sábado, 17 de novembro de 2012

hibiscus - Arnaldo Antunes - de mais ninguém


HIBISCUS

Eu tenho a minha dor, a dor é minha,
não é de mais ninguém, quem diz-me é ela,
cantante trovadora, Lira aquela
de quem a Flor do Lácio se avizinha

nas noites tais e quais o povo tinha
no tempo do Catulo e as tão singelas
canções favorecidas de aquarelas
plangentes ao orvalho com mantinha...

De um tempo, o que restou? A poesia,
e nunca a dor; porque não é a dor
dos que viram e nem dos que virão.

A dor é do poeta que sorria
e que sofria enquanto trovador
em um violão, balcão, porão... No chão.

Marcos Satoru Kawanami

4 comentários :

BAR DO BARDO disse...

Excelente "perfomance" lírica. Digna do bom Kawanami.

Parabéns!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Bardo,

A tônica na segunda aprendi contigo. Muito obrigado por me ensinar este acréscimo de efeito sonoro.

=)
Marcos

Jacques disse...

Olá, Marcos.
Belo poema; somos lembrados a todo instante de nossa natureza mortal e efêmera, e a única coisa que podemos fazer quanto a isso é tentarmos criar algo que será maior do que nós.
Abraço.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Jacques,

Outro dia tentei fazer um diálogo no estilo dos que vc faz bem divertidos, mas não saiu bom, ficou meio sério; é um falando do meu Corinthians.
O clima pesou, porque brinquei com esta parada de fim de mundo, que não acredito obviamente, mas pesou o clima, porque bah, neguinho há que tem medo disso, tchê!

=D
Marcos