segunda-feira, 11 de junho de 2012

Camila



CAMILA

Camila, linda flor deste serrado
tão fértil da paulista terra minha,
se pela sorte não, por ti eu vinha
a tal recanto alegre e bem amado.

Pois aqui para sempre celebrado
eu hei de deixar, nestas poucas linhas,
o forte sentimento que adivinhas
teres tu no meu peito despertado:

És, a um tempo, veneno e o bem da cura;
tua boca instiga dor, ardência, tudo
de tórrida volúpia, mas ternura.

Minha boca fechada, eu pasmo e mudo,
reflete meu olhar toda ventura
que emana deste teu olhar sisudo.

Marcos Satoru Kawanami




DAMA DO CABARÉ

Foi num cabaré da Lapa
Que eu conheci você
Fumando cigarro,
Entornando champanhe no seu soirée.

Dançamos um samba,
Trocamos um tango por uma palestra,
Só saímos de lá meia hora
Depois de descer a orquestra.

Em frente à porta um bom carro nos esperava,
Mas você se despediu e foi pra casa a pé.
No outro dia lá nos Arcos eu andava
À procura da Dama do Cabaré.

Eu não sei bem se chorei no momento em que lia
A carta que recebi, não me lembro de quem.
Você nela me dizia que quem é da boemia
Usa e abusa da diplomacia
Mas não gosta de ninguém.

Noel Rosa

Um comentário :

Cecília Romeu disse...

Marquitos,
"se há beijos com veneno,
beijos homicidas,
quisera ter cem vidas,
e vezes cem morrer"
(não me lembro o autor romântico)

Beijos!