terça-feira, 13 de novembro de 2012

da existência de Deus - do Corinthians x Palmeiras - e da necessidade devezenquandária de um deixa de frescura, meu filho querido - alternativa homeopática para a terapia do joelhaço do Analista de Bagé - e do fim do mundo - fran pasquini: futebol, é.


Aquele aluno aplicado, phylosóphyco, cheio de tesão pra dar, que fica olhado a paisagem na aula, e eu imagino que é por causa da rapariga gostosa lá fora, de repente me vem com escrotidão:

- Deus existe?
- Comé que é?, seu puto.
- Existe ou não, é ou não é? Mais ou menos é medida de cu.

Olhei pela janela, um tremendo verão da porra, o asfalto fumegando feito aqueles filminho da savana que passa na TV Escola pra ensinar: tá reclamando do salário?, professor, olha lá que merda é na África... Senti a cabeça fumegar também, que o telhado todo da escola é de amianto, e... ah, férias na África...

- Quer saber? O que eu sei é que eu não existo, tu não existe, esta porra de escola não existe, e tu tá inventando tudo aí do nada, que também não existe!
- Hã?
- Meu filho, o que existe é Corinthians e Palmeiras, e um não existe sem o outro. Valeu?
- Valeu, professor. O senhor toma remédio?
- Quem toma remédio é tua mãe, só não tomou para ter você.
- É..., acho que tem uma história dessas lá em casa.
- Mas só se preocupe com Corinthians e Palmeiras, mesmo que tu for sãopaulino ou peixe, atleticano ou raposa.
- Por quê?
- Porque este ano o Corinthians vai ser campeão do mundo, sinal dos tempos... E o Palmeiras já está rebaixado.
- E daí, fessor?
- Daí que 2012 é o fim do mundo mesmo, seu porro! Corintiano não é mais sofredor, nosso passaporte deixou de ser bilhete de metrô; e ano que vem não há Corinthians vs Palestra. Acabou-se tudo.
- Eu quero minha mãe...
- Tua mãe também não existe!
- Hã?!
- E aí, enxergou que tudo existe?

Nhandeara, 13 de novembro de 2012
Marcos Satoru Kawanami