sábado, 1 de setembro de 2012

Quadras do Meu Outono - Clarisse Barata Sanches


Clarisse Barata Sanches

Algumas Quadras de Clarisse

Neste meu verso primeiro
Vai p’ra Deus meu pensamento,
P’ra me servir de roteiro
No livrinho que apresento.

Lá do Céu me veio a ideia
Do que está reproduzido,
Pois senti minh’alma cheia
Dum fervor desconhecido.

E se a ele lhe não dei,
Por não saber, mais beleza,
Tem do que sempre gostei:
— Muito amor e singeleza.

Aos meus queridos leitores
Peço que aceitem assim:
Como sendo simples flores,
Do meu pequeno jardim.

Vai livrinho pelo espaço,
Vai por esse mundo além;
Leva de mim um abraço,
Dá-o a quem te queira bem.

Quando nasceu Deus menino,
Ante um sorriso tão doce
Que trazia a paz, num hino,
O curral iluminou-se!

Seja sempre o nosso lar
Um Santuário de amor,
Onde se possa louvar
A cada instante o Senhor.

A casinha de Maria
Tinha só duas janelas,
Mas Jesus, quando as abria,
Iluminava-a de estrelas!

Se a vida fosse amorosa
Livre de toda querela,
Seria o mundo uma rosa
E nós as pétalas dela.

Palavra linda de amor
Precisava que viesse
À mente, para compor
Um hino que Deus merece.

As aves todas em bando,
De Nazaré a Belém,
Faziam alas, cantando,
À Virgem que ia se mãe.

Por divino pensamento
Jesus nasceu no curral,
Com afagos dum jumento
E pobrezinho bragal.

Do Presépio de Belém
Até se sacrificar,
Jesus revela-nos bem
Como viver e amar.

O mundo seria lindo
Se fosse sempre Natal,
Com Deus Menino, sorrindo,
Ante a Paz Universal!

Nenhum deleite do mundo
Se poderá comparar
Ao amor terno e profundo
Que Jesus tem no olhar!

Riquezas que valor tem
Se as cá deixamos ficar?
Tesouros? Só os do bem,
Que a alma possa levar.

Bendita a água do monte
Que desce do Céu por graça
E a cantar vem para a fonte
Matar a sede de quem passa.

O Pai Nosso é oração
Que Jesus deixou, por guia,
P’ra rezar com devoção
E reflectir cada dia.

Deus pôs o Céu nas alturas,
Para ninguém lhe tocar
E sejam essas venturas
Só para quem as ganhar.

Sempre os anos de Maria
Tinham perfumes e rosas
Que Jesus lhe oferecia
Nas suas mãos amorosas.

Quando a neve cai, brilhando,
São flores que o Pai Eterno
Vai lá do Céu desfolhando
Para alindar o Inverno.

As palavras do Senhor
Refulgentes como a prata,
Todas inspiram o amor
Que a Sua alma retrata.

Ai, quem me dera sonhar,
Sonho lindo de asas belas,
Morrer, depois, acordar
Num travesseiro de estrelas!

Jesus nasceu num curral
Para ensinar, simplesmente,
Que quer assim o Natal
Na alma de toda a gente.

A História de Jesus
Com dois milénios, é ela
A que irradia mais luz,
A mais cantada e a mais bela.

Clarisse Barata Sanches (trecho de versos iniciais do livro “Quadras do Meu Outono”, 1989, dedicado à memória da sobrinha e afilhada Graça Maria)