quarta-feira, 21 de novembro de 2012

soneto do umbigo - intertextualidade - interdisciplinaridade - paráfrase satírica, paródia a soneto de gregório de matos guerra - batuques de terreiro - batuque de umbigada



Vaidade Humana Por Metáforas

É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

Gregório de Mattos e Guerra



SONETO DO UMBIGO

É a vaidade, Fábio, mais-valia,
rezava a velha letra da gazeta
no dia em que Gregório da caneta
serviu-se em prol de nova ideologia:

Não deve o Capital fazer orgia,
cagando na cabeça do perneta
assíduo proletário da muleta,
enquanto vai Raquel, ficando Lia!

Que baita sacanagem! Vou propor,
vós ides concordar aqui comigo:
mudemos o Sistema Produtor.

Porém, a ideologia, meu amigo,
também era vaidade, e de doutor;
valia mais o bom vai dá de umbigo!

Marcos Satoru Kawanami




BATUQUE DE UMBIGADA

     Embora as diversas culturas e religiosidades ocidentais atribuam à criança, à virgem e ao idoso, a pureza e, portanto, lhes atribuam significados sagrados, nas crenças africanas o casal adulto, reprodutor, também carrega o valor do sagrado. Pois o casal está vinculado à geração da vida e assim, a sexualidade não é reprimida. A punga representa simbolicamente a união de homem e mulher, a continuidade da vida através da reprodução.
     Nos desenhos da prancha retratamos o cenário do interior de São Paulo, onde o Batuque de Umbigada acontecia, principalmente, nas fazendas de café e cana-de-açúcar. A cidade especificada no desenho é Piracicaba, tornando-se obrigatória a representação do rio, o qual caracteriza a relação do sagrado entre o homem e as águas. Principalmente pela representação de Oxum, Orixá das cachoeiras.
  

     Os trajes da festa evidenciam o trabalhador rural sem perder os caracteres da cultura africana: mulheres com um pequeno turbante na cabeça (as mais jovens usam apenas uma faixa na cabeça e possuem cabelos trançados), blusas brancas decotadas, colares pendurados no pescoço, semelhantes aos fios de conta. Usam brincos e pulseiras, saias rodadas e compridas, hoje, são muito estampadas, na maioria das vezes são de chita; Os homens usam camisas abertas e calças folgadas, com os pés no chão e também com colares no pescoço.
     Os mestres, sábios da tradição do batuque, podem ser um pai-de-santo, uma mãe-de-santo, ou simplesmente pessoas mais velhas na comunidade. Pois esses trazem aos mais jovens as histórias dos ancestrais, as lembranças e conhecimentos do povo africano que foi trazido ao Brasil.
     Durante a dança, quando os participantes "afirmam o ponto", ou seja, cantam, repetindo texto e música, o primeiro a dar umbigada é o "modista”. Assim, os demais batuqueiros começam a dançar. Dão umbigadas seguindo o ritmo do tambu. Quinjengue e matraca são tocados freneticamente. Os batuqueiros dão três umbigadas, voltando aos seus lugares iniciais. Depois são as mulheres que vão até os homens para dar umbigadas. Repetindo a seqüência com as mais diversas músicas e pontos, no geral elas contam sobre os Orixás, o trabalho dos negros e elementos da natureza. Mas nunca as músicas são inocentes, sempre resguardam um conhecimento do povo ou contam histórias de maneira codificada. Essa é uma das características comuns aos rituais e danças de batuque, a resistência cultural através do canto.