sábado, 26 de maio de 2012

seringal - Lápis-Borracha apagando o seringal - TonhOliveira - questão do IBGE (instituto brasileiro de geografia e estatística)


SERINGAL
para um desenho de TonhOliveira

Sangra, seringueira, sangra,
que não és milho,
não és mandioca,
nem feijão.

O teu sangue não sustenta,
não é comida
a ser dada ao homem,
ao gado,
nem mesmo ao cão.

O milho, a mandioca, o feijão,
cumprem seu fado,
dão frô e fruto,
são comida pro matuto.

A seringueira se consome em vão,
ao jugo da Civilização
ou pecado original,
mercado, indústria, Ciência irracional.

A borracha sangra, tortura
aquele pau, feito gonorréia,
que seu sangrar é pus branco
descendo em perene diarréia.

Marcos Satoru Kawanami
....................................................
IBGE: Paulista come tutu à mineira, ou virada à paulista?

5 comentários :

Tsu disse...

Oi Marcos..
Esse seu poema me fez lembrar um pouco o estilo do Jim...

Cindy Lauper realmente tem umas letras sensacionais.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Tsunâmica,

É o fim da linha do poeta: fazer verso por encomenda; fiz isso quando era estudante em Ouro Preto, mas me pagavam, agora tô fazendo de graça. É fim de linha, vou acabar naquele teatro no fim da Rua Augusta escrevendo peça a ingresso de 1 real feito o bandejão do Governo, e comendo no bandejão de 1 real!

=D
Marcos

byTONHO disse...



Tá barato!

R$ 1,oo o verso!
Verso a R$ 1,00...
-- Vai querer um soneto, freguês?
-- São R$ 14,00, sem título!
Com título é bem mais caro.

:o)

Marcos Satoru Kawanami disse...

Tonho,

Um jornal de lá encomendou um artigo sobre o mal do progresso em Ouro Preto. Fiz em redondilhas, e consegui o pagamento de 5 reais. Na época, 1 real dava para comprar 1 frango. Foi muito bom.

Um colega pediu poema para uma de suas namoradas, fiz um soneto a 2 reais e comprei o frango já assado.

Eu ainda trabalhava nos refeitórios da universidade, vê-se que eu só pensava em me alimentar.

=D
Marcos

byTONHO disse...



Bons tempos!

Adoro "franguinho assado",
como todos os dias a minha "franga"...

Co-coco-ri-có! Ôh galo véio!

:o)