terça-feira, 29 de maio de 2012

Francisca Edwiges Neves Gonzaga - Chiquinha Gonzaga - Beth Carvalho canta o "Maxixe da Zeferina".



MAXIXE DA ZEFERINA

Sou mulata brasileira
Sou dengosa feiticeira
A flor do maracujá
A flor do maracujá

Minha mãe foi trepadeira
Ela arteira e eu arteira
Vivo igualmente a trepar
Vivo igualmente a trepar

Pança com pança
Bate com jeito
Entra na dança
Quebra direito
Quebra direito

Esse maxixe
Quase me mata
Não se enrabiche
Pela mulata
Pela mulata

Este maxixe
Quase me mata
Não se enrabiche
Pela mulata
Pela mulata

Chiquinha Gonzaga

Chiquinha, com 1 ano de idade, no colo de sua mãe.

Biografia de Chiquinha Gonzaga, do site e-Biografias:

Chiquinha Gonzaga (1847-1935) foi compositora, pianista e regente brasileira. Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Autora da primeira marchinha de carnaval "Ó abre alas". Desde criança mostrou interesse pela música. Dedicou-se ao piano e compôs valsas e polcas. Separada do marido, dava aulas de piano e apresentava-se com o conjunto Choro Carioca, em festas domésticas, tocando piano. Seu primeiro sucesso, com 29 anos, foi a composição "Atraente", um animado choro. Se dedicou a musicar peças para o Teatro de Revista, sofrendo preconceitos, mas finalmente inicia sua carreira de maestrina com a revista "A corte na roça". Sua música faz grande sucesso e recebe vários convites de trabalho. Sua carreira ganha prestígio com a marcha-rancho "Ó abre alas" feita para o carnaval de 1899.



A peça de teatro "Forrobodó", musicada por Chiquinha Gonzaga, e apresentada em um bairro pobre do Rio de Janeiro, torna-se um sucesso, atingindo 1500 apresentações. As músicas são cantadas por toda cidade. "Forrobodó" torna-se o maior sucesso teatral de Chiquinha e um dos maiores do Teatro de Revista do Brasil.
Chiquinha Gonzaga lutou pelos direitos autorais, depois de encontrar em Berlim, várias partituras suas, reproduzidas sem autorização. É fundadora, sócia e patrona da SBAT - Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, ocupando a cadeira nº 1. 



Francisca Edwiges Neves Gonzaga (1847-1935) ficou conhecida como Chiquinha Gonzaga. Nasceu no Rio de Janeiro no dia 17 de outubro. Filha de José Basileu Alves Gonzaga, primeiro-tenente, de família ilustre do Império, e Rosa Maria Lima, mestiça e pobre. Apesar da família de José Basileu não ter grandes condições financeiras, Chiquinha Gonzaga recebeu a mesma educação dada às crianças burguesas da época. Estudou português, cálculo, inglês e religião com o Cônego Trindade e música com o Maestro Lobo.
Em 1863, com dezesseis anos, seguindo as exigências do seu pai, Chiquinha Gonzaga casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, um jovem e rico oficial da Marinha, oito anos mais velho que ela. Em 1864 nasce seu filho João Gualberto e em 1865 nasce Maria do Patrocínio. Chiquinha, de gênio forte e decidida, continua sua dedicação ao piano, compondo valsas e polcas, para desagrado do marido.
Em 1866, Chiquinha Gonzaga é obrigada pelo marido, co-proprietário de um navio e Comandante da Marinha Mercante, a acompanhá-lo no transporte de escravos, armas e soldados para a Guerra do Paraguai. Insatisfeita com a situação, pois as ordens do marido era que ela não se envolvesse com música, Chiquinha volta com o filho para a casa de seus pais, onde havia ficado sua filha Maria. Não tendo apoio da família e descobrindo que está grávida volta a viver com seu marido. Em 1867 nasce seu terceiro filho Hilário. O casamento durou pouco tempo.
Após a separação, Chiquinha passa a viver com o Engenheiro João Batista de Carvalho Júnior. Levando seu filho João Gualberto, o casal vai morar em Minas Gerais. Em 24 de agosto de 1876 nasce Alice, filha do casal. Pouco depois com ciúme do marido, Chiquinha volta para o Rio de Janeiro, com seu filho João Gualberto, deixando Alice com o pai.
Chiquinha volta a viver da música. Dava aulas de piano e obteve grande sucesso, compondo polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao mesmo tempo, juntou-se a um grupo de músicos de choro. Foi a necessidade de adaptar o som de seu piano ao gosto popular que lhe valeu a glória de se tornar a primeira compositora popular do país. O sucesso de Chiquinha Gonzaga começou em 1877, com a polca "Atraente". A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, Chiquinha resolveu se lançar no teatro de variedades. Estreou compondo a trilha da opereta de costumes "A Corte na Roça", de 1885.



Em 1899, Chiquinha conhece o músico português, João Batista Fernandes Lages, que vivia no Rio de Janeiro. Chiquinha com 52 anos e ele com apenas 16, começaram um relacionamento. Para não enfrentar o moralismo da época, Chiquinha registrou João Batista como seu filho. Viveram juntos e felizes, mas Chiquinha protegia sua privacidade.
Em 1934, aos 87 anos, Chiquinha Gonzaga escreveu a partitura da opereta "Maria". Chiquinha compôs as músicas de 77 peças teatrais, tornando-se responsável por cerca de 2.000 composições. Em 1897, todo o Brasil dançou sua estilização do corta-jaca, sob a forma de tango "Gaúcho", mais conhecido como "Corta-Jaca". Dois anos depois, compôs "Ó Abre Alas", a primeira marcha carnavalesca.
E foi cercada dessa glória que Chiquinha Gonzaga viveu em companhia de João Batista, até 28 de fevereiro de 1935, quando faleceu.



"Tenho horror ao luto e à hipocrisia."
(Chiquinha Gonzaga)

"Tive muito amor a todos os meus e os levo no coração. Que peçam por mim a Deus o perdão d'Ele por terem me feito tantas injustiças."
(Chiquinha Gonzaga)

Um ensinamento eu devo a Cristo, e é o de não julgar as pessoas: a gente nunca sabe que conluio se passou na vida delas ou mesmo até no mundo para que agissem de determinada maneira.


UMA OBSERVAÇÃO

A moça está sentada. O moço amado
Para uma contradança vai tirá-la:
— Dá-me a honra? — Pois não —  E pela sala
Ei-los a passear de braço dado.

De amor quanto protesto alambicado
Daqueles meigos corações se exala,
Té que as palmas batendo o mestre-sala,
Toma lugar o par apaixonado!

Começa a dança. A mão do moço esperta,
Bole, mexe, comprime, apalpa, aperta,
Durante uns turbulentos balancés,

E uma senhora, que não é criança,
Sentada a um canto observa que na dança
Hoje trabalham mais as mãos que os pés.

Artur Azevedo
..........................
TRILHA SONORA DO BLOGUE: http://blip.fm/mskawanami

4 comentários :

Ana Cecilia Romeu disse...

Marquitos,
publiquei agora à tarde a referência a tua poesia e teu blog.
Grande beijo!

Ana Cecilia Romeu disse...

Marquitos,
vou reproduzir o que escrevi por lá em resposta ao teu comentário:

"Marquitos, modéstia a tua.
Teus escritos são muito bons, e eu já estava planejando isso, mas tinha que encaixar em algum post que fizesse sentido.
Ah! E uma correção, não é que eu goste de 'um' soneto teu, gostei de todos que já li. Tanto que foi bem difícil escolher um só para colocar aqui."

Beijos, poeta!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Ana,

Você é mesmo muito gentil e delicada.

obrigado
Marcos

Gabriela disse...

hi Marcos. so yes...u're right :/