sábado, 17 de novembro de 2012

hibiscus - Arnaldo Antunes - de mais ninguém


HIBISCUS

Eu tenho a minha dor, a dor é minha,
não é de mais ninguém, quem diz-me é ela,
cantante trovadora, Lira aquela
de quem a Flor do Lácio se avizinha

nas noites tais e quais o povo tinha
no tempo do Catulo e as tão singelas
canções favorecidas de aquarelas
plangentes ao orvalho com mantinha...

De um tempo, o que restou? A poesia,
e nunca a dor; porque não é a dor
dos que viram e nem dos que virão.

A dor é do poeta que sorria
e que sofria enquanto trovador
em um violão, balcão, porão... No chão.

Marcos Satoru Kawanami