esta coisa medonha é tiro de fuzil? Em alguns assuntos, é melhor manter a ignorância, não é?, meu amigo, minha amiga. Quer saber? Corta pra 18 mesmo.

Nhandeara, 28 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami

domingo, 25 de agosto de 2013

poeta maldito

Marcos Satoru Kawanami
poeta maldito - 25 de agosto de 2013

POETA MALDITO

O velho medo do desconhecido,
às vezes, move a boca do maldar
se o olho da prudência não focar
devidamente o fato; e assim tem sido.

Por tantas vezes eu ter socorrido
os outros com vontade de ajudar
sem nunca alguma paga eu esperar,
maldito ser meu nome tenho ouvido.

Querendo conhecer-me, estou aqui:
é só chegar à porta e me chamar,
respondo tudo simples, mando entrar.

Acabe de Goiás todo o piqui;
se o que escrevo também não faz sentido,
publicarei poema traduzido.

Nhandeara, 25 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami