sábado, 10 de novembro de 2012

Míriam Batucada - uma existência sofrida e muito triste de artista não reconhecida



Míriam Batucada, nome artístico de Miriam Angela Lavecchia, (São Paulo, 1º de janeiro de 1947 — São Paulo, 2 de julho de 1994) foi uma cantora brasileira, principalmente de samba.


Miriam era neta de italianos, tanto por parte de mãe, quanto por parte de pai. Nasceu aos 28 de Dezembro de 1946, mas foi registrada no primeiro dia de 1947, assim ganhando "um ano", como se dizia antigamente. Miriam fez um curso técnico de digitadora pela IBM e chegou a trabalhar na Arno, sendo despedida por batucar no teclado.
Quando pequena, conheceu uma menina que tinha o apelido de Chacareira, a qual lhe ensinou a batucar com as mãos durante três meses. No começo, despontava um samba devagar, o que dias de prática fez se tornar um ritmo frenético e no compasso de qualquer samba.



Em 1967 recebeu o convite para participar do programa do Blota Jr. Sua apresentação durou duas horas e maravilhou todo público e o apresentador, e de quebra, Miriam ainda tocou todos os instrumentos que se encontravam no palco da TV Record naquele dia : piano, bateria, harmônica, violão, cuíca, além de batucar na mesa do apresentador e mostrar também a sua batucada nas mãos.
No dia seguinte já era representada pelo famoso empresário Marcos Lázaro, sendo contratada pela TV Record; participou do Programa da Sônia Ribeiro e em seguida ganhou um programa com Ronie Von nas tardes de sábado. E foi durante sua apresentação num programa de televisão que Cidinha Campos a intitulou de Miriam da Batucada. Como o "da" na época não estava na moda, o extraiu e ficou só com o codinome de Miriam Batucada.

Teco teco foi gravada também por Míriam em 1974.
Esta é uma gravação de Gal Costa, em compasso mais lento.


Também gravada por Míriam em 1974 na mesma faixa
do samba Teco teco, no LP "amanhã ninguém sabe".


Em 1968 gravou o compacto pela Rozemblit "Batucando nas mãos (de Renato Teixeira)/ Plác-tic-plác-plác (de Walter Peteleco)", produzido por Côrte Real. Já apresentava sua famosa batucada nas mãos nessas músicas. Começou, nessa época a ser muito requisitada para espetáculos, e chegou a até fazer apresentações no exterior.
Apesar de seu samba ser relativamente tradicional, Miriam era pessoalmente muito criativa e aberta. Não teve problemas para gravar um um disco relativamente inovador com Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Edy Star em 1971, chamado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10. Em 1973 gravou um compacto pela CBS com produção de Raul Seixas.



Faleceu precocemente, sendo encontrada morta em seu apartamento onde morava só no bairro de Pinheiros, por sua irmã Mirna, que residia em Maringá, 21 dias após ter sofrido um infarto fulminante.
Pontos marcantes na personalidade de Miriam eram sua extrema simpatia e simplicidade. Como intérprete, tinha uma noção de ritmo muito boa. Um de seus sucessos era Teco Teco, de Pereira da Costa[desambiguação necessária] e Milton Vilella. A canção hoje não é mais associada a ela, depois que Gal Costa também a gravou.

canção de autoria dela

Com fortes raízes italianas, Miriam era muito ligada a um bairro tradicional de São Paulo, a Mooca.
Apesar de seu samba ser relativamente tradicional, Miriam era pessoalmente muito criativa e aberta. Não teve problemas para gravar um disco relativamente inovador com Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Edy Star em 1971, chamado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10.


Alma da Festa tornou-se seu disco mais conhecido, e também o mais encontrado na Internet.
Juntamente com Marcix (compositora, vocalista e produtora cultural) compôs a música "Salve Rainha", homenagem a Chico Mendes.

2 comentários :

Francisca Matos disse...

Marcos, não conhecia (grave lacuna, confesso) e adorei. Obrigada :)

Marcos Satoru Kawanami disse...

Francisca,

Sim, uma homenagem póstuma.