domingo, 19 de agosto de 2012

de moralis - about moral - über moralische - philosophical essay



ALMA E MORAL

            Ao se observar a matéria, notamos facilmente que esta é animada, movendo-se macro e microscopicamente amiúde. Donde vem a questão do que animaria a matéria, o que seria e como seria a sua alma. Um aparato que exemplifica o ânimo da matéria pode ser o da fileira de dominós derrubando uns aos outros em seqüência: A matéria é animada pela lei de causa e efeito.
            A consciência e vontade própria, que são capazes de transgredir a lei de causa e efeito da matéria bruta, desassociam a alma do vivente da matéria. Senão agiríamos sem saber, sem autocrítica, agiríamos como uma reação química ou uma pedra caindo sem dar conta do que estávamos fazendo, à semelhança de um protozoário.
            Quando surgem a piedade, a condolência, o Amor enfim, a alma desassociada da matéria é Sentimento, é a Boa-Vontade, é o Verbo: imagem e semelhança de Deus.
            A ética racionaliza causa e efeito de modo a regrar comportamentos em proveito do conjunto e do indivíduo, sem altruísmo, sem santificação, sem sentimento. Reduz o vivente a matéria bruta, ou, quando muito, a uma fera domada.
            Já a moral considera a alma dissociada da matéria, percebe a sutileza que passa batida aos olhares brutos, reconhece que o vivente não é um efeito dominó sem consciência. É a moral, e não a ética, que leva Cristo a se entregar exangue na cruz, é a moral que faz os mártires de todos os tempos e civilizações. É da moral que o Diabo tem medo, porque a moral não se submete à matéria, ao poder econômico e ao poder político. É a moral que contraria os preceitos dos escribas e fariseus. É a moral que não se corrompe por dinheiro nem retrocede por medo da morte e da dor.

Nhandeara, 8 de abril de 2012
Marcos Satoru Kawanami

sábado, 11 de agosto de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

area of friendship: instrument for anthropological studies - relationship statisticals - relation between people throughout time - anthropology - How steady is a friendship throughout time: as more distant people are and keep their friendship is a factor of strength for a friendship, so space vs space results an area that tends to be grater in the graph considering time: Area of Friendship = S(t) x S(t) - Link of Friendship

The area of friendship reveals how steady
is a friendship throughout time, if kept the link
between the people envolved. Space can be a
factor considered and measured in the axis
or just Time can be considered, progressing
the same proportions for the 3 axis. Usualy
it will measure the area of friendship between 2 people,
maintaining one axel as an assistant and spare one
for the case of a third person; for more than 3 people,
other graphs may be drawn.

LINK OF FRIENDSHIP:
The Sapaces x' and y' go increasing on and on as
people move their homes from here to there and even
to a place they already lived before.






wyngate elementary school - Ms. Coplestone (also a hero!, and guitar player) - tomates verdes fritos (filme) - fried green tomatoes (movie) - Idgie Threadgoode (Mary Stuart Masterson) - Jessica Tandy - Ruth (May-Louise Parker) - Kathy Bates


     This friend of mine, a girl at school when we were 7 years old, she used to dress herself like a boy. Today i saw for the first time the film Fried green tomatoes, in which the character  Idgie Threadgoode, played by the actress Mary Stuart Masterson, does the same thing and many other things becoming the hero of the story.
     Well, that girl in my childhood was also a hero, but despite i remember the name of Mathew, Marcus Brozowsky, Bethany, Heather, Beachen, i can't remember the name of this hero that used to gard for my safety; tears came out of my eyes looking at her picture a long time after school days and during this movie i'm talking about i also cried for her and particularly because i forgot her name, i did not continue friendship with a so nice person, was she called Catherine or Emily?


The hero of my story is the girl sitting at the first roll next to Mathew,
she is the second from right to left.

I am standing on the last roll, the third child from left to right,
besides Geremy that wears green.

     What i do remember is that the only child that understood my situation at school seemed to be this girl that dressed herself like a boy and had a strange way to say girl: she used to say "goil" like Popeye the saylor man. My situation was that i arrived at Wyngate Elementary School not understanding English, but also after starting to know what kids were saying i had trouble because i understood they were saying vain fallacy all the time out of class, and out of class that hero girl interfered to save me when i said things people didn't want to hear. And my friend was a quiet girl, she didn't say silly things like the others, when she spoke there was a purpose, intelligence using words.
     Women that try to be fancy look stupid, and men that try the same look more stupid then.
     I really don't know if her name was Catherine or Emily, but after this early childhood experience i always sympathize more with girls like the character of Mary Stuart Masterson in the film Fried green tomatoes, the strong and smart Idgie Threadgoode.

Nhandeara, August 10th 2012
Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 7 de agosto de 2012

politicamente correto - politically correct


POLITICAMENTE CORRETO

Você não pode nem deve
tirar onda de bacana,
siga à risca o que prescreve
a cartilha americana:

O correto tem política
com sanção, veto e decreto;
hoje, em coro, berra a Crítica:
politically correto”!

É medonho dar risada
de um alguém qualquer que seja;
é proibido, na calçada,
tudo o que o momento enseja.

Como é feio destoar
do rebanho que resume
o atavismo secular
que hipócrita não se assume.

Há palavras censuradas,
que não devo aqui dizer...;
pois a censura velada
é imbatível, pode crer.

Eu sempre tive o bom-senso
de nunca ofender ninguém,
e sempre disse o que penso
contra os censores também.

Fugir à regra, não pode!
Seguir a regra, não pode!
Inconformar-se, não pode!
Ser conformista, não pode!

Não pode isto nem aquilo,
não satirize uma ode,
não se pode rir tranquilo,
rir-se tranquilo não pode!

Marcos Satoru Kawanami

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

a vida é filme - a vida não é filme - o amor é filme - cordel do fogo encantado

Claire Bloom e Charles Chaplin no filme "Luzes da Ribalta" do ano de 1952.

A VIDA É FILME

Por que escravo do Verso sempre vivo?;
se não faço o poema, sinto frio;
porém, após fazê-lo, estou vazio:
com fome e frio, liberto, mas cativo.

Escravos todos são, muda o motivo
que empenha a força régia do seu cio
por mares de Camões e de gentio,
a fim de nesta vida estar altivos.

Cumprimos, no planeta, um só papel
de morte e Vida igual sem exceção,
e cobre-nos o corpo, que é um véu.

Parece todo o Drama escravidão,
fugir-se deste Filme é estar no Céu,
porém filmamos nossa redenção.

Marcos Satoru Kawanami


A VIDA NÃO É FILME

Quitou-me o romantismo esta verdade:
—A vida não é filme nem romance!—
Incauto o adolescente que se lance
a dar vaza ao Amor em tenra idade…

Mais vale bem-querer Sobriedade,
casta lira impassível ao alcance
da cupidez mundana que lhe avance
no esplendor da virgínea mocidade.

Não à toa os antigos, por costume,
prezavam a senil opinião,
que vivência e razão enfim resume.

Amor? Existe. Longe da paixão,
do romantismo e do carnal betume:
—Conjugo o verbo amar, sem transição.

Marcos Satoru Kawanami

domingo, 5 de agosto de 2012

Billi Pig filme - elenco: Selton Mello, Grazi Massafera, Milton Gonçalves, Zezé Barbosa, Preta Gil, Otávio Müller, Milhem Cortaz, Sandra Pêra - direção de José Eduardo Belmonte - globo filmes - imagem filmes - COMÉDIA indicação 12 anos

Arranjo musical divertido para "Batuque na Cozinha"
de João da Baiana.
parte do elenco
Sotaque paulista em Marechal Hermes? Eita!
dueto para piano de calda e cavaquinho
--Eu vou te ensinar a ser uma grande secretária.
--E eu sou Beijoca, a boa de boca.
Grazi Massafera (vestido dourado) mostrou habilidade
também em uma cena musical dançante.

Representou sua personagem com despretensão e naturalidade,
provando, ao mesmo tempo, que é uma atriz completa e
segura de sua competência profissional.
Milton Gonçalves, o "padre"...
Preta Gil como Dona Generosa, dona da funerária, patroa e
amante do paulista dentuço tarado, e sogra do "padre".
Otávio Müller (de chapéu) é um marginal de consciência,
dos que lêem a Bíblia, e acaba convertido pelo "padre".
Aquele personagem vago, de falas introspectivas
e olhares simbolistas, que nos faz sempre
procurar assistir aos filmes dos quais participa.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

café com amor filme da california filmes - Jennifer Love Hewitt e Jamie Kennedy - poema do menino Jesus de Alberto Caieiro, heterônimo de Fernando Pessoa

Filme que ilustra
a Teologia da Computação,
e tem absolutamente tudo a ver com
o poema do menino Jesus de Fernando Pessoa.

POEMA DO MENINO JESUS – Alberto Caieiro

Num meio-dia de fim de Primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
«Se é que ele as criou, do que duvido.» -
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

......

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

......

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

......

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Alberto Caieiro, heterônimo de Fernando Pessoa

o barão vermelho - the red baron - an idealist with wings - as asas do idealismo



AVIÃO
a Santos Dumont

Dos anseios, primaz da liberdade
que resume a mecânica beleza
e, furtando do pássaro a destreza,
acaba por vencer a Gravidade.

Milênios só de ingênua veleidade,
atada na primata natureza,
contemplava a cerúlea realeza
a eterna sonhadora Humanidade...

Então, eis que não mais podendo um dia
de um Ícaro conter sua ambição,
o céu genioso enfim se renderia

à vontade voraz de criação
que no elenco da brava engenharia
conquista o ar, nas asas do Avião.

Marcos Satoru Kawanami


Soneto de Santos Dumont

No alegre turbilhão da juventude,
no esplendor do motor por explosão,
em meio de projetos a efusão,
criar o aeroplano então eu pude.

Crente no ser humano, na virtude,
tudo era festa!, tudo empolgação,
“belle époque”..., ninguém pensava não
que Marte conspirava oculto e rude.

Veio a guerra, o carrasco do progresso?;
talvez não, pois usou-se o aeroplano:
não o inventasse, agora triste eu peço!

Somente o ser humano é desumano...,
e, assim, por suicida eu quis ingresso
na morte-símbolo do ser humano.

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

não tem tradução - the artist - o artista


Não Tem Tradução

O cinema falado é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês

A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançando o Fox-Trote

Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português

Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone

Noel Rosa