sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"corno" - charge do arquiteto TonhOliveira

"O nosso amor é tão bonito:
ela finge que me ama,
e eu finjo que acredito..."
(Dicró)


TROVA DO CORNO

Se sou corno ou sou honrado,
isso nada me interessa;
eu só sei que, do meu lado,
ela finge bem à beça!

Marcos Satoru Kawanami

sábado, 15 de setembro de 2012

Teologia da Computação - versão ampliada em 15 de setembro de 2012


TEOLOGIA DA COMPUTAÇÃO

        O vivente sem um braço mantém a consciência de si, o braço não contém a sua essência. O vivente sem os olhos mantém a mesma consciência, os olhos não contêem a sua essência. O vivente que perde parte do cérebro, e volta a si, não tem sua essência em todo o cérebro, mas em alguma parte do que lhe sobrou do cérebro.
       Daí, se isolássemos a parte do cérebro que detém a consciência de si do cidadão, e a mantivéssemos em condições vitais, estaríamos preservando a essência de um ser humano e o mantendo realmente vivo?
       Então haveria de ser um pedaço de massa encefálica o ser humano em si, a sua essência?
       Talvez, esta parte de cérebro seja um magnífico hardware onde atue o software que tenho por costume denominar alma.
       E, caso este software não saia do hardware após a pane geral e cabal, será possível que uma espécie de antena transmita, em tempo real on-line, atualizações do vivente para um back-up superior?
       A gente não é fisicamente e quimicamente o mesmo que era na infância, ou mesmo há alguns dias atrás; os elementos de nosso corpo mudam e se renovam com o passar do tempo; mesmo o cérebro, que se mantém mais estável, muda e se renova com o tempo, conexões são feitas e desfeitas a cada instante entre os neurônios, e os elementos químicos entram e saem de lá.
       De maneira que o hardware cerebral altera-se com o tempo, enquanto que o software alma mantém-se o mesmo; por isso mantemos a unidade da consciência de nós mesmos durante a vida, somos a mesma alma do começo ao fim da vida.
            Conforme já exposto, a alma tem papel de software sobre o hardware cérebro. Contudo, no feto, ocorre a dualidade da alma, em que a alma exerce função tanto de software quanto de hardware: A alma é hardware ao atuar sobre o sofware DNA, fazendo com que as informações do DNA resultem em ações materiais na formação do cérebro; e a alma é sofware já atuando no cérebro do feto. Disto, pode-se supor que a cada célula que nasce em qualquer parte do corpo há atuação da alma enquanto hardware, e mesmo a reprodução de seres unicelulares são orquestradas por alguma forma de hardware que lê o software DNA.

Marcos Satoru Kawanami
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PS: O que está escrito na cor verde foi escrito hoje.

sábado, 1 de setembro de 2012

Quadras do Meu Outono - Clarisse Barata Sanches


Clarisse Barata Sanches

Algumas Quadras de Clarisse

Neste meu verso primeiro
Vai p’ra Deus meu pensamento,
P’ra me servir de roteiro
No livrinho que apresento.

Lá do Céu me veio a ideia
Do que está reproduzido,
Pois senti minh’alma cheia
Dum fervor desconhecido.

E se a ele lhe não dei,
Por não saber, mais beleza,
Tem do que sempre gostei:
— Muito amor e singeleza.

Aos meus queridos leitores
Peço que aceitem assim:
Como sendo simples flores,
Do meu pequeno jardim.

Vai livrinho pelo espaço,
Vai por esse mundo além;
Leva de mim um abraço,
Dá-o a quem te queira bem.

Quando nasceu Deus menino,
Ante um sorriso tão doce
Que trazia a paz, num hino,
O curral iluminou-se!

Seja sempre o nosso lar
Um Santuário de amor,
Onde se possa louvar
A cada instante o Senhor.

A casinha de Maria
Tinha só duas janelas,
Mas Jesus, quando as abria,
Iluminava-a de estrelas!

Se a vida fosse amorosa
Livre de toda querela,
Seria o mundo uma rosa
E nós as pétalas dela.

Palavra linda de amor
Precisava que viesse
À mente, para compor
Um hino que Deus merece.

As aves todas em bando,
De Nazaré a Belém,
Faziam alas, cantando,
À Virgem que ia se mãe.

Por divino pensamento
Jesus nasceu no curral,
Com afagos dum jumento
E pobrezinho bragal.

Do Presépio de Belém
Até se sacrificar,
Jesus revela-nos bem
Como viver e amar.

O mundo seria lindo
Se fosse sempre Natal,
Com Deus Menino, sorrindo,
Ante a Paz Universal!

Nenhum deleite do mundo
Se poderá comparar
Ao amor terno e profundo
Que Jesus tem no olhar!

Riquezas que valor tem
Se as cá deixamos ficar?
Tesouros? Só os do bem,
Que a alma possa levar.

Bendita a água do monte
Que desce do Céu por graça
E a cantar vem para a fonte
Matar a sede de quem passa.

O Pai Nosso é oração
Que Jesus deixou, por guia,
P’ra rezar com devoção
E reflectir cada dia.

Deus pôs o Céu nas alturas,
Para ninguém lhe tocar
E sejam essas venturas
Só para quem as ganhar.

Sempre os anos de Maria
Tinham perfumes e rosas
Que Jesus lhe oferecia
Nas suas mãos amorosas.

Quando a neve cai, brilhando,
São flores que o Pai Eterno
Vai lá do Céu desfolhando
Para alindar o Inverno.

As palavras do Senhor
Refulgentes como a prata,
Todas inspiram o amor
Que a Sua alma retrata.

Ai, quem me dera sonhar,
Sonho lindo de asas belas,
Morrer, depois, acordar
Num travesseiro de estrelas!

Jesus nasceu num curral
Para ensinar, simplesmente,
Que quer assim o Natal
Na alma de toda a gente.

A História de Jesus
Com dois milénios, é ela
A que irradia mais luz,
A mais cantada e a mais bela.

Clarisse Barata Sanches (trecho de versos iniciais do livro “Quadras do Meu Outono”, 1989, dedicado à memória da sobrinha e afilhada Graça Maria)