segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

para quem?


PARA QUEM?

Se cresce a Economia, o vulgo pensa
que tem mais moradia e mais emprego,
que pode ter mais filhos com sossego,
tendo escola e saúde em recompensa.

Mas vive o povo sempre numa prensa,
e a cada geração parece cego,
barganha o voto em troca dum emprego
que gera mais emprego, voto e a crença

dum econômico crescer do bem,
na constante esperança dum porvir
com mais casa, saúde, escola..., amém.

Contudo, não se diz que é regredir
a Vida do planeta que se tem,
crescendo a Economia, e para quem?

Nhandeara, 31 de dezembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami

Um comentário :

Jarbas disse...

Bom, Marcos, se o cara troca o voto por um emprego definido, tudo bem: é um eleitor inteligente, embora pouco ético (se é que ético significa alguma coisa, o que é improvável). O que critico no Brasil, quanto aos corrompidos eleitores, é que eles se vendem barato demais: cada voto comprado sai por R$ 20,00, quando deveria ser alçado a R$ 1.000,00. Pelo menos.

De qualquer forma, parabéns pelo poema, que não é hermético (como o dos "modernistas" que interpretam malpracaralho, ou crangcranguiticamente, os manifestos do Oswald de Andrade e do criador do surrealismo em Poesia.

Os maus poetas modernistas (quase todos) despertaram em mim uma certa veia poética (não sei). E depois de poetar, ou "poetar" no blog do Pimenta, me atrevi a traduzir um poema de Robert Browning de que muito gosto, "Pied Piper of Hamelin". Tá lá, no meu blog Timblindim, nos seus primeiros 3 cantos, a incipiente tradução.