segunda-feira, 6 de agosto de 2012

a vida é filme - a vida não é filme - o amor é filme - cordel do fogo encantado

Claire Bloom e Charles Chaplin no filme "Luzes da Ribalta" do ano de 1952.

A VIDA É FILME

Por que escravo do Verso sempre vivo?;
se não faço o poema, sinto frio;
porém, após fazê-lo, estou vazio:
com fome e frio, liberto, mas cativo.

Escravos todos são, muda o motivo
que empenha a força régia do seu cio
por mares de Camões e de gentio,
a fim de nesta vida estar altivos.

Cumprimos, no planeta, um só papel
de morte e Vida igual sem exceção,
e cobre-nos o corpo, que é um véu.

Parece todo o Drama escravidão,
fugir-se deste Filme é estar no Céu,
porém filmamos nossa redenção.

Marcos Satoru Kawanami


A VIDA NÃO É FILME

Quitou-me o romantismo esta verdade:
—A vida não é filme nem romance!—
Incauto o adolescente que se lance
a dar vaza ao Amor em tenra idade…

Mais vale bem-querer Sobriedade,
casta lira impassível ao alcance
da cupidez mundana que lhe avance
no esplendor da virgínea mocidade.

Não à toa os antigos, por costume,
prezavam a senil opinião,
que vivência e razão enfim resume.

Amor? Existe. Longe da paixão,
do romantismo e do carnal betume:
—Conjugo o verbo amar, sem transição.

Marcos Satoru Kawanami