quinta-feira, 8 de novembro de 2012

soneto hebreu


SONETO HEBREU

Hebreia, não permitas tu que eu morra
de amor, paixão, desejo! E, num harpejo
em sustenido ao dó de peito, arquejo:
—Feriu-me na cabeça alguma porra?

Romântico é jogar-se na masmorra;
romântico não sou, mas, ora vejo,
sou emo, dá no mesmo se o ensejo
apenas troca a touca pela gorra...

Hebreia, ver-nos-emos num sorriso;
se ver nos emos algo hilário é pouco,
cai dura: o dó de peito fez-me rouco.

Entanto, hebreu que sou sem quatro sisos
na boca, beijarei teus pés hebreus
no ninho sempre nosso aos pés de Deus...

Nhandeara, 8 de novembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami