segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PACAEMBU crônica humorística - WSL women soccer league - Seleção Brasileira de Futebol Feminino - crônica futebolística - crônica de futebol feminino

Érika cobrando lateral em cambalhota.

PACAEMBU

     Nublada manhã de domingo em Sampa, a cidade maravilhosa. Pacaembu lotado até a tampa para o jogo da Seleção Brasileira Feminina de Futebol de Campo Natural do Tipo Grama Mesmo.
     Marta, camisa 10, cinco vezes melhor do mundo pela FIFA, Cristiane, a malabarista, e Fabiana Baiana compondo o ataque. No gol virginal, Andréia, virginal no sentido de “aqui termina invicto”, termina o jogo invicto, ou, quanto mais falo mais me enrolo; transmissão ao vivo é fogo... Armando as jogadas está Érika. Maurine é desfalque triste para todos.
     Do lado oposto do retângulo das bermudas, estão as Guerreiras de Dom Sebastião, raparigas de dotes fenomenais que as ouvintes da Rádio Antenada não poderão desfrutar, digo, são de elevado grau técnico, e a amiga ouvinte há de ter precisa idéia do que se passa em campo. Inclusive, lá está o repórter Euclides. Cruza daí, que eu mato nos peitos daqui, Euclides!
     —Bom dia, Luciana Montanha! Eu estou aqui com o técnico de Portugal, para ilustrar o que será o adversário do Brasil hoje. Uma palavra, mister, por favor, uma palavra sobre a sensacional revelação portuguesa Ana Borges, jogadora do Zaragoza, que hoje enverga a camisa 9 em vez da 16. Por que a mudança?
     —Conquistou.
     —Não entendi.
     —Ó gajo, vocês brasileiros são burros, ié? Tu pediste 1 palavra. Ora, resumi em 1 palavra. Mas se queres que eu diga tudo, vá lá! Iela conquistou a camisa titular, ó pá! Seja mais racional, seu puto.
     —Puto é a mãe, pra começo de conversa. Tá bom para o mister?
     Mister, mister! Não dê ouvidos ao puto Euclides, é que a esposa dele acabou de meter-lhe um par de chifres durante a Guerra de Canudos.
     —E eu tenho lá de ver com isso?
     —Luciana, que parada é essa de chifres?
     Ih, falei. Você ainda não sabia?
     —Não.
     O corno é sempre o último a saber...
     —Haaa —faz o mister— toma!
     —Eu estou trabalhando. Portuga já parte logo para a ignorância...
     —Quem botou a mãe no meio foste tu, seu puto.
     —E pára de me chamar de puto.
     —Antes que eu me esqueça. Ié, partimos mesmo para a ignorância: não põe a mãe no meio, senão eu ponho no meio da mãe!
     —Ah, é?
     —Não sei não. No teu caso, é no meio...
     Corta o link! Desiste desse portuga. Passa a escalação lusa.
     —Cacetão...
     Opa, já deu de baixaria.
     —Cacetão, número 11. Cabeleira, número 10. Ana Borges, número 9... Miss Universo, número 1 no gol.
     Quem apita é a libriana Joaquina Barbosa, árbitra renomada pela dura lex sed lex. Bandeirinhas Carretel e Dona Linha.
     Começa a partida no Pacaembu!
     Se manda Érika, descola o lançamento. Fabiana Baiana está impedida. Eu vi na mesma linha. A bandeirinha Carretel não quis dar linha não.
            Ana Borges dispara, mete entre as pernas da oponente, a bola quica; que é isso? Eu vi Ana Borges fazer um chapéu cinematográfico, e lança Cacetão na grande área. Encosta Cabeleira pra receber Cacetão. Bagé estraga a festa e bota Cacetão de lado. Cacetão cai e se enrosca com Cabeleira, num lance pra lá de duvidoso... Será que é lance pra cartão, minha Neta?
—Olha, vovó, Dona Linha não deu nada e sinalizou para a árbitra. Não é costume da Bagé cometer um pênalti assim... A arbitragem manda seguir, minha vó.
            Falou, minha Neta. Agora é a Marta com o balão, começa tudo de novo, Bagé, pra Érika, lança Cristiane em situação irregular. Mas a bandeirinha Carretel deu linha; olha o perigo! Detona o bambu Cristiane! Miss Universo vai lá onde o morcego se pendura. Agora, Marta à queima-roupa. Que elasticidade bestial! Miss Universo não deixa as bola entrá, queridas ouvintes. Este lance foi tão bom quanto pintar como eu pinto.
     Depois dessa, a gente não sai daqui no zero a zero...

Nhandeara, 10 de dezembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami