quarta-feira, 28 de novembro de 2012

o sincerossídio

Vai um sincerossídio aí?

O SICEROSSÍDIO

            Entrevista de emprego. Estou eu lá entrevistando uma resma de retardado, até que chega aquele escroto:
            —Bom dia. Qual a sua data de nascimento?
            —20 de novembro de 1960.
            —Ah... Escorpião, 52 anos?
            —Claro, pô! Nasci em 60, tenho 52. Mas, quanto ao Escorpião, não me defendo com o rabo.
            —Eu nasci em 15 de novembro de 75, e sou de Escorpião.
            —Ah, desculpa aí o mal jeito.
            —Ok. Por que você quer este emprego?
            —Pra ter um salário.
            —Trabalhar não?
            —Olha, tu perguntou por que eu quero; trabalhar é conseqüência óbvia, e eu cumpro meu dever; senão perco o emprego, e o salário.
            —Cara, o senhor é grosso, hein?
            —Não, grosso é...
            —Pára, olha o respeito!
            —E o direito de andar nu?
            —Aí avacalhou... Segurança!
            —Não, calma. Os índios estavam pelados quando tudo isto chamado Brasil começou.
            —E daí?
            —Daí, neste calor medonho, eles tinham razão. Decreta aí a Lei do Nu Facultativo.
            —E, garçon, desce mais 1 chopps e 2 pastel. Cá dê o currículo.
            —Pode perguntar tudo, sei decor.
            —Eita escrotidão, você. Por que não imprimiu currículo?
            —É só dar uns telefonemas que tu confirma toda a minha vida pregressa. Pode até ligar pro Obama.
            —O senhor trabalhou para o presidente americano?
            —Não, mas você pode ligar.
            —Agora, à vera: Trabalhaste onde?
            —Trabalhei na NASA.
            —Posso ligar pra lá?
            —Pode.
            Eu telefonei para a NASA, mas nada confirmaram do porrolho que ora me aporrinhava.
            —Negativo, colega.
            —Trabalhei em um projeto que deve manter-se secreto.
            —Vá te catá, seu!
            —Implantaram um chip explosivo em meu crânio. Se eu começar a revelar as idéias da coisa, detonam meus cornos, e é miolo pra todo lado.
            —Segurança, leva.
            —Não, brincadeira. Eu era gari da Comlurb em Olaria. Minha mãe perdeu o pé na linha do trem. Não sei quem é meu pai. Tem dó... Não, não, solta eu! Tive que me prostituir com 12 anos pra dá de comer pros meus irmãos...
            É, meus amigos, eu não tive dó, nem SI sustenido fosse. Botei na rua. Como dói minha consciência agora. Enfim, eis aqui o sincerossídio de minha confissão exposta a vossos olhos, “ó leitores, vede-a com mágoa, vede-a com piedade, que ela busca piedade e não louvores”...

Nhandeara, 28 de novembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami

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