sexta-feira, 2 de novembro de 2012

vênus eternizada - a um poeta - olavo bilac



VÊNUS ETERNIZADA

Calado na clausura assaz vibrante
ainda da virgínea mocidade,
rimando em verso heróico, feito um frade
irmana-se ao que vê e o além distante,

nasceu em mim o eu-lírico cantante
exímio em provocar a urbanidade...
Milo recebe a Vênus por beldade
outrora, peladona ao peito amante;

retive, sofreei, de minha parte,
a verve que tal musa move ao verso:
narrei a vida como a é em Marte(?!);

depois é que encontrei-me no Universo
inusitadamente, ao léu da Arte.
Eternizei-te, essência, e sou disperso...

Marcos Satoru Kawanami



A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E, natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

Olavo Bilac

2 comentários :

Francisca Matos disse...

Parafraseando livremente a fílmica frase: que as Musas estejam contigo, Marcos. Dominas, e muito bem, a grande arte do soneto. Gistei especialmente do segundo, dedicado a Olavo Bilac, que suponho ser um dos teus poetas de eleição.

Paulo Vitor Cruz disse...

a distância nos últimos da net e do universo blogger me fez falta mto tbm por poder passar no seu blog p ler seus textos, cara.. na moral.

abraço.