quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Jaquelino e Tatiano em: Bago's Bar TV - TV Macho Culinária com Luis Fernando Guimarães - Jaquelino (Rafael Marinho) e Tatiano (Biscuí) - bar do hermano - os impedidos



Jaquelino e Tatiano em: Bago's Bar TV

Em off:
     —Que foi? Paneleiro não! Ó, hein..., paneleiro não!
Voz da diretora:
     —Atenção estúdio. Iluminador, on. Silêncio. Set. Jaquelino... Porra, Jaquelino!
     —Hã.
     —Agora... Vai!
Programa entra ao vivo:
     —Buenas, minhas senhoras! E, pros bagual, uma força aí na maromba, rapazeada da estiva. Pros chegado do programa, é nóis aqui travêz. Pros de hoje, meu nome é Jaquelino Passo Fundo; e aquele chucro de três... hã? A diretora mandou eu não atribuir dotes físicos ao meu assistente. O índio velho que vocês estão vendo aí é meu assistente Tatiano, colono de Bagé. Fala, Tatiano Colono!
     —Oi.
     —Ele é tímido, eufemismo de curto e grosso, no más.
     —Eufemismo é a mãe, tchê!
Diretora intervém:
     —Corta pro garoto propaganda...
     Em uma mesa bonita cheia de babado com renda estão empilhados lindamente 53 frascos de óleo de fígado de bacalhau. Atrás da mesa bonita o moço bonito diz:
     —Estudos científicos feitos bem longe, muito longe, e que vêm sendo feitos há muito tempo comprovam que os portugueses só trouxeram de gostoso o Bacalhau da Maria; mas você, minha dona de casa, é privilegiada com o Bacalhau Norueguês! Com este bacalhau, eles conseguem o óleo de fígado de bacalhau, que tem um sabor delicioso, e é de dar cãibra na língua, e cair o cu. Experimente! (e dá uma beijoca no frasco)
Diretora diz:
     —Agora, volta pro Jaquelino.
Continuando:
     —Hoje, vou queimar lata com picadinho carioca de feijoada e banana empanada; comida criada para matar a fome na boemia, e que virou tradição no Rio e em São Paulo. Abraço forte pro Marcos Satoru, macho véio de Vila Alpina, aproveitando o foguinho do crematório pra fazer nossas receitas; é isso aí, paulisponês! Bom, enquanto pego um pedaço de estopa pra lavá a mão, o Colono dá a receita.
Silêncio total no estúdio.
     —Fala aí, Tatiano Colono.
     —Tá aparecendo tudo escrito na tela do pessoal em casa.
     —Mas tem o público cego.
     —Ah, a inclusão digital.
     —Essa é no doutor.
     —E que inclusão é?
     —Inclusão de todo o mundo em todo o mundo, ué.
     —Ah, virou bacanal agora?
     —Cala essa boca!
     Silêncio no estúdio de novo...
     —Diz a receita.
     —Ó, minha senhora, é assim:
1) um punhado de feijão, punhadinho pequeno.
2) uma banana nanica
3) uma lingüiça
4) outro punhadinho, mas de arroz
5) um ovo
6) farinha de rosca, um tantinho

     —Então, o arroz, faz normal. O feijão é tipo feijoada, minha senhora, tempera a gosto; cê vai vê o Jaquelino fazendo. E a banana e a lingüiça, pica na faca. Hã, diretora? Então, pica na faca, ué? Pica na faca?! Que tem pica na faca, não pode picar na faca? Ah, aí pode... Então, minha senhora, banana e lingüica é picar na faca. Pica na faca, não.

Jaquelino (Rafael Marinho)
Continua Jaquelino:
—Aqui eu já deixei o feijão cozinhando. Se fizer para mais gente, é bom panela de pressão, mais rápido. Mistura o alho picado, o refogado de costume com cebola e alho; quem não gosta de cebola, não, claro. Pimenta, é pra quem güenta. A pimenta dá dois prazeres: quando entra, e quando sai, ditado baiano. No Rio Grande não se dizem certas coisas, mas aqui a coisa é nacional, tchê. E a gauchada vai se amaneirando, oigalê!
Diretora:
     —Não te empolgues, ô da bombacha.
     —O arroz não é de tropeiro, então, refogado simplesmente fi-lo, porque qui-lo, à moda paulistana mesmo.
     —E o ovo... Tatiano, passa o ovo.
     Tatiano recuou cinco passos, e se encolheu.
     —Tchê, não é o que te sobra na natureza.
     —Tó. — e recuou de novo, precavido.
     E, no frigir do ovo e da banana empanada, cocluiu-se o prato do dia com a bela decoração. Programa ao vivo é pra quem pode. Fim.

Tatiano (Biscuí)
Em off de novo:
     —Eh, paneleiro da porra!
     —Paneleiro é a mãe!
     —Ô, gaúcho, tua mãe não é hômi...
     —É hômi sim! Minha mãe é mais hômi que tu! Haaa, sacaneei!

Nhandeara, 5 de dezembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami

2 comentários :

Jacques disse...

Olá, Marcos.
Que saudades da Tv Pirata e do seu humor praticamente proibido para a tv aberta atualmente.
Excelente seu texto; nós gaucheses tendemos ao exagero mesmo, e as diferenças regionais sempre acabam em piada.
Abraço.

Tsu disse...

Oi Marcos.
Ah eu já sou do signo de Libra rs. Quando faço o Papo Furado nunca penso muito, simplesmente vou escrevendo o que vem na cabeça XD.
Muito legal o texto...culinária ao vivo ahshashas
bjs